Violência sempre houve.
O cinema está aí mesmo para reconstruir paisagens de guerras, de destruição. O homem sempre se matou, tanto nos combates de conflitos quanto em jogos, onde as disputas terminavam em morte. O tempo dos duelos não está tão distante assim.
Mas a violência contra crianças está saindo dos limites. A crueldade com que foram assassinadas as meninas - três!! - no Paraná é chocante. E olhe que, via de regra, nem os presos gostam dos que atingem crianças; lá dentro, a barra pesa para estes indivíduos.
Para coibir a violência, a lojas das Casas Bahia contratou um segurança, devidamente legalizado. O cara não gostou de um cliente, discutiu com o rapaz e o matou porque a vítima - incrédula - duvidou da possibilidade do "segurança" atirar: diz duvida. O rapaz disse. E morreu.
Por fim, os bandidos explodiram uma Delegacia em São Paulo. Chega a ser cômico. Faz lembrar Chico Buarque com o famoso "chame o ladrão". Ora, se os bandidos são capazes de explodir uma dependência da polícia, não explodem nossas casas porque não querem.
Pior foi ver o delegado chamando de "vândalos" os marginais, além de se mostrar inteiramente desamparado, padrão vítima se queixando na tv!! Ridículo.
Mais uma vez, é a omissão do Estado: não havia ninguém para reagir ao ataque, não havia alarme, não houve autoridade para correr e verificar o que estava explodindo, já que quase toda a cidade ouviu o barulho, só houve mobilização depois que os bandidos sumiram com armas e drogas, isso depois de queimarem inquéritos e arquivos.
Se a polícia não tem capacidade para cuidar da própria segurança, das drogas e armas que apreendem, como acreditar que esse Estado - que gerencia a polícia - vai nos dar alguma assistência. Como?
Só mesmo chamando o ladrão. Pelo menos o crime é chamado de "organizado". A autoridade constituída não tem organização nenhuma.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Tudo bem
É isso aí. Tudo bem. Ninguém precisa beber, mas as latinhas estavam enchendo a prateleira da geladeira e resolvi reduzir o número.
Nem fiz conta de quanto custam. Simplesmente arrumei um barco, fiquei feliz e resolvi fazer uma comemoração solitária e lá se foram algumas cervejinhas.
Bem, esqueci o menina que foi assinada em São Paulo e virou pauta real em toda a mídia. A outra, que foi assassinada e deixou um filho, pouco se fala.
Esqueci a bolsa - minha p3quena experiência capitalista virou pó - e o drama o mundo, que se debate numa crise a partir de pretensos lucros em investimentos em imóveis.
Esqueci ainda que os bancos estão em greve, que outra greve paralisa o Fórum.
Bem, não esqueci de alimentar os cachorros, nem esqueci de guardar o carro.
Também não esqueci das contas a pagar, nem das amizades.
Foi só um pouco de cerveja, por lembrar que já pesquei, nadei, desci onda no jacaré, namorei na praia.
Um barco. Uma viagem no tempo.
Apenas o sonho de um dia bonito, de céu azul, de som de viola.
Que acerveja nos ajude.
Nem fiz conta de quanto custam. Simplesmente arrumei um barco, fiquei feliz e resolvi fazer uma comemoração solitária e lá se foram algumas cervejinhas.
Bem, esqueci o menina que foi assinada em São Paulo e virou pauta real em toda a mídia. A outra, que foi assassinada e deixou um filho, pouco se fala.
Esqueci a bolsa - minha p3quena experiência capitalista virou pó - e o drama o mundo, que se debate numa crise a partir de pretensos lucros em investimentos em imóveis.
Esqueci ainda que os bancos estão em greve, que outra greve paralisa o Fórum.
Bem, não esqueci de alimentar os cachorros, nem esqueci de guardar o carro.
Também não esqueci das contas a pagar, nem das amizades.
Foi só um pouco de cerveja, por lembrar que já pesquei, nadei, desci onda no jacaré, namorei na praia.
Um barco. Uma viagem no tempo.
Apenas o sonho de um dia bonito, de céu azul, de som de viola.
Que acerveja nos ajude.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Avós e professoras
As avós estão sumindo. Que afirma é o Juarez Porto, em artigo no Jornal de Santa Catarina. Minha amiga transcreveu o texto, que é uma delícia.
Realmente, as avós a nova geração estão mais preocupadas com a qualidade da própria vida e não com os cuidados com netos.
Avó quituteira - quem tem?
Realmente. A geração da guerrilha, da contestação, do desquite, do divórcio já não tem mais o charme das antigas avós: as mulheres de mais idade se tratam, gostam os netos, mas nada de cadeira de balanço nem chale nas costas. Via de regra; porque sempre há exceções.
Da mesma forma, estão sumindo as mestras, aquelas professoras abnegadas que transmitiam conhecimento e disciplina. A criançada aprontava, mas não havia traço de desrespeito às mestras e a escola era um mundo novo, a porta para uma vida melhor.
Não sei se fico triste pelas avós, que mostram saúde, vão a hidroginástica, para os bailes e valorizam a vida, brigando pelo último suco da existência. Eu tive avó de óculos, voz calma e lamento que os meninos de hoje tenham avós diferentes, mas são sempre avós, com presentes e o conceito de quem educa são os pais. Avós são para dar à garotada algo mais de carinho, de passeio, de aventura, ou seja, os mimos mudaram o tipo mudou mas avó é sempre muito bom.
Já no que se refere às professoras, o que se vê é bem triste, a começar pelo salário. Foi-se o tempo em que as meninas todas queriam ser professoras. Era um profissão de status e o salário, se não era o melhor, era bom.
O que acontece hoje? Professor ganha mal, não há incentivo para que os jovens busquem os cursos de formação e o propalado desenvolvimento pela educação fica como bordão político, embalado por reformas que "promovem" os alunos ano a ano e os desaguam analfabetos por decurso de prazo.
Como era gostosa a minha Escola Edgard Werneck em Jacarepaguá!!! E que emoção foi o primeiro dia de Colégio Pedro II, ali na sede, na Marechal Floriano, no Centro do Rio. O menino do meio do mato (Jacarepaguá era zona rural) levou um susto quando viu aquele monte de gente, circulando pelos corredores, na hora do recreio.
Um professor, um chefe de disciplina eram acatados nas horas mais difíceis. Os pais educavam e ai de quem não fosse bem no Colégio.
A lembrança de D. Gioconda, professora do primário, está na prateleira das coisas boas do arquivo da minha cabeça.
Se a tv mostra loucuras, também mostrou que a cidade de Sobral, no Ceará (já trabalhei lá) conseguiu se destacar em educação. E que uma professora, também do nordeste, vai de casa em casa arrebanhando os alunos e consegue motivá-los para o estudo.
Eu acredito na educação como força capaz de mudar o contexto social em que vivemos. Mas será que as forças políticas querem saber de gente que pensa ou preferem bandos ululantes em bailes funks, shows e outras loucuras, transformando eleições em disputas futibolísticas?
Acho que é por aí. Os currais eleitorais do interior se transferiram para a cidade. A política do jagunço veio modificada e mais grave.
Vamos investir em educação - dizem. Mas desde que possam repetir o mesmo samba na próxima eleição.
O que se vê? Gente desempregada, mão de obra disponível para o tráfico, professores socorrendo alunos baleados e os políticos supersatisfeitos com seus ganhos.
Fica o consolo desaber que ainda existem mestres e mestras abnegadas pelas escolas deste País, apesar dos políticos.
E que as avós, ainda que modernizadas, continuam criaturas maravilhosas.
Realmente, as avós a nova geração estão mais preocupadas com a qualidade da própria vida e não com os cuidados com netos.
Avó quituteira - quem tem?
Realmente. A geração da guerrilha, da contestação, do desquite, do divórcio já não tem mais o charme das antigas avós: as mulheres de mais idade se tratam, gostam os netos, mas nada de cadeira de balanço nem chale nas costas. Via de regra; porque sempre há exceções.
Da mesma forma, estão sumindo as mestras, aquelas professoras abnegadas que transmitiam conhecimento e disciplina. A criançada aprontava, mas não havia traço de desrespeito às mestras e a escola era um mundo novo, a porta para uma vida melhor.
Não sei se fico triste pelas avós, que mostram saúde, vão a hidroginástica, para os bailes e valorizam a vida, brigando pelo último suco da existência. Eu tive avó de óculos, voz calma e lamento que os meninos de hoje tenham avós diferentes, mas são sempre avós, com presentes e o conceito de quem educa são os pais. Avós são para dar à garotada algo mais de carinho, de passeio, de aventura, ou seja, os mimos mudaram o tipo mudou mas avó é sempre muito bom.
Já no que se refere às professoras, o que se vê é bem triste, a começar pelo salário. Foi-se o tempo em que as meninas todas queriam ser professoras. Era um profissão de status e o salário, se não era o melhor, era bom.
O que acontece hoje? Professor ganha mal, não há incentivo para que os jovens busquem os cursos de formação e o propalado desenvolvimento pela educação fica como bordão político, embalado por reformas que "promovem" os alunos ano a ano e os desaguam analfabetos por decurso de prazo.
Como era gostosa a minha Escola Edgard Werneck em Jacarepaguá!!! E que emoção foi o primeiro dia de Colégio Pedro II, ali na sede, na Marechal Floriano, no Centro do Rio. O menino do meio do mato (Jacarepaguá era zona rural) levou um susto quando viu aquele monte de gente, circulando pelos corredores, na hora do recreio.
Um professor, um chefe de disciplina eram acatados nas horas mais difíceis. Os pais educavam e ai de quem não fosse bem no Colégio.
A lembrança de D. Gioconda, professora do primário, está na prateleira das coisas boas do arquivo da minha cabeça.
Se a tv mostra loucuras, também mostrou que a cidade de Sobral, no Ceará (já trabalhei lá) conseguiu se destacar em educação. E que uma professora, também do nordeste, vai de casa em casa arrebanhando os alunos e consegue motivá-los para o estudo.
Eu acredito na educação como força capaz de mudar o contexto social em que vivemos. Mas será que as forças políticas querem saber de gente que pensa ou preferem bandos ululantes em bailes funks, shows e outras loucuras, transformando eleições em disputas futibolísticas?
Acho que é por aí. Os currais eleitorais do interior se transferiram para a cidade. A política do jagunço veio modificada e mais grave.
Vamos investir em educação - dizem. Mas desde que possam repetir o mesmo samba na próxima eleição.
O que se vê? Gente desempregada, mão de obra disponível para o tráfico, professores socorrendo alunos baleados e os políticos supersatisfeitos com seus ganhos.
Fica o consolo desaber que ainda existem mestres e mestras abnegadas pelas escolas deste País, apesar dos políticos.
E que as avós, ainda que modernizadas, continuam criaturas maravilhosas.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Caminhos
Chego um tanto sem assunto, nesta manhã quente de início de primavera. As eleições terminaram, a crise do mercado financeiro amainou - parece um furacão a nos espionar - o degelo prossegue, a falta de crédito mata 50 mil frangos em São Paulo mas as bolsas do mundo recobram o ânimo. Haja especulação.
Nas ruas, a violência cotidiana progressiva não se altera. Na roça, o posto de venda de drogas vai progredindo. Já a escola, será fechada no início do próximo ano letivo. Já era ruim, com uma só professora para todas as séries e um único turno pela manhã. Agora, por decisão dos que mandam no município de Saquarema, não será mais escola. Já existe outra escola fechada na Bicuíba.
Passo no Distrito, para saber como anda o inquérito sobre a morte de meu pai. Faz mais de um ano que encaminhamos a queixa ao Ministério Público. Como não houve o glamour da mídia, a apuração prossegue em ritmo lento, bem de acordo com o interesse dos médicos. Não se busca prova técnica, nem mesmo foi realizada a sequência de depoimentos dos médicos. E o inquérito não se perde nas pilhas de processos porque, volta e meia, vou perguntar o que está acontecendo.
Do lado positivo, a melhoria da qualidade da lagoa de Araruama, talvez pelo próprio aumento dos peixes, que devoram a matéria orgânica, depositada no fundo das águas.
Enquanto a tsunami não vem - seja real, seja financeira - o remédio é aproveitar o que ainda resta de vida naquelas paragens.
E que Deus nos deixe longe dos caminhos da marginalidade.
Nas ruas, a violência cotidiana progressiva não se altera. Na roça, o posto de venda de drogas vai progredindo. Já a escola, será fechada no início do próximo ano letivo. Já era ruim, com uma só professora para todas as séries e um único turno pela manhã. Agora, por decisão dos que mandam no município de Saquarema, não será mais escola. Já existe outra escola fechada na Bicuíba.
Passo no Distrito, para saber como anda o inquérito sobre a morte de meu pai. Faz mais de um ano que encaminhamos a queixa ao Ministério Público. Como não houve o glamour da mídia, a apuração prossegue em ritmo lento, bem de acordo com o interesse dos médicos. Não se busca prova técnica, nem mesmo foi realizada a sequência de depoimentos dos médicos. E o inquérito não se perde nas pilhas de processos porque, volta e meia, vou perguntar o que está acontecendo.
Do lado positivo, a melhoria da qualidade da lagoa de Araruama, talvez pelo próprio aumento dos peixes, que devoram a matéria orgânica, depositada no fundo das águas.
Enquanto a tsunami não vem - seja real, seja financeira - o remédio é aproveitar o que ainda resta de vida naquelas paragens.
E que Deus nos deixe longe dos caminhos da marginalidade.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Viagem:
Imagem percebida
Num risco bordado
Na palma da mão.
Na mistura geral
Não, sim, talvez.
Corpos em confusão
Olhos acesos se tocam
Pele, atrito
Faíscas.
Minuto se perde
Passos refeitos
na condução urbana
nas teclas do dia a dia
no café da manhã.
Sensações encantadas
garimpadas
na luz de um olhar.
Sem medo das palavras:
Amar. Este o mote.
Caminho com nome de mulher
Percebido entre muralhas
Do dia a dia trivial.
Encanto, encantamento
Amor que nunca passa
Acontece como se não tivesse chão
Nem fosse concreto.
Minuto refeito.
Explosão permanente
Bem querer:
sem bem querer
não há rumo, nem estrada, nem mapa.
E querer bem tem o preço do sonho
encanto de um nome de mulher
mulher que vive mas caminha
no reino da imaginação.
Imagem percebida
Num risco bordado
Na palma da mão.
Na mistura geral
Não, sim, talvez.
Corpos em confusão
Olhos acesos se tocam
Pele, atrito
Faíscas.
Minuto se perde
Passos refeitos
na condução urbana
nas teclas do dia a dia
no café da manhã.
Sensações encantadas
garimpadas
na luz de um olhar.
Sem medo das palavras:
Amar. Este o mote.
Caminho com nome de mulher
Percebido entre muralhas
Do dia a dia trivial.
Encanto, encantamento
Amor que nunca passa
Acontece como se não tivesse chão
Nem fosse concreto.
Minuto refeito.
Explosão permanente
Bem querer:
sem bem querer
não há rumo, nem estrada, nem mapa.
E querer bem tem o preço do sonho
encanto de um nome de mulher
mulher que vive mas caminha
no reino da imaginação.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Deboche e voto
O sorriso do bandido, o adeusinho na frenta da câmera foi um deboche. Mais deboche quando os policiais encontraram corpos carbonizados, ainda fumaçando, como se fosse o resto de um churrasco macabro.
Enquanto o Estado investe em segurança para transportar o bandido, ele e outros formam um comando e determinam mortes nos pontos de droga.
Bandidos fecham comércio, colocam barreiras em ruas, andam armados - e muito bem - por toda a cidade.
O cidadão comum, maioria silenciosa, paga impostos e se impõe verdadeiras prisões domicilares: é perigoso sair à rua.
Pelo menos um ladrão teve a ética de devolver uma criança ao mesmo tempo em que julgou e condenou os pais do menino: Se acontecer de novo, o homem morre.
Bandido tem lei. Aos demais, sobra o consolo, a sorte de não topar com bondes, bandos ou coisas semelhantes. Não há limites para ações dos bandidos.
E tem candidato aí - virgens puríssimas - prometendo mundos e fundos. A gente precisa votar. Mais como?
Enquanto o Estado investe em segurança para transportar o bandido, ele e outros formam um comando e determinam mortes nos pontos de droga.
Bandidos fecham comércio, colocam barreiras em ruas, andam armados - e muito bem - por toda a cidade.
O cidadão comum, maioria silenciosa, paga impostos e se impõe verdadeiras prisões domicilares: é perigoso sair à rua.
Pelo menos um ladrão teve a ética de devolver uma criança ao mesmo tempo em que julgou e condenou os pais do menino: Se acontecer de novo, o homem morre.
Bandido tem lei. Aos demais, sobra o consolo, a sorte de não topar com bondes, bandos ou coisas semelhantes. Não há limites para ações dos bandidos.
E tem candidato aí - virgens puríssimas - prometendo mundos e fundos. A gente precisa votar. Mais como?
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Sem desistir
Acupuntura. Mais uma tentativa que parece vai dando certo. A coluna já não dói tanto e está mais fácil caminhar.
Vim quebrando lentamente. Aos 65 anos, a hipertrofia cardiaca, as pedras no rim e o caos da coluna me dificultam a vida.
Mas não desisto.
O sítio é prova disso. E ainda escrevo, continuo lendo e, mais que tudo, continuo amando minha mullher. Envelhecemos juntos, a chama não é a mesma mas o carinho prossegue ilustrando os pequenos momentos da vida.
Às vezes, parece que a morte já esteve mais perto. Se tenho medo? Evidente. Mas esse medo não me impede de viver, de gostar de mar, de água fria, de cachoeira.
A orquídea floriu no fundo do quintal. É um espetáculo para os olhos. A samambaia chorona desce folhas até onde pode, numa cortina que cobra parte da área sob a casa.
Cuido das plantas. Dos bichos.
E a vida parece que retribui, me garantindo energia. Vou sem desistir. Gostar da vida é sempre muito bom.
Vim quebrando lentamente. Aos 65 anos, a hipertrofia cardiaca, as pedras no rim e o caos da coluna me dificultam a vida.
Mas não desisto.
O sítio é prova disso. E ainda escrevo, continuo lendo e, mais que tudo, continuo amando minha mullher. Envelhecemos juntos, a chama não é a mesma mas o carinho prossegue ilustrando os pequenos momentos da vida.
Às vezes, parece que a morte já esteve mais perto. Se tenho medo? Evidente. Mas esse medo não me impede de viver, de gostar de mar, de água fria, de cachoeira.
A orquídea floriu no fundo do quintal. É um espetáculo para os olhos. A samambaia chorona desce folhas até onde pode, numa cortina que cobra parte da área sob a casa.
Cuido das plantas. Dos bichos.
E a vida parece que retribui, me garantindo energia. Vou sem desistir. Gostar da vida é sempre muito bom.
Terra nossa de todo dia
Que tipo de sociedade nós queremos? Não penso em futuro, mas hoje. E fico me perguntando onde a trama se rompeu, para não se faça a urdidura.
Éramos combatentes em potencial. Possíveis soldados. No Colégio, nem tudo eram flores, havia conflitos, mas não se tinha notícia de tanto desrespeito, tanta loucura quanto acontece hoje.
Crianças enfrentam professores, meninos vão armados para a escola, grupos de formam em verdadeiras quadrilhas, com capacidade e facilidade para matar.
No trânsito, note-se a presença de dois esteriótipos muito comuns: o lento, que procura respeitar as leis de trânsito e dono do pedaço, que costura, abusa da velocidade e, não raro, provoca acidentes inexplicáveis.
Enfrentá-lo pode significar uma agressão.
No miolo, o povo todo, que reduz a velocidade no radar, mas sabe que se todos andarem a 60 km na Amaral Peixoto, o engarrafamento será inevitável.
O Estado? Vá ver o festival de placas na Alameda São Boa Ventura, em Niterói: o radar marca 60 km, mas logo a seguir existem placas limitando a velocidade a 40 km.
Em Maria Paula, fizeram um meio viaduto, com acesso pela esquerda. Resultado:é um risco acessar um pista pela faixa de alta, com carros descendo a ladeira a mais de 100 km por hora.
Cadeias lotadas. Arrastões pelas ruas. Medo nos olhos das pessoas. Trabalho mal remunerado. Entrar num bar, no Rio, é pedir por favor e ser mal atendido.
Agora, todo mundo vê televisão, tem celular e uma preocupação muito grande com a grife da roupa, o tênis da moda.
Um velho na porta do ônibus? Passe por cima dele. Uma criança? Esmague. É o que se vê pelas ruas. Grandes empresas instituem o quilo de 900 gramas. Reduzem o tamanho do papel higiênico e a quantidade contida nas embalagens.
E no mundo? se faltar comida, devem servir foguetes com capacidade para destruir a Terra algumas vezes.
Só nos resta mesmo ter esperança no senhor do Infinito.
Se ele esfregar um olho, essa tal de Terra explode.
Éramos combatentes em potencial. Possíveis soldados. No Colégio, nem tudo eram flores, havia conflitos, mas não se tinha notícia de tanto desrespeito, tanta loucura quanto acontece hoje.
Crianças enfrentam professores, meninos vão armados para a escola, grupos de formam em verdadeiras quadrilhas, com capacidade e facilidade para matar.
No trânsito, note-se a presença de dois esteriótipos muito comuns: o lento, que procura respeitar as leis de trânsito e dono do pedaço, que costura, abusa da velocidade e, não raro, provoca acidentes inexplicáveis.
Enfrentá-lo pode significar uma agressão.
No miolo, o povo todo, que reduz a velocidade no radar, mas sabe que se todos andarem a 60 km na Amaral Peixoto, o engarrafamento será inevitável.
O Estado? Vá ver o festival de placas na Alameda São Boa Ventura, em Niterói: o radar marca 60 km, mas logo a seguir existem placas limitando a velocidade a 40 km.
Em Maria Paula, fizeram um meio viaduto, com acesso pela esquerda. Resultado:é um risco acessar um pista pela faixa de alta, com carros descendo a ladeira a mais de 100 km por hora.
Cadeias lotadas. Arrastões pelas ruas. Medo nos olhos das pessoas. Trabalho mal remunerado. Entrar num bar, no Rio, é pedir por favor e ser mal atendido.
Agora, todo mundo vê televisão, tem celular e uma preocupação muito grande com a grife da roupa, o tênis da moda.
Um velho na porta do ônibus? Passe por cima dele. Uma criança? Esmague. É o que se vê pelas ruas. Grandes empresas instituem o quilo de 900 gramas. Reduzem o tamanho do papel higiênico e a quantidade contida nas embalagens.
E no mundo? se faltar comida, devem servir foguetes com capacidade para destruir a Terra algumas vezes.
Só nos resta mesmo ter esperança no senhor do Infinito.
Se ele esfregar um olho, essa tal de Terra explode.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Criança
Dois meninos mortos pelos pais. Antes, fugiram. Pediram para não serem devolvidos aos pais. Fizeram isso mais de uma vez. Os gênios do Conselho Tutelar decidiram que nãp havia perigo : a família era a melhor opção. Deu no que deu.
A tortura levou três homens a confessarem um crime que não cometeram. Ficaram presos por dois anos e mais tempo ficariam se o verdadeiro criminoso não fosse descoberto. A pergunta é inevitável: quanto são condenados de forma incorreta?
Uma vez, um condenado, que de santo não tinha nada, me disse o seguinte: fui condenado por crime que não cometi. Eu estava por perto, mas não participei. Mas não tem problema: fica por outros que cometi... Triste cega que, enganada, erra e acerta.
Por falar em tortura, as emissoras de tv não convencinais têm mostrado depoimentos contundentes sobre o período da ditadura.
E pude ver Guta, ex-aluna da FND, relatar as torturas que sofreu.
Revi Vladimir, Daniel Aarão Reis e tantas outros mais. E fico pensando como Genoíno acabou se envolvendo com mensalão.
E fico pensando que este estado torturador continua escondido nos porões da burocracia, capaz de espancar e mantar, por seus diferentes braços.
Mas o grandes estão mesmo preocupados em armar palanque no Congresso para o banqueiro se defender, criar normas para que os de colarinho branco não usem algemas e entram em pânico com possíveis grampos.
O que andam conversando? Por que tanto temor?
Será que a alardeada "competência" dos advogados dos ricos está relacionado com... vamos dizer ..."custas extreas"?
Domingo, no Globo, Ancelmo enfileirou os degraus que vão caindo os que ousaram tentar prender Daniel Dantas: eles passam por verdadeiro inferno astral.
A elite se protege.
A tortura levou três homens a confessarem um crime que não cometeram. Ficaram presos por dois anos e mais tempo ficariam se o verdadeiro criminoso não fosse descoberto. A pergunta é inevitável: quanto são condenados de forma incorreta?
Uma vez, um condenado, que de santo não tinha nada, me disse o seguinte: fui condenado por crime que não cometi. Eu estava por perto, mas não participei. Mas não tem problema: fica por outros que cometi... Triste cega que, enganada, erra e acerta.
Por falar em tortura, as emissoras de tv não convencinais têm mostrado depoimentos contundentes sobre o período da ditadura.
E pude ver Guta, ex-aluna da FND, relatar as torturas que sofreu.
Revi Vladimir, Daniel Aarão Reis e tantas outros mais. E fico pensando como Genoíno acabou se envolvendo com mensalão.
E fico pensando que este estado torturador continua escondido nos porões da burocracia, capaz de espancar e mantar, por seus diferentes braços.
Mas o grandes estão mesmo preocupados em armar palanque no Congresso para o banqueiro se defender, criar normas para que os de colarinho branco não usem algemas e entram em pânico com possíveis grampos.
O que andam conversando? Por que tanto temor?
Será que a alardeada "competência" dos advogados dos ricos está relacionado com... vamos dizer ..."custas extreas"?
Domingo, no Globo, Ancelmo enfileirou os degraus que vão caindo os que ousaram tentar prender Daniel Dantas: eles passam por verdadeiro inferno astral.
A elite se protege.
domingo, 7 de setembro de 2008
A criança
lá dentro do peito
ainda vive.
Caçado pelo tempo
o menino se remexe
enfrenta a dor
mas aprecia
vento
mar
verde;
vergo, não quebro
dói, mas volto
e na volta
te amo
curto os amigos
e prossigo
Se a trilha acabar,
paciência.
a vida valeu
vale ainda
enquanto o vento eriça o bambuzal
e o menino
se iguala ao sorriso da neta
em meio ao verde do sítio.
Há um buraco no peito.
Mas o prazer de viver
supera a dor
o medo,
a desesperança.
E, agarrado à beleza do luar
agradeço a vida
que ainda corre em meus braços.
lá dentro do peito
ainda vive.
Caçado pelo tempo
o menino se remexe
enfrenta a dor
mas aprecia
vento
mar
verde;
vergo, não quebro
dói, mas volto
e na volta
te amo
curto os amigos
e prossigo
Se a trilha acabar,
paciência.
a vida valeu
vale ainda
enquanto o vento eriça o bambuzal
e o menino
se iguala ao sorriso da neta
em meio ao verde do sítio.
Há um buraco no peito.
Mas o prazer de viver
supera a dor
o medo,
a desesperança.
E, agarrado à beleza do luar
agradeço a vida
que ainda corre em meus braços.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Cabras e ovelhas
Faz tempo que essa doença me persegue: a mania de criar cabras e, se possível, ovelhas.
Tudo começou quando fomos morar em Seropédica, perto da Universidade Rural. Alguém nos deu a informação sobre o crescimento da criação de cabras - um negócio para pequenos sítios.
Propus então a Paulo Roque, editor de Agricultura de Hoje (depois Manchete Rural) matéria sobre o tema.
Fui conhecer a Caprileite, a primeira associação de apoio aos criadores. Soube do queijo, fiz curso e aprendi um pouco. Soube dos problemas de importação, já que não havia rebanho de cabras de leite no Brasil.
Pouco tempo depois, fui para a Embrapa, que estava montando um Centro de Caprinos em Sobral. Divulgar as pesquisas do CNPC foi das minhas primeiras atividades. Depois conheci o programa da Paraíba. Através da Emepa, pesquisadores como Aldomário Rodrigues e Vandrick Hauss haviam importado cabras da Alemanha. O objetivo era mostrar a possibilidade de adaptar esses animais ao sertão. Conheci a Estação Experimental de Pendência e o trabalho com caprinos das raças Parda Alemã e Anglonubiana.
Acompanhei o desenvolvimento da raça Santa Inês. Luiz Freire, chefe do CNPC, que me convenceu a ir morar em Sobral, sempre dizia que era preciso um trabalho de melhoramento, para dar mais carne ao traseiro do Santa Inês.
A outra raça, Morada Nova, sempre teve melhor padrão racial, prolificidade, fecundidade e rusticidade. Raiz do Santa Inês, tinha porte menor, mas apresentava melhores índices, principalmente em pastagens agrestes.
Tempo passa -uns 20 anos - e o Santa Inês vira mania nacional.
As tendências de mercado indicam para ampliação do consumo de carnes, tanto de caprinos, quanto de ovinos. No Estado do Rio, é grande a quantidade de rebanhos, tanto na serra de Petrópolis, quanto nos campos de Silva Jardim, ou mesmo em Campos.
Dois fatores imediatos aparecem como limitantes: o preço final para o consumidor e a falta de infra-estrutura para abate.
Quanto aos caprinos, sempre mais direcionado para leite, surge a raça Boer, voltada para produção de carne. Novamente pioneiros, os técnicos da Paraíba conseguem mais duas raças - Savana e Kallahari - também voltadas para a produção de carne. E os investimentos são crescentes nessa tendência de criar caprinos para carne.
A não ser no Rio Grande do Sul, o brasileiro afastou-se muito do consumo de carne de pequenos animais, privilegiando a carne bovina. A tendência de subida do preço da arroba do boi pode ser, atualmente, mas um fator para incentivar o consumo de carnes alternativas, principalmente se os intermediários entre produção e consumo entenderem que se pagam mal ao produtor, limitam a decisão de criar.
Se colocam o preço excessivo no mercado, limitam violentamente o consumo. O quilo do pato vivo anda em torno de R$ 3,00. Vi carne de pato vendida, no supermercado, a R$25,00. A carne de coelho anda no mesmo nível.
Ou seja, enquanto criador, não crio, porque o mercado é complicado.
Enquanto consumidor, não compro porque o preço torna o almoço proibitivo.
Falta uma centelha de inteligência nessa área intermediária do agribusiness para ampliar a oferta de carnes alternativas.
Tudo começou quando fomos morar em Seropédica, perto da Universidade Rural. Alguém nos deu a informação sobre o crescimento da criação de cabras - um negócio para pequenos sítios.
Propus então a Paulo Roque, editor de Agricultura de Hoje (depois Manchete Rural) matéria sobre o tema.
Fui conhecer a Caprileite, a primeira associação de apoio aos criadores. Soube do queijo, fiz curso e aprendi um pouco. Soube dos problemas de importação, já que não havia rebanho de cabras de leite no Brasil.
Pouco tempo depois, fui para a Embrapa, que estava montando um Centro de Caprinos em Sobral. Divulgar as pesquisas do CNPC foi das minhas primeiras atividades. Depois conheci o programa da Paraíba. Através da Emepa, pesquisadores como Aldomário Rodrigues e Vandrick Hauss haviam importado cabras da Alemanha. O objetivo era mostrar a possibilidade de adaptar esses animais ao sertão. Conheci a Estação Experimental de Pendência e o trabalho com caprinos das raças Parda Alemã e Anglonubiana.
Acompanhei o desenvolvimento da raça Santa Inês. Luiz Freire, chefe do CNPC, que me convenceu a ir morar em Sobral, sempre dizia que era preciso um trabalho de melhoramento, para dar mais carne ao traseiro do Santa Inês.
A outra raça, Morada Nova, sempre teve melhor padrão racial, prolificidade, fecundidade e rusticidade. Raiz do Santa Inês, tinha porte menor, mas apresentava melhores índices, principalmente em pastagens agrestes.
Tempo passa -uns 20 anos - e o Santa Inês vira mania nacional.
As tendências de mercado indicam para ampliação do consumo de carnes, tanto de caprinos, quanto de ovinos. No Estado do Rio, é grande a quantidade de rebanhos, tanto na serra de Petrópolis, quanto nos campos de Silva Jardim, ou mesmo em Campos.
Dois fatores imediatos aparecem como limitantes: o preço final para o consumidor e a falta de infra-estrutura para abate.
Quanto aos caprinos, sempre mais direcionado para leite, surge a raça Boer, voltada para produção de carne. Novamente pioneiros, os técnicos da Paraíba conseguem mais duas raças - Savana e Kallahari - também voltadas para a produção de carne. E os investimentos são crescentes nessa tendência de criar caprinos para carne.
A não ser no Rio Grande do Sul, o brasileiro afastou-se muito do consumo de carne de pequenos animais, privilegiando a carne bovina. A tendência de subida do preço da arroba do boi pode ser, atualmente, mas um fator para incentivar o consumo de carnes alternativas, principalmente se os intermediários entre produção e consumo entenderem que se pagam mal ao produtor, limitam a decisão de criar.
Se colocam o preço excessivo no mercado, limitam violentamente o consumo. O quilo do pato vivo anda em torno de R$ 3,00. Vi carne de pato vendida, no supermercado, a R$25,00. A carne de coelho anda no mesmo nível.
Ou seja, enquanto criador, não crio, porque o mercado é complicado.
Enquanto consumidor, não compro porque o preço torna o almoço proibitivo.
Falta uma centelha de inteligência nessa área intermediária do agribusiness para ampliar a oferta de carnes alternativas.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Arco e flecha
Um país, uma ilha começa a sumir.
Os ventos enfurecem o mar.
Acidente na baía de Guanabara, destruição no Rio Grande,
pequenos tornados em Santa Catarina.
A terra treme em Sobral, no Ceará.
E a fome - um enorme fantasma mundial - cresce principalmente nos países pobres.
A população do mundo aumenta.
Não há mais áreas disponíveis para plantio, a não ser no Brasil, alguma coisa na Oceania e na África.
Buscamos petróleo: o Brasil promete.
Enquanto isso, as populações crescem, envoltas em celulares, cds, shows, bailes funk, etc. Carnaval perde status para a loucura renovada das festas, tanto da classe média, quanto nos bairros pobres. Uso de substâncias tóxicas é o que mais acontece.
Eu não posso andar armado, mas o bandido pode. Eles podem andar de moto se capacete, podem andar de carro sem placa.
O cidadão comum paga imposto, é obrigado a ter CPF, identidade, etc e não tem que o proteja. Chame a polícia em caso de perigo. Que polícia?
Que político?
Bandidagem geral. Pessoas em pânico.
Só me res comprar um arco e flecha.
Um país, uma ilha começa a sumir.
Os ventos enfurecem o mar.
Acidente na baía de Guanabara, destruição no Rio Grande,
pequenos tornados em Santa Catarina.
A terra treme em Sobral, no Ceará.
E a fome - um enorme fantasma mundial - cresce principalmente nos países pobres.
A população do mundo aumenta.
Não há mais áreas disponíveis para plantio, a não ser no Brasil, alguma coisa na Oceania e na África.
Buscamos petróleo: o Brasil promete.
Enquanto isso, as populações crescem, envoltas em celulares, cds, shows, bailes funk, etc. Carnaval perde status para a loucura renovada das festas, tanto da classe média, quanto nos bairros pobres. Uso de substâncias tóxicas é o que mais acontece.
Eu não posso andar armado, mas o bandido pode. Eles podem andar de moto se capacete, podem andar de carro sem placa.
O cidadão comum paga imposto, é obrigado a ter CPF, identidade, etc e não tem que o proteja. Chame a polícia em caso de perigo. Que polícia?
Que político?
Bandidagem geral. Pessoas em pânico.
Só me res comprar um arco e flecha.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
CTI - Tratamento u tortura?
Dia 29 passado, José Álvaro faria 89 anos. Não conseguimos trazê-lo até aqui.
Seu último ano de vida, encerrada em final de agosto passado, foi um suceder de internações e brigas nas UTIs e CTIs.
Ele tinha muita energia - vontade de viver, apesar da doença, das dificuldades auditivas, da necessidade de uma acompanhante e de tantas dores que sentiu.
Nunca desistiu. Os médicos disseram que ele não conseguiria mais andar.
Optou por deixar o apartamento da filha no Rio, voltou a morar em Praia Seca, alimentava-se bem, com gosto, sem dispensar, volta e meia, um vinho ou uma cerveja.
Quase todo dia, subia até a beira da praia, para apreciar o mar.
A dra. Ana Beatriz o transformou num amigo. Sempre que necessário, o internava, mas o liberava o mais rápido possível.
A última vez, não conseguimos levá-lo para o Rio Confiamos no HC Lagos, hospital de Araruama.
A última vez que falou comigo, disse que o estavam matando.
Que fazer?
Protestamos, pedimos informações. Um médico disse que ele não estava sendo dopado. O chefe dele disse que a sedação era necessária.
Perguntaram o que ele comia. Surpresos, disseram que ele precisava de uma nutricionista e que sua dieta, no Hospital, seria outra.
Realmente foi: sopinhas ralas, que o deixavam com fome - sensação que, até hoje, me incomoda.
Com fome, fraco - isso porque queriam curá-lo, porque ele não podia broco-aspirar - foi preciso que usassem uma sonda, para alimentá-lo.
Não sei se a imperícia foi só de quem tentou enfiar a sonda nariz a dentro de meu pai, ou se a irresponsabilidade começou na escolha do material.
Certo é que o instrumento arrebentou uma artéria no nariz de José Álvaro. Na hora da visita, agarrado por enfermeiros, começou a vomitar sangue.
A "cura" deu resultado oposto: ele bronco-aspirou, passou a vegetar e, dias depois, faleceu.
A dificuldade, apesar da determinação do Ministério Público, é fazer com que a polícia apure a ocorrência.
Este acidente de trabalho, uma fatalidade, como dizem os médicos, no ambiente jurídico se chama crime culposo. E merece punição.
Seu último ano de vida, encerrada em final de agosto passado, foi um suceder de internações e brigas nas UTIs e CTIs.
Ele tinha muita energia - vontade de viver, apesar da doença, das dificuldades auditivas, da necessidade de uma acompanhante e de tantas dores que sentiu.
Nunca desistiu. Os médicos disseram que ele não conseguiria mais andar.
Optou por deixar o apartamento da filha no Rio, voltou a morar em Praia Seca, alimentava-se bem, com gosto, sem dispensar, volta e meia, um vinho ou uma cerveja.
Quase todo dia, subia até a beira da praia, para apreciar o mar.
A dra. Ana Beatriz o transformou num amigo. Sempre que necessário, o internava, mas o liberava o mais rápido possível.
A última vez, não conseguimos levá-lo para o Rio Confiamos no HC Lagos, hospital de Araruama.
A última vez que falou comigo, disse que o estavam matando.
Que fazer?
Protestamos, pedimos informações. Um médico disse que ele não estava sendo dopado. O chefe dele disse que a sedação era necessária.
Perguntaram o que ele comia. Surpresos, disseram que ele precisava de uma nutricionista e que sua dieta, no Hospital, seria outra.
Realmente foi: sopinhas ralas, que o deixavam com fome - sensação que, até hoje, me incomoda.
Com fome, fraco - isso porque queriam curá-lo, porque ele não podia broco-aspirar - foi preciso que usassem uma sonda, para alimentá-lo.
Não sei se a imperícia foi só de quem tentou enfiar a sonda nariz a dentro de meu pai, ou se a irresponsabilidade começou na escolha do material.
Certo é que o instrumento arrebentou uma artéria no nariz de José Álvaro. Na hora da visita, agarrado por enfermeiros, começou a vomitar sangue.
A "cura" deu resultado oposto: ele bronco-aspirou, passou a vegetar e, dias depois, faleceu.
A dificuldade, apesar da determinação do Ministério Público, é fazer com que a polícia apure a ocorrência.
Este acidente de trabalho, uma fatalidade, como dizem os médicos, no ambiente jurídico se chama crime culposo. E merece punição.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
São Jorge
Alto do Rebentão, Engenho do Roçado, São Gonçalo. A capela fica no alto, a imagem é colocada sobre o carro e os cavaleiros a seguem.Todo ano tem procissão, sempre no dia 23, dia de São Jorge. Dois quilômetros de estrada íngreme, este ano bastante prejudicada pela chuva constante. Sorte que o dia foi de sol e o carro conseguiu vencer a ladeira.Muitos cavaleiros, dos mais simples aos que montam os grandes campolinas.
A foto é do alto, mostrando parte de São Gonçalo - uma região ainda verde - e Niterói, com a serra da Tiririca ao fundo.
Fé. Apenas isto. Sem sacerdote, só cavaleiros e muita gente subindo a pé, seja para rezar, seja para buscar uma flor do andor do santo, seja para curtir a paisagem.
É o nosso jeito de conversar com Deus, nessa paisagem bonita, com o encerrar da procissão no alto da colina. São Jorge seja louvado.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Fome no mundo
Energia sempre foi problema no mundo. Quando, pela primeira vez, o barril de petróleo quebrou a barreira dos 20 dólares, parecia que a economia do mundo se transformaria num caos.
A busca de alternativas - energia eólica, bio-combustível, energia das marés são algumas das possibilidades.
Vamos pular para este ano: barril de petróleo a mais de 117 dólares. Austrália com 10 anos de seca, o que parece mudança climática. Guerras pelo mundo. Aumento de demanda por alimentos em países emergentes: China, Índia, Brasil.
O país que tem terras para aumentar produção agropecuária é o nosso. E muitas pastagens, que eram exploradas de forma intensiva, viram campo de produção agrícola, numa interação interessante com a pecuária. Com isso, via plantio direto, muitas áreas consideradas degradadas estão sendo recuperadas.
No fina da décaa de 70, alguns pesquisadores d Embrapa temiam que a cana, ocupando áreas antes usadas para plantio de alimentos, se tornasse vilã do desabastecimento. Isso não aconteceu. A agricultura se espalhou por outras terras e o Brasil, ano a ano, produz maiores quantidades de alimentos.
Só que há nações no mundo com fome.
Brasília teve o mérito de criar o país do interior. É este País que produz alimentos, fibras e energia, como propõem os líeres do agronegócio brasliero.
As críticas ao biocombustível são recentes e se tornam fortes porque o resto do mundo usa grãos para gerar energia. Além de tudo, os subsídios pagos são gigantescos, tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos.
Petróleo em alta, fertilizantes em alta. Custo de produção com aumento da ordem de 100%.
Inflação de alimento na Áfica da ordem de 40%.
Um relator a ONU considera crime contra a humanidade produzir biocombustíveis, em detrimento de lavouras que produzam comida.
O velho navio da produção gropecuária precisa ter seu curso alterado.
Brasil, celeiro do mundo. Só resta produzir para o mundo e deixar o povo daqui com fome. .
A busca de alternativas - energia eólica, bio-combustível, energia das marés são algumas das possibilidades.
Vamos pular para este ano: barril de petróleo a mais de 117 dólares. Austrália com 10 anos de seca, o que parece mudança climática. Guerras pelo mundo. Aumento de demanda por alimentos em países emergentes: China, Índia, Brasil.
O país que tem terras para aumentar produção agropecuária é o nosso. E muitas pastagens, que eram exploradas de forma intensiva, viram campo de produção agrícola, numa interação interessante com a pecuária. Com isso, via plantio direto, muitas áreas consideradas degradadas estão sendo recuperadas.
No fina da décaa de 70, alguns pesquisadores d Embrapa temiam que a cana, ocupando áreas antes usadas para plantio de alimentos, se tornasse vilã do desabastecimento. Isso não aconteceu. A agricultura se espalhou por outras terras e o Brasil, ano a ano, produz maiores quantidades de alimentos.
Só que há nações no mundo com fome.
Brasília teve o mérito de criar o país do interior. É este País que produz alimentos, fibras e energia, como propõem os líeres do agronegócio brasliero.
As críticas ao biocombustível são recentes e se tornam fortes porque o resto do mundo usa grãos para gerar energia. Além de tudo, os subsídios pagos são gigantescos, tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos.
Petróleo em alta, fertilizantes em alta. Custo de produção com aumento da ordem de 100%.
Inflação de alimento na Áfica da ordem de 40%.
Um relator a ONU considera crime contra a humanidade produzir biocombustíveis, em detrimento de lavouras que produzam comida.
O velho navio da produção gropecuária precisa ter seu curso alterado.
Brasil, celeiro do mundo. Só resta produzir para o mundo e deixar o povo daqui com fome. .
sábado, 12 de abril de 2008
Arnaldo Bloch, no segundo caderno de O GLOBO de 12/04/2008 escreve a crônica "Eu também sofri com a Ditadura". Aí vai um comentário:
É, o benefício pode ser dentro da lei, como salário de deputado, aumento da verba de gabinete, viagem para não sei onde, verba para município do aliado político e mais uns quinhentos picaretas que não consigo citar agora.
O benefício - este deveria ser o espírito da lei - era para proteger gente que perdeu pai, gente torturada, morta e combate.
Há um conselho que analisa os casos e aí mora o perigo.
Um milhão para este intelectual, outro milhão para aquele e o líder sindical de não sei onde, aleijado a pancada, quanto leva?
Prejuízo? Que prejuízo?
Será que esta gente dita de esquerda, moradora de Ipanema, transitando entre Paris e Nova Iorque, teve mesmo algum prejuízo com a repressão militar?
Acho que sim. O caruncho lhes comeu a vergonha, possível camada fina, que lhes enfeitava a cara de pau.
O que dói é que nós, cidadãos comuns, que ainda guardamos alguns nomes como ícones - verdadeiros comandantes - vamos perdendo, dia a dia, o respeito por uma gente que foi idolatrada - que massada.
Lutei na rua, senti o medo ao lado de Norma na Uruguaiana, vi o pavor nos olhos das pessoas nas passeatas, dormi muitas noites preparado para fugir pela lage dos fundos, briguei nos corredores da Nacional de Direito, ajudei a escrever ditadura na primeira página do Jornal do Commercio, para contrariedade de Moacyr Padilha, levei Milton Coelho e Milton Temer à loucura porque só queria saber de manifestação e fugia do trabalho, virei carrinho da telefônica na Rio Branco, apanhei na Faculdade de Medicina. participei de passeata relâmpago no centro da cidade, estava na primeira passeata feita pela contra-mão no miolo da cidade. Lógico, era soldado, não era general. Nem Wladimir, meu amigo de caco-livre, se lembra da minha cara.
Trabalhei, ganhei pouco dinheiro, porém nunca pensei em transformar os capítulos da luta que participei em grana.
Como bem diz você, eles têm todo direito de correr atrás do benefício oferecido.
Só que a nação dos soldados, dos operários, a multidão sem rosto, que está fora dos benefícios, ruge e espuma quando ouve uma história destas. Pena que esta gente realmente prejudicada nada pode fazer quando, em nome dos oprimidos, intelectuais bem sucedidos recebem recursos de uma nação empobrecida.
E o respeito que essas pessoas inspiravam vai se diluindo no copo transbordante dessa verba espúria e mal cheirosa que ganharam.
Depois vem o mar, o futebol, o rebolado da mulata e tudo se esquece.
E vou me sentindo cada vez mais sozinho, desconfiado das lideranças em que acreditei.
Estou triste, cronista, triste com toda a loucura deste país, exatamente quando está no governo gente que ajudei a eleger e em que acreditei em tempo de luta real.
É, o benefício pode ser dentro da lei, como salário de deputado, aumento da verba de gabinete, viagem para não sei onde, verba para município do aliado político e mais uns quinhentos picaretas que não consigo citar agora.
O benefício - este deveria ser o espírito da lei - era para proteger gente que perdeu pai, gente torturada, morta e combate.
Há um conselho que analisa os casos e aí mora o perigo.
Um milhão para este intelectual, outro milhão para aquele e o líder sindical de não sei onde, aleijado a pancada, quanto leva?
Prejuízo? Que prejuízo?
Será que esta gente dita de esquerda, moradora de Ipanema, transitando entre Paris e Nova Iorque, teve mesmo algum prejuízo com a repressão militar?
Acho que sim. O caruncho lhes comeu a vergonha, possível camada fina, que lhes enfeitava a cara de pau.
O que dói é que nós, cidadãos comuns, que ainda guardamos alguns nomes como ícones - verdadeiros comandantes - vamos perdendo, dia a dia, o respeito por uma gente que foi idolatrada - que massada.
Lutei na rua, senti o medo ao lado de Norma na Uruguaiana, vi o pavor nos olhos das pessoas nas passeatas, dormi muitas noites preparado para fugir pela lage dos fundos, briguei nos corredores da Nacional de Direito, ajudei a escrever ditadura na primeira página do Jornal do Commercio, para contrariedade de Moacyr Padilha, levei Milton Coelho e Milton Temer à loucura porque só queria saber de manifestação e fugia do trabalho, virei carrinho da telefônica na Rio Branco, apanhei na Faculdade de Medicina. participei de passeata relâmpago no centro da cidade, estava na primeira passeata feita pela contra-mão no miolo da cidade. Lógico, era soldado, não era general. Nem Wladimir, meu amigo de caco-livre, se lembra da minha cara.
Trabalhei, ganhei pouco dinheiro, porém nunca pensei em transformar os capítulos da luta que participei em grana.
Como bem diz você, eles têm todo direito de correr atrás do benefício oferecido.
Só que a nação dos soldados, dos operários, a multidão sem rosto, que está fora dos benefícios, ruge e espuma quando ouve uma história destas. Pena que esta gente realmente prejudicada nada pode fazer quando, em nome dos oprimidos, intelectuais bem sucedidos recebem recursos de uma nação empobrecida.
E o respeito que essas pessoas inspiravam vai se diluindo no copo transbordante dessa verba espúria e mal cheirosa que ganharam.
Depois vem o mar, o futebol, o rebolado da mulata e tudo se esquece.
E vou me sentindo cada vez mais sozinho, desconfiado das lideranças em que acreditei.
Estou triste, cronista, triste com toda a loucura deste país, exatamente quando está no governo gente que ajudei a eleger e em que acreditei em tempo de luta real.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Pede para sair
E o reitor da UnB pediu para sair.
Na verdade, foi corrido pelos estudantes e pela ação do MP.
Roubar comida de índio, comprar lixeira de mil reais,
deixar a universidade caindo aos cacos não fazem parte do decoro do cargo de reitor.
Pelo jeito, este reitor cara de pau só quer luxo. Grana no bolso.
O ensino? Já dizia a ministra - é detalhe.
Na saída, tinha que ser humilhado, escrachado, punido. Como no filme. Pede para sair e apanha.Mas não. O cara sai, fica no apartamentão, continua no luxo.
Sei não, gosto de Deus,
mas acho que, às vezes, os chineses têm razão. Bala na nuca. E o infeliz ainda paga a bala.
Mas aqui, ele vai parar numa CPI, será perdoado e, como prêmio de consolação, pode ganhar uma embaixada na Europa.
Devia ser deportado para o inferno, com aquela cara de pau irritante.
Na verdade, foi corrido pelos estudantes e pela ação do MP.
Roubar comida de índio, comprar lixeira de mil reais,
deixar a universidade caindo aos cacos não fazem parte do decoro do cargo de reitor.
Pelo jeito, este reitor cara de pau só quer luxo. Grana no bolso.
O ensino? Já dizia a ministra - é detalhe.
Na saída, tinha que ser humilhado, escrachado, punido. Como no filme. Pede para sair e apanha.Mas não. O cara sai, fica no apartamentão, continua no luxo.
Sei não, gosto de Deus,
mas acho que, às vezes, os chineses têm razão. Bala na nuca. E o infeliz ainda paga a bala.
Mas aqui, ele vai parar numa CPI, será perdoado e, como prêmio de consolação, pode ganhar uma embaixada na Europa.
Devia ser deportado para o inferno, com aquela cara de pau irritante.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Mundo fora do eixo
Que esse mundo sempre foi meio louco, eu sempre soube. Pode ser que as coisas acontecessem mais escondidas - circunscritas às regiões onde ocorriam. Sei também que as pessoas eram mais responsáveis: menino respeitava advertência do mais velho. A garotada corria de gente mais velha, quando fazia arte.
Hoje, muita coisa mudou. Todo dia tem um maluco fazendo sexo com criança, tem uma criança assassinada ou um velho sendo agredido no vídeo. A última vem dos Estados Unidos: meninas trancaram uma colega e a espancaram. O motivo seria apenas a confecção de um vídeo. O caso só veio à tona porque uma das participantes resolveu denunciar.
Por aqui, a polícia, normalmente morosa em suas investigações, fica acesa e age rápido quando a mídia dá destaque ao fato. Os demais inquéritos que esperem. É só ver o caso da menina, morta em São Paulo: todo dia tem novidade. As ações são dignas de filme policial. A tecnologia de investigação, neste caso, é coisa de primeiro mundo.
Ontem, numa conversa, me lembrei do dia em que adverti um garoto que riscava o banco de um ônibus, n trecho entre Araruama e Rio. Resposta:
Eu tenho meus direitos!!! enfático, certo da impunidade.
Assim segue: temos direitos, o estado é omisso na regulação de direitos e deveres. Cada um pensa eu seu direito, o próximo que se dane. O dever? Vamos escapar, sonegando impostos, sujando as ruas, invadindo espaços públicos, destruindo calçadas.
Nessa linha - mudando o assunto - estão os empresários de ônibus. Em Niterói, no trecho entre Pendotiba e o Centro, as vans sumiram por causa da repressão. Com isso, os passageiros passaram a ser a mercadoria garantida que as empresas querem. São obrigados a esperar no ponto e, depois, a viajar em ônibus lotados.
Há ônibus especiais que cobram caro pelo conforto, mas enchem os corredores de gente.
Depois ninguém sabe porque há cada vez mais gente usando o carro. É óbvio: se o transporte público é um inferno, vamos enfrentar o inferno dos engarrafamentos.
E o poder público, o que diz?
Ah, realiza reuniões, estudos, faz banco de dados, coleta informações mas é incapaz de atitudes concretas para reduzir o número de veículos em circulação. O transporte público é da pior qualidade e a poluição dos motores nos mata um pouco a cada dia.
Para terminar: um juiz, dizem que vindo da região norte, conseguiu legalizar um sítio de muitos alqueires em Praia Seca. Com isso, construiu um muro e impede a passagem de pessoas pela orla. Só é possível passar pela areia.
Ninguém - entre as competentes autoridades - vê o muro que, aliás, é construído junto a outra aberração: um conjunto de casas que - dizem - ajudou a vida de muito fiscal.
Se um juiz pode construir um muro agressivo numa área de preservação, que tenho eu que advertir o menino que danifica o banco do ônibus?
É um mundo girando fora do eixo.
Tião Freitas
Hoje, muita coisa mudou. Todo dia tem um maluco fazendo sexo com criança, tem uma criança assassinada ou um velho sendo agredido no vídeo. A última vem dos Estados Unidos: meninas trancaram uma colega e a espancaram. O motivo seria apenas a confecção de um vídeo. O caso só veio à tona porque uma das participantes resolveu denunciar.
Por aqui, a polícia, normalmente morosa em suas investigações, fica acesa e age rápido quando a mídia dá destaque ao fato. Os demais inquéritos que esperem. É só ver o caso da menina, morta em São Paulo: todo dia tem novidade. As ações são dignas de filme policial. A tecnologia de investigação, neste caso, é coisa de primeiro mundo.
Ontem, numa conversa, me lembrei do dia em que adverti um garoto que riscava o banco de um ônibus, n trecho entre Araruama e Rio. Resposta:
Eu tenho meus direitos!!! enfático, certo da impunidade.
Assim segue: temos direitos, o estado é omisso na regulação de direitos e deveres. Cada um pensa eu seu direito, o próximo que se dane. O dever? Vamos escapar, sonegando impostos, sujando as ruas, invadindo espaços públicos, destruindo calçadas.
Nessa linha - mudando o assunto - estão os empresários de ônibus. Em Niterói, no trecho entre Pendotiba e o Centro, as vans sumiram por causa da repressão. Com isso, os passageiros passaram a ser a mercadoria garantida que as empresas querem. São obrigados a esperar no ponto e, depois, a viajar em ônibus lotados.
Há ônibus especiais que cobram caro pelo conforto, mas enchem os corredores de gente.
Depois ninguém sabe porque há cada vez mais gente usando o carro. É óbvio: se o transporte público é um inferno, vamos enfrentar o inferno dos engarrafamentos.
E o poder público, o que diz?
Ah, realiza reuniões, estudos, faz banco de dados, coleta informações mas é incapaz de atitudes concretas para reduzir o número de veículos em circulação. O transporte público é da pior qualidade e a poluição dos motores nos mata um pouco a cada dia.
Para terminar: um juiz, dizem que vindo da região norte, conseguiu legalizar um sítio de muitos alqueires em Praia Seca. Com isso, construiu um muro e impede a passagem de pessoas pela orla. Só é possível passar pela areia.
Ninguém - entre as competentes autoridades - vê o muro que, aliás, é construído junto a outra aberração: um conjunto de casas que - dizem - ajudou a vida de muito fiscal.
Se um juiz pode construir um muro agressivo numa área de preservação, que tenho eu que advertir o menino que danifica o banco do ônibus?
É um mundo girando fora do eixo.
Tião Freitas
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Banco de dados
Eufemismo?
Se houve malversação de dinheiro público, por que o PT não denunciou antes?
Ninguém aguenta mais: é cartão corporativo, é a festa da dengue, é o trânsito infernal, é a violência nas favelas, onde o poder paralelo está confortavelmente instalado. E que duvida que esse dinheiro marginal sustente campanhas políticas?
No Rio, a mamata foi tão grande que teve gente cassada.
Tropa de elite tem um grande mérito: mostra como política, repressão e corrupção andam encangadas, tracionando a incúria administrativa.
A gente vota no PT, pensando num país melhor, administrada por gente séria!! Que mico.
É um tal de gente arrumando um jeito de ganhar grana, que o tal dossiê mais parece brincadeira.
De outro lado, há quem tenha melhorado de vida, entendendo-se melhora como ampliação do consumo, porque saúde, educação, transporte público são itens que não fazem parte dos itens que apresentem evolução.
E o ministro Marco Aurélio não quer propaganda política n Internet...
Se houve malversação de dinheiro público, por que o PT não denunciou antes?
Ninguém aguenta mais: é cartão corporativo, é a festa da dengue, é o trânsito infernal, é a violência nas favelas, onde o poder paralelo está confortavelmente instalado. E que duvida que esse dinheiro marginal sustente campanhas políticas?
No Rio, a mamata foi tão grande que teve gente cassada.
Tropa de elite tem um grande mérito: mostra como política, repressão e corrupção andam encangadas, tracionando a incúria administrativa.
A gente vota no PT, pensando num país melhor, administrada por gente séria!! Que mico.
É um tal de gente arrumando um jeito de ganhar grana, que o tal dossiê mais parece brincadeira.
De outro lado, há quem tenha melhorado de vida, entendendo-se melhora como ampliação do consumo, porque saúde, educação, transporte público são itens que não fazem parte dos itens que apresentem evolução.
E o ministro Marco Aurélio não quer propaganda política n Internet...
quinta-feira, 27 de março de 2008
Inquérito
Hoje, exatamente hoje, fazem sete meses que meu pai faleceu. Logo depois, entrei com pedido de apuração do que ocorrera, no MP de Araruama, suspeitando de que a morte foi causada por erro médico.
Inquérito vai, inquérito vem e apenas um médico - entre os muitos nomes apontados - foi ouvido.
A primeira equipe da DP, que mostrou certo interesse, foi substituída. Conta-se que essa equipe estava contrariando interesses locais. Não sei, mas é bem possível.
No caso da denúncia que fiz, o fato aconteceu no HC Lagos, um hospital bonito em Araruama, mas onde outros "acidentes" têm acontecido.
Se a mídia tivesse interesse, certamente o ritmo seria diferente.
Agora,só nos resta esperar. Os médicos mudaram a dieta de meu pai, porque ele não podia bronco-aspirar. Com isso, ele enfraqueceu - logo ele que vinha superando o diagnóstico de que não voltaria a andar.
Fraco, sem comida, precisou de uma sonda. E a sonda arrebentou um vaso dentro do nariz de meu pai. Ele bronco-aspirou - está no atestado de óbito - e veio a falecer por problemas cardíacos, agravados pelo esforço a que se submeteu após a entubação.
Se isso é cuidar, seria melhor que ele tivesse ficado em casa, comendo o que queria, para morrer junto ao mar que ele tanto amava.
Meu peito dói até hoje, quando penso que o deixei internado naquela espelunca. Bem que ele disse que o estavam mantando. Era verdade.
Inquérito vai, inquérito vem e apenas um médico - entre os muitos nomes apontados - foi ouvido.
A primeira equipe da DP, que mostrou certo interesse, foi substituída. Conta-se que essa equipe estava contrariando interesses locais. Não sei, mas é bem possível.
No caso da denúncia que fiz, o fato aconteceu no HC Lagos, um hospital bonito em Araruama, mas onde outros "acidentes" têm acontecido.
Se a mídia tivesse interesse, certamente o ritmo seria diferente.
Agora,só nos resta esperar. Os médicos mudaram a dieta de meu pai, porque ele não podia bronco-aspirar. Com isso, ele enfraqueceu - logo ele que vinha superando o diagnóstico de que não voltaria a andar.
Fraco, sem comida, precisou de uma sonda. E a sonda arrebentou um vaso dentro do nariz de meu pai. Ele bronco-aspirou - está no atestado de óbito - e veio a falecer por problemas cardíacos, agravados pelo esforço a que se submeteu após a entubação.
Se isso é cuidar, seria melhor que ele tivesse ficado em casa, comendo o que queria, para morrer junto ao mar que ele tanto amava.
Meu peito dói até hoje, quando penso que o deixei internado naquela espelunca. Bem que ele disse que o estavam mantando. Era verdade.
terça-feira, 18 de março de 2008
Contradição
O Globo Rural do último domingo mostrou uma fazenda que é, no mínimo, uma contradição: trata-se de um empreendimento americano, com fazendas nos Estados Unidos, Brasil e México, todas com preocupação social.
A fazenda do nordeste assina a carteira de todos os empregados, tem escola e lazer para todos, prncipalmente para as crianças.
Além disso, todas as plantações e criações são feitas dentro do princípio da biodinâmica, portanto sem o uso de defensivos agrícolas e de adubos químicos.
Caridade? Não. Empreendimento capitalista que dá lucro.
Alimentação, saúde, alfabetização de adultos, parceira com assentados - enfim, a busca do lucro com consciência social.
Ou seja, é possível, sim, produzir no nordeste garantindo a boa qualidade de vida do trabalhador e obter lucro com criações e fruticultura. É uma boa lição para quem pensa no nordeste com um interminável curral eleitoral.
Vale a pena ver a matéria no site do Globo Rural.
A fazenda do nordeste assina a carteira de todos os empregados, tem escola e lazer para todos, prncipalmente para as crianças.
Além disso, todas as plantações e criações são feitas dentro do princípio da biodinâmica, portanto sem o uso de defensivos agrícolas e de adubos químicos.
Caridade? Não. Empreendimento capitalista que dá lucro.
Alimentação, saúde, alfabetização de adultos, parceira com assentados - enfim, a busca do lucro com consciência social.
Ou seja, é possível, sim, produzir no nordeste garantindo a boa qualidade de vida do trabalhador e obter lucro com criações e fruticultura. É uma boa lição para quem pensa no nordeste com um interminável curral eleitoral.
Vale a pena ver a matéria no site do Globo Rural.
sábado, 15 de março de 2008
Poluição
A água da lagoa de Araruama vai melhorando. Os pequenos peixes voltaram. Ainda bem. Da última vez que estivemos lá, uma incrível espuma cobriu o caiaque. Algas? Detergente?
A única vatagem é que a gente sabe que ainda não temos poluição por metais pesados, como acontece na baía de Guanabara, onde os detritos das fábricas se aliam ao esgoto in natura para completar o quadro de degradação do meio ambiente.
A baía tem programa de despoluição - eu fiz até um curso sobre meio ambiente por conta do Programa - mas as atitudes concretas são muito poucas.
Fica a pergunta: o que adianta morar perto do mar, se as praias boas para banho estão cada vez mais longe?
E como as comunidades urbanas crescem em todo o Brasil, num show permanente de esgotos, onde será possível, nos próximos anos, achar uma praia limpa?
A única vatagem é que a gente sabe que ainda não temos poluição por metais pesados, como acontece na baía de Guanabara, onde os detritos das fábricas se aliam ao esgoto in natura para completar o quadro de degradação do meio ambiente.
A baía tem programa de despoluição - eu fiz até um curso sobre meio ambiente por conta do Programa - mas as atitudes concretas são muito poucas.
Fica a pergunta: o que adianta morar perto do mar, se as praias boas para banho estão cada vez mais longe?
E como as comunidades urbanas crescem em todo o Brasil, num show permanente de esgotos, onde será possível, nos próximos anos, achar uma praia limpa?
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Trânsito e barranco
Trânsito
Maria José me pergunta o que acho da proibição de venda de bebida nas estradas. Não consigo ser contra. Acho que posto de gasolina, então, não é lugar para venda de bebidas. As lojas de conveniência que me desculpem.
Agora, acho que é preciso reprimir - e com rigor - o consumo. Se alguém compra cerveja, coloca no carro e vai embora, tudo bem. Terrível é ver a pessoa parar para abastecer e abrir uma lata de cerveja. Nessa hora, penso que é preciso reprimir pesado.
O bafômetro quer ser uma ferramenta popular, para que as pessoas avaliem o quanto de álcool têm no sangue, mesmo sem dirigir.
Beto me chama atenção para o fato de que a repressão, nas estradas federais, ter sido intensificada. O número de multas aumentou. E o de acidentes diminuiu.
A presença do policial de trânsito é fundamental. O imbecil que se sente dono do mundo porque tem um carro, precisa acordar para a vida, para o cuidado com a vida, se não a dele, a dos outros.
Estamos numa civilização de direitos. Deveres não são mencionados. Há uma sociedade que se mexe à margem da lei e um Estado que faz de contra que aplica o norma contida no diploma legal.
Porém não há polícia nas ruas. Saí de Praia Seca para São Gonçalo - rodovia estadual - sem encontrar policiais de trânsito. Duas coisas são certas: Há muita gente dirigindo com mais prudência, porém há um grupo capaz de qualquer imprudência. Tem gente que acha que dirigir em estrada admite as ousadias do trânsito urbano. Os resultados não são agradáveis.
Hoje, dia de desfile de Escolas de Samba no Rio, a cidade foi toda orientada para o desfile. O inferno estava completo às 17h, sem que se pudesse saber com atravessar da zona norte para o largo do Machado. O remédio foi atingir o cais do porto, para chegar ao Centro. É o jogo para mídia: muita informação para quem queria carnaval e nenhuma para o cidadão que só queria viver a vida normal. Guardas municipais fechavam as ruas. E não informavam sobre roteiros alternativos.
Tudo é assim: problemas resolvidos aos pedaços. Jogo de cena para criar imagem. O fiscal sabe do prédio construído em área proibida. Nada faz. A propina facilita construções em áreas de preservação. Depois, quando caos acontece, políticos aparecem com soluções mirabolantes.
Mas o barranco vai cair na próxima tempestade. E o administrador vai se mostrar surpreso, como se jamais soubesse dos problemas.
A dor só dói em quem perde tudo, até mesmo a vida.
Maria José me pergunta o que acho da proibição de venda de bebida nas estradas. Não consigo ser contra. Acho que posto de gasolina, então, não é lugar para venda de bebidas. As lojas de conveniência que me desculpem.
Agora, acho que é preciso reprimir - e com rigor - o consumo. Se alguém compra cerveja, coloca no carro e vai embora, tudo bem. Terrível é ver a pessoa parar para abastecer e abrir uma lata de cerveja. Nessa hora, penso que é preciso reprimir pesado.
O bafômetro quer ser uma ferramenta popular, para que as pessoas avaliem o quanto de álcool têm no sangue, mesmo sem dirigir.
Beto me chama atenção para o fato de que a repressão, nas estradas federais, ter sido intensificada. O número de multas aumentou. E o de acidentes diminuiu.
A presença do policial de trânsito é fundamental. O imbecil que se sente dono do mundo porque tem um carro, precisa acordar para a vida, para o cuidado com a vida, se não a dele, a dos outros.
Estamos numa civilização de direitos. Deveres não são mencionados. Há uma sociedade que se mexe à margem da lei e um Estado que faz de contra que aplica o norma contida no diploma legal.
Porém não há polícia nas ruas. Saí de Praia Seca para São Gonçalo - rodovia estadual - sem encontrar policiais de trânsito. Duas coisas são certas: Há muita gente dirigindo com mais prudência, porém há um grupo capaz de qualquer imprudência. Tem gente que acha que dirigir em estrada admite as ousadias do trânsito urbano. Os resultados não são agradáveis.
Hoje, dia de desfile de Escolas de Samba no Rio, a cidade foi toda orientada para o desfile. O inferno estava completo às 17h, sem que se pudesse saber com atravessar da zona norte para o largo do Machado. O remédio foi atingir o cais do porto, para chegar ao Centro. É o jogo para mídia: muita informação para quem queria carnaval e nenhuma para o cidadão que só queria viver a vida normal. Guardas municipais fechavam as ruas. E não informavam sobre roteiros alternativos.
Tudo é assim: problemas resolvidos aos pedaços. Jogo de cena para criar imagem. O fiscal sabe do prédio construído em área proibida. Nada faz. A propina facilita construções em áreas de preservação. Depois, quando caos acontece, políticos aparecem com soluções mirabolantes.
Mas o barranco vai cair na próxima tempestade. E o administrador vai se mostrar surpreso, como se jamais soubesse dos problemas.
A dor só dói em quem perde tudo, até mesmo a vida.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
E o carnaval terminou.
Já gostei de carnaval.No tempo da Ed. Abril, cobri a festa para a revista Intervalo - uma revista voltada para programas de tv. E tive um mestre interessante: Albino Pinheiro. Nesse tempo, os desfiles aconteciam na Av. Presidente Vargas, em frente à Candelária.
Tempo passa, a gente muda a vida - melhor, a vida muda a gente, parece água de enchente, batendo com a gente por todo canto - e carnaval ficou longe dos meus pés, das minhas pernas que não aguentam mais dançar.
Carnaval, apesar da chuva, foi de praia, no mar gostoso de Praia Seca.Não adianta praga de médico - vai torcer a perna - continuo gostando das ondas, apesar do medo da praga.
Carnaval de estrada cheia, noticiário de acidentes, de muita imprudência: alta velociade, ultrapassagens imprudentes.
Mas o carnaval das placas de trânsito não terminou. Em Niterói, o radar limita a velocidade em 60 km. Logo a seguir, tem uma placa de 40 km.
Entre Niterói e Araruama tem radar de 80, de 70, de 60 e de 50. Uma festa. Concordo que o limitador de velocidade tem sua função, mas eu só queria entender o critério, mas nada.
Fico imaginando:
- Olha, o estoque de placas de 30 está muito grande.
- Faz o seguinte: semeia todas elas na Caetano Monteiro.
A estrada Caetano Monteiro, em Niterói, tem sinal com radar de 40 logo após uma curva. E placas de 30. Isso em pista dupla, em lugar de densidade populacional relativamente baixa.
E a festa da popuição visual?
Motorista precisa ver placa de trânsito. Tem placa de venda de esterco, de churrascaria, de material de construção e até de "bala-ostra", a nova denominação de balaustre.
Polícia de trânsito?
Tá brincando? Quem disse que o carnaval acabou?
Já gostei de carnaval.No tempo da Ed. Abril, cobri a festa para a revista Intervalo - uma revista voltada para programas de tv. E tive um mestre interessante: Albino Pinheiro. Nesse tempo, os desfiles aconteciam na Av. Presidente Vargas, em frente à Candelária.
Tempo passa, a gente muda a vida - melhor, a vida muda a gente, parece água de enchente, batendo com a gente por todo canto - e carnaval ficou longe dos meus pés, das minhas pernas que não aguentam mais dançar.
Carnaval, apesar da chuva, foi de praia, no mar gostoso de Praia Seca.Não adianta praga de médico - vai torcer a perna - continuo gostando das ondas, apesar do medo da praga.
Carnaval de estrada cheia, noticiário de acidentes, de muita imprudência: alta velociade, ultrapassagens imprudentes.
Mas o carnaval das placas de trânsito não terminou. Em Niterói, o radar limita a velocidade em 60 km. Logo a seguir, tem uma placa de 40 km.
Entre Niterói e Araruama tem radar de 80, de 70, de 60 e de 50. Uma festa. Concordo que o limitador de velocidade tem sua função, mas eu só queria entender o critério, mas nada.
Fico imaginando:
- Olha, o estoque de placas de 30 está muito grande.
- Faz o seguinte: semeia todas elas na Caetano Monteiro.
A estrada Caetano Monteiro, em Niterói, tem sinal com radar de 40 logo após uma curva. E placas de 30. Isso em pista dupla, em lugar de densidade populacional relativamente baixa.
E a festa da popuição visual?
Motorista precisa ver placa de trânsito. Tem placa de venda de esterco, de churrascaria, de material de construção e até de "bala-ostra", a nova denominação de balaustre.
Polícia de trânsito?
Tá brincando? Quem disse que o carnaval acabou?
Tião Freitas, 8/02/2008
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Dia 2. Janeiro. 2008. Começa mais um ano. Venho de Praia Seca via Espraiado. Água doce, cachoeira de pouca queda, depois de dias de mar e lagoa. Água, muita água, caiaque na lagoa, água gelada de mar.
Ausência de meu pai. Ausência de Jorge Dantas. Presença de irmãos. prima, amigos. Fim de ano de fartura, uns quilos a mais, mas a bebida não me tirou do sério.
Natal de presépio na copa, Natal de obras para manter a casa em pé. Obras necessárias para evitar progressos de rachadura na parede.
Almoço de Natal, depois viagem para Praia Seca. Dias de lazer, sem compromisso.
Final de ano diferente, como menos trabalho, abertura de tempo para aproveitar a praia.A gente gosta do mar e acaba aproveitando pouco a praia.
Vida diferente. Casal órfão. Filhos distantes - apenas Felipe está por perto.
Cabeça que se pergunta o sentido da vida, do trabalho, do lazer.
Sítio que não rende, precisa ser construído todo dia.
Cabras. Mais cabras.
Cavalos. E a gente quer racionalizar custos.
Cabeça branca, coluna estragada, coração quebrado. Assim mesmo, não quero desisitir.
Procuro Deus e acho paz na capela inaugurada dia 8 de ezembro de 2007.
Amigos. Poucos amigos. E avida segue em novo ano, enfrentando poeira calor, dívidas, obras, carro, oficina e a leitura de Guimarães Rosa.
Meta: continuar vivo e achar sempre um jeito de trabalhar, de participar da vida. Nem que seja no silêncio do sítio, onde o leite de cabra começa a ser realidade.
Ausência de meu pai. Ausência de Jorge Dantas. Presença de irmãos. prima, amigos. Fim de ano de fartura, uns quilos a mais, mas a bebida não me tirou do sério.
Natal de presépio na copa, Natal de obras para manter a casa em pé. Obras necessárias para evitar progressos de rachadura na parede.
Almoço de Natal, depois viagem para Praia Seca. Dias de lazer, sem compromisso.
Final de ano diferente, como menos trabalho, abertura de tempo para aproveitar a praia.A gente gosta do mar e acaba aproveitando pouco a praia.
Vida diferente. Casal órfão. Filhos distantes - apenas Felipe está por perto.
Cabeça que se pergunta o sentido da vida, do trabalho, do lazer.
Sítio que não rende, precisa ser construído todo dia.
Cabras. Mais cabras.
Cavalos. E a gente quer racionalizar custos.
Cabeça branca, coluna estragada, coração quebrado. Assim mesmo, não quero desisitir.
Procuro Deus e acho paz na capela inaugurada dia 8 de ezembro de 2007.
Amigos. Poucos amigos. E avida segue em novo ano, enfrentando poeira calor, dívidas, obras, carro, oficina e a leitura de Guimarães Rosa.
Meta: continuar vivo e achar sempre um jeito de trabalhar, de participar da vida. Nem que seja no silêncio do sítio, onde o leite de cabra começa a ser realidade.
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