segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

E as cabras vão se multiplicando. A melhor - mestiça de saanem - trouxe dois machos. Melhor seriam duas fêmeas. É o recomeço. Lentamente, o rebanho se forma. As instalações - ainda improviso - serão simples e eficientes. O ripado será mesmo o ideal?Ou as cabras podem se criadas - desde que com higiene - em qualquer tipo de piso?
Genética é, sem dúvida, fundamental. Há cerca de 30 anos, quando escrevi a primeira matéria sobre cabras para "Agricultura de Hoje" (depois Manchete Rural) a estrela foi a cabra anglonubiana Balm, de propriedade do criador Helio Gonçalves, de Campo Grande - Rio de Janeiro. Na época, o grande instrumento de divulgação da caprinocultura era a Caprileite, que promovia atividades variadas, desde cursos até a importação de animais.
Hoje, quem quer qualidade, não tem necessidade de importar. Basta localizar - pode ser via internet - os bons criadores e adquirir matrizes de boa qualidade.
No nordeste, o trabalho da Emepa- empresa de pesquisa agropecuária da Paraíba - surte efeito a longo prazo e o estado se destaca na produção de leite de cabra, via projetos sociais. O veterinário Aldomário Rodrigues me convida para ver a árvore em que se transformou a semente, representada pela importação das primeiras pardas alpinas.
Em São Paulo, as exposições mostram cabras de alta produtividade. Leilões conseguem preços sensacionais para matrizes de diferentes raças.
E eu, no pequeno sítio da Bicuíba, mais uma vez monto um pequeno rebanho, pelo menos para garantir, nos fins de semana, no café da manhã, um honesto queijo de cabra, com a marca registrada do feito em casa. Com bom sabor e qualidade.
Tião Freitas

domingo, 16 de dezembro de 2007

De Santiago, me liga Pablo. Ele Carola e Surya estão de passagem comprada - vão para Arica, no norte do Chile, terra de Carola, deserto do Atacama. Foi lá que, pela primeira vez, molhei o corpo com as águas do Pacífico. Coisas de final de ano. No ano passado, eles vieram para cá. Nada mais justo que passem este fim de ano com a família de Carola.
Pablo, filho brasileiro, acabou se casando com uma chilena e me deu uma neta muita esperta, muito livre, capaz de conversar comigo em espanhol, apesar da minha limitação.
A foto dos três ainda é de Arica, onde as casas - como o restaurante onde os fotografei- nem sempre precisam de telhado, muitas vezes substituídos por esteiras de bambu.
Mesmo fisicamente longe, os três estão sempre muito perto de mim.
Moramos numa nação maior que as fronteiras dos países, num lugar chamado bem-querer, capaz de superar distâncias com o exercício de carinho e atenção.
Meu povo chileno mora do lado esquerdo do peito, abrigado no coração.
Tião Freitas