E as cabras vão se multiplicando. A melhor - mestiça de saanem - trouxe dois machos. Melhor seriam duas fêmeas. É o recomeço. Lentamente, o rebanho se forma. As instalações - ainda improviso - serão simples e eficientes. O ripado será mesmo o ideal?Ou as cabras podem se criadas - desde que com higiene - em qualquer tipo de piso?
Genética é, sem dúvida, fundamental. Há cerca de 30 anos, quando escrevi a primeira matéria sobre cabras para "Agricultura de Hoje" (depois Manchete Rural) a estrela foi a cabra anglonubiana Balm, de propriedade do criador Helio Gonçalves, de Campo Grande - Rio de Janeiro. Na época, o grande instrumento de divulgação da caprinocultura era a Caprileite, que promovia atividades variadas, desde cursos até a importação de animais.
Hoje, quem quer qualidade, não tem necessidade de importar. Basta localizar - pode ser via internet - os bons criadores e adquirir matrizes de boa qualidade.
No nordeste, o trabalho da Emepa- empresa de pesquisa agropecuária da Paraíba - surte efeito a longo prazo e o estado se destaca na produção de leite de cabra, via projetos sociais. O veterinário Aldomário Rodrigues me convida para ver a árvore em que se transformou a semente, representada pela importação das primeiras pardas alpinas.
Em São Paulo, as exposições mostram cabras de alta produtividade. Leilões conseguem preços sensacionais para matrizes de diferentes raças.
E eu, no pequeno sítio da Bicuíba, mais uma vez monto um pequeno rebanho, pelo menos para garantir, nos fins de semana, no café da manhã, um honesto queijo de cabra, com a marca registrada do feito em casa. Com bom sabor e qualidade.
Tião Freitas
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
domingo, 16 de dezembro de 2007
De Santiago, me liga Pablo. Ele Carola e Surya estão de passagem comprada - vão para Arica, no norte do Chile, terra de Carola, deserto do Atacama. Foi lá que, pela primeira vez, molhei o corpo com as águas do Pacífico. Coisas de final de ano. No ano passado, eles vieram para cá. Nada mais justo que passem este fim de ano com a família de Carola.
Pablo, filho brasileiro, acabou se casando com uma chilena e me deu uma neta muita esperta, muito livre, capaz de conversar comigo em espanhol, apesar da minha limitação.
A foto dos três ainda é de Arica, onde as casas - como o restaurante onde os fotografei- nem sempre precisam de telhado, muitas vezes substituídos por esteiras de bambu.
Mesmo fisicamente longe, os três estão sempre muito perto de mim.
Moramos numa nação maior que as fronteiras dos países, num lugar chamado bem-querer, capaz de superar distâncias com o exercício de carinho e atenção.
Meu povo chileno mora do lado esquerdo do peito, abrigado no coração.
Tião Freitas
Pablo, filho brasileiro, acabou se casando com uma chilena e me deu uma neta muita esperta, muito livre, capaz de conversar comigo em espanhol, apesar da minha limitação.
A foto dos três ainda é de Arica, onde as casas - como o restaurante onde os fotografei- nem sempre precisam de telhado, muitas vezes substituídos por esteiras de bambu.
Mesmo fisicamente longe, os três estão sempre muito perto de mim.
Moramos numa nação maior que as fronteiras dos países, num lugar chamado bem-querer, capaz de superar distâncias com o exercício de carinho e atenção.
Meu povo chileno mora do lado esquerdo do peito, abrigado no coração.
Tião Freitas
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Um velho, seu caiaque. E aí vou eu, na lagoa de Araruama, curtindo sal e sol, apesar da poluição que ainda é grande nas águas da Praia Seca. Em dia de vento, a espuma se acumula na areia, como se fosse a descarga de uma grande máquina de lavar.
Se melhorou? Sim. Faz pouco mais de um ano, o cheiro era insuportável. Chegava ao comércio, impedia o banho de quem se aproximasse da água. Nessa época, pisei na borda da lagoa e, por pouco, não me deixavam mais entrar no carro.
Hoje, tem-se notícia de que as perumbebas voltaram, de que o camarão habita a lagoa. Em compensação, aquela água cristalina, translúcida, só existe na cabeça de quem viu outro tempo. Já inauguraram o viaduto. Falta arrombar o canal. O resultado será bem diverso do meio-ambiente que existia antes. A conferir.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Médico
Tratamento e morte
Dia 4 de dezembro fazem 100 dias que meu pai morreu.
Logo depois, encaminhei ao Ministério Público pedido de apuração de possível erro médico. Papai, aos 88 anos, foi vítima de uma sonda, que lhe rompeu um vaso e fez com que ele broncoaspirasse o sangue.
A partir daí, a vida dele foi só agonia.
Na minha cabeça, uma pergunta:
A violência do tratamento de um paciente forte por um lado e com a saúde comprometida de outro se justifica?
Por que não o deixaram ir morrer em casa?
Para que tanta crueldade, tanto sofrimento?
Só agora a polícia terá condições de começar a ouvir os médicos em Araruama, mas a advertência já foi feita:
A influência política - leia-se poder real - pode atrapalhar as investigações, até mesmo substituindo pessoas na delegacia.
Vamos ver o que acontece.
Tião Freitas - 21/11/2007
Dia 4 de dezembro fazem 100 dias que meu pai morreu.
Logo depois, encaminhei ao Ministério Público pedido de apuração de possível erro médico. Papai, aos 88 anos, foi vítima de uma sonda, que lhe rompeu um vaso e fez com que ele broncoaspirasse o sangue.
A partir daí, a vida dele foi só agonia.
Na minha cabeça, uma pergunta:
A violência do tratamento de um paciente forte por um lado e com a saúde comprometida de outro se justifica?
Por que não o deixaram ir morrer em casa?
Para que tanta crueldade, tanto sofrimento?
Só agora a polícia terá condições de começar a ouvir os médicos em Araruama, mas a advertência já foi feita:
A influência política - leia-se poder real - pode atrapalhar as investigações, até mesmo substituindo pessoas na delegacia.
Vamos ver o que acontece.
Tião Freitas - 21/11/2007
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