quinta-feira, 24 de abril de 2008



São Jorge

Alto do Rebentão, Engenho do Roçado, São Gonçalo. A capela fica no alto, a imagem é colocada sobre o carro e os cavaleiros a seguem.Todo ano tem procissão, sempre no dia 23, dia de São Jorge. Dois quilômetros de estrada íngreme, este ano bastante prejudicada pela chuva constante. Sorte que o dia foi de sol e o carro conseguiu vencer a ladeira.
Muitos cavaleiros, dos mais simples aos que montam os grandes campolinas.
A foto é do alto, mostrando parte de São Gonçalo - uma região ainda verde - e Niterói, com a serra da Tiririca ao fundo.
Fé. Apenas isto. Sem sacerdote, só cavaleiros e muita gente subindo a pé, seja para rezar, seja para buscar uma flor do andor do santo, seja para curtir a paisagem.
É o nosso jeito de conversar com Deus, nessa paisagem bonita, com o encerrar da procissão no alto da colina. São Jorge seja louvado.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Fome no mundo

Energia sempre foi problema no mundo. Quando, pela primeira vez, o barril de petróleo quebrou a barreira dos 20 dólares, parecia que a economia do mundo se transformaria num caos.
A busca de alternativas - energia eólica, bio-combustível, energia das marés são algumas das possibilidades.
Vamos pular para este ano: barril de petróleo a mais de 117 dólares. Austrália com 10 anos de seca, o que parece mudança climática. Guerras pelo mundo. Aumento de demanda por alimentos em países emergentes: China, Índia, Brasil.
O país que tem terras para aumentar produção agropecuária é o nosso. E muitas pastagens, que eram exploradas de forma intensiva, viram campo de produção agrícola, numa interação interessante com a pecuária. Com isso, via plantio direto, muitas áreas consideradas degradadas estão sendo recuperadas.
No fina da décaa de 70, alguns pesquisadores d Embrapa temiam que a cana, ocupando áreas antes usadas para plantio de alimentos, se tornasse vilã do desabastecimento. Isso não aconteceu. A agricultura se espalhou por outras terras e o Brasil, ano a ano, produz maiores quantidades de alimentos.
Só que há nações no mundo com fome.
Brasília teve o mérito de criar o país do interior. É este País que produz alimentos, fibras e energia, como propõem os líeres do agronegócio brasliero.
As críticas ao biocombustível são recentes e se tornam fortes porque o resto do mundo usa grãos para gerar energia. Além de tudo, os subsídios pagos são gigantescos, tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos.
Petróleo em alta, fertilizantes em alta. Custo de produção com aumento da ordem de 100%.
Inflação de alimento na Áfica da ordem de 40%.
Um relator a ONU considera crime contra a humanidade produzir biocombustíveis, em detrimento de lavouras que produzam comida.
O velho navio da produção gropecuária precisa ter seu curso alterado.
Brasil, celeiro do mundo. Só resta produzir para o mundo e deixar o povo daqui com fome. .

sábado, 12 de abril de 2008

Arnaldo Bloch, no segundo caderno de O GLOBO de 12/04/2008 escreve a crônica "Eu também sofri com a Ditadura". Aí vai um comentário:
É, o benefício pode ser dentro da lei, como salário de deputado, aumento da verba de gabinete, viagem para não sei onde, verba para município do aliado político e mais uns quinhentos picaretas que não consigo citar agora.
O benefício - este deveria ser o espírito da lei - era para proteger gente que perdeu pai, gente torturada, morta e combate.
Há um conselho que analisa os casos e aí mora o perigo.
Um milhão para este intelectual, outro milhão para aquele e o líder sindical de não sei onde, aleijado a pancada, quanto leva?
Prejuízo? Que prejuízo?
Será que esta gente dita de esquerda, moradora de Ipanema, transitando entre Paris e Nova Iorque, teve mesmo algum prejuízo com a repressão militar?
Acho que sim. O caruncho lhes comeu a vergonha, possível camada fina, que lhes enfeitava a cara de pau.
O que dói é que nós, cidadãos comuns, que ainda guardamos alguns nomes como ícones - verdadeiros comandantes - vamos perdendo, dia a dia, o respeito por uma gente que foi idolatrada - que massada.
Lutei na rua, senti o medo ao lado de Norma na Uruguaiana, vi o pavor nos olhos das pessoas nas passeatas, dormi muitas noites preparado para fugir pela lage dos fundos, briguei nos corredores da Nacional de Direito, ajudei a escrever ditadura na primeira página do Jornal do Commercio, para contrariedade de Moacyr Padilha, levei Milton Coelho e Milton Temer à loucura porque só queria saber de manifestação e fugia do trabalho, virei carrinho da telefônica na Rio Branco, apanhei na Faculdade de Medicina. participei de passeata relâmpago no centro da cidade, estava na primeira passeata feita pela contra-mão no miolo da cidade. Lógico, era soldado, não era general. Nem Wladimir, meu amigo de caco-livre, se lembra da minha cara.
Trabalhei, ganhei pouco dinheiro, porém nunca pensei em transformar os capítulos da luta que participei em grana.
Como bem diz você, eles têm todo direito de correr atrás do benefício oferecido.
Só que a nação dos soldados, dos operários, a multidão sem rosto, que está fora dos benefícios, ruge e espuma quando ouve uma história destas. Pena que esta gente realmente prejudicada nada pode fazer quando, em nome dos oprimidos, intelectuais bem sucedidos recebem recursos de uma nação empobrecida.
E o respeito que essas pessoas inspiravam vai se diluindo no copo transbordante dessa verba espúria e mal cheirosa que ganharam.
Depois vem o mar, o futebol, o rebolado da mulata e tudo se esquece.
E vou me sentindo cada vez mais sozinho, desconfiado das lideranças em que acreditei.
Estou triste, cronista, triste com toda a loucura deste país, exatamente quando está no governo gente que ajudei a eleger e em que acreditei em tempo de luta real.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Pede para sair

E o reitor da UnB pediu para sair.
Na verdade, foi corrido pelos estudantes e pela ação do MP.
Roubar comida de índio, comprar lixeira de mil reais,
deixar a universidade caindo aos cacos não fazem parte do decoro do cargo de reitor.
Pelo jeito, este reitor cara de pau só quer luxo. Grana no bolso.
O ensino? Já dizia a ministra - é detalhe.
Na saída, tinha que ser humilhado, escrachado, punido. Como no filme. Pede para sair e apanha.Mas não. O cara sai, fica no apartamentão, continua no luxo.
Sei não, gosto de Deus,
mas acho que, às vezes, os chineses têm razão. Bala na nuca. E o infeliz ainda paga a bala.
Mas aqui, ele vai parar numa CPI, será perdoado e, como prêmio de consolação, pode ganhar uma embaixada na Europa.
Devia ser deportado para o inferno, com aquela cara de pau irritante.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mundo fora do eixo

Que esse mundo sempre foi meio louco, eu sempre soube. Pode ser que as coisas acontecessem mais escondidas - circunscritas às regiões onde ocorriam. Sei também que as pessoas eram mais responsáveis: menino respeitava advertência do mais velho. A garotada corria de gente mais velha, quando fazia arte.
Hoje, muita coisa mudou. Todo dia tem um maluco fazendo sexo com criança, tem uma criança assassinada ou um velho sendo agredido no vídeo. A última vem dos Estados Unidos: meninas trancaram uma colega e a espancaram. O motivo seria apenas a confecção de um vídeo. O caso só veio à tona porque uma das participantes resolveu denunciar.
Por aqui, a polícia, normalmente morosa em suas investigações, fica acesa e age rápido quando a mídia dá destaque ao fato. Os demais inquéritos que esperem. É só ver o caso da menina, morta em São Paulo: todo dia tem novidade. As ações são dignas de filme policial. A tecnologia de investigação, neste caso, é coisa de primeiro mundo.
Ontem, numa conversa, me lembrei do dia em que adverti um garoto que riscava o banco de um ônibus, n trecho entre Araruama e Rio. Resposta:
Eu tenho meus direitos!!! enfático, certo da impunidade.
Assim segue: temos direitos, o estado é omisso na regulação de direitos e deveres. Cada um pensa eu seu direito, o próximo que se dane. O dever? Vamos escapar, sonegando impostos, sujando as ruas, invadindo espaços públicos, destruindo calçadas.
Nessa linha - mudando o assunto - estão os empresários de ônibus. Em Niterói, no trecho entre Pendotiba e o Centro, as vans sumiram por causa da repressão. Com isso, os passageiros passaram a ser a mercadoria garantida que as empresas querem. São obrigados a esperar no ponto e, depois, a viajar em ônibus lotados.
Há ônibus especiais que cobram caro pelo conforto, mas enchem os corredores de gente.
Depois ninguém sabe porque há cada vez mais gente usando o carro. É óbvio: se o transporte público é um inferno, vamos enfrentar o inferno dos engarrafamentos.
E o poder público, o que diz?
Ah, realiza reuniões, estudos, faz banco de dados, coleta informações mas é incapaz de atitudes concretas para reduzir o número de veículos em circulação. O transporte público é da pior qualidade e a poluição dos motores nos mata um pouco a cada dia.
Para terminar: um juiz, dizem que vindo da região norte, conseguiu legalizar um sítio de muitos alqueires em Praia Seca. Com isso, construiu um muro e impede a passagem de pessoas pela orla. Só é possível passar pela areia.
Ninguém - entre as competentes autoridades - vê o muro que, aliás, é construído junto a outra aberração: um conjunto de casas que - dizem - ajudou a vida de muito fiscal.
Se um juiz pode construir um muro agressivo numa área de preservação, que tenho eu que advertir o menino que danifica o banco do ônibus?
É um mundo girando fora do eixo.
Tião Freitas

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Banco de dados

Eufemismo?
Se houve malversação de dinheiro público, por que o PT não denunciou antes?
Ninguém aguenta mais: é cartão corporativo, é a festa da dengue, é o trânsito infernal, é a violência nas favelas, onde o poder paralelo está confortavelmente instalado. E que duvida que esse dinheiro marginal sustente campanhas políticas?
No Rio, a mamata foi tão grande que teve gente cassada.
Tropa de elite tem um grande mérito: mostra como política, repressão e corrupção andam encangadas, tracionando a incúria administrativa.
A gente vota no PT, pensando num país melhor, administrada por gente séria!! Que mico.
É um tal de gente arrumando um jeito de ganhar grana, que o tal dossiê mais parece brincadeira.
De outro lado, há quem tenha melhorado de vida, entendendo-se melhora como ampliação do consumo, porque saúde, educação, transporte público são itens que não fazem parte dos itens que apresentem evolução.
E o ministro Marco Aurélio não quer propaganda política n Internet...