quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Deboche e voto

O sorriso do bandido, o adeusinho na frenta da câmera foi um deboche. Mais deboche quando os policiais encontraram corpos carbonizados, ainda fumaçando, como se fosse o resto de um churrasco macabro.
Enquanto o Estado investe em segurança para transportar o bandido, ele e outros formam um comando e determinam mortes nos pontos de droga.
Bandidos fecham comércio, colocam barreiras em ruas, andam armados - e muito bem - por toda a cidade.
O cidadão comum, maioria silenciosa, paga impostos e se impõe verdadeiras prisões domicilares: é perigoso sair à rua.
Pelo menos um ladrão teve a ética de devolver uma criança ao mesmo tempo em que julgou e condenou os pais do menino: Se acontecer de novo, o homem morre.

Bandido tem lei. Aos demais, sobra o consolo, a sorte de não topar com bondes, bandos ou coisas semelhantes. Não há limites para ações dos bandidos.
E tem candidato aí - virgens puríssimas - prometendo mundos e fundos. A gente precisa votar. Mais como?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Sem desistir

Acupuntura. Mais uma tentativa que parece vai dando certo. A coluna já não dói tanto e está mais fácil caminhar.
Vim quebrando lentamente. Aos 65 anos, a hipertrofia cardiaca, as pedras no rim e o caos da coluna me dificultam a vida.
Mas não desisto.
O sítio é prova disso. E ainda escrevo, continuo lendo e, mais que tudo, continuo amando minha mullher. Envelhecemos juntos, a chama não é a mesma mas o carinho prossegue ilustrando os pequenos momentos da vida.
Às vezes, parece que a morte já esteve mais perto. Se tenho medo? Evidente. Mas esse medo não me impede de viver, de gostar de mar, de água fria, de cachoeira.
A orquídea floriu no fundo do quintal. É um espetáculo para os olhos. A samambaia chorona desce folhas até onde pode, numa cortina que cobra parte da área sob a casa.
Cuido das plantas. Dos bichos.
E a vida parece que retribui, me garantindo energia. Vou sem desistir. Gostar da vida é sempre muito bom.

Terra nossa de todo dia

Que tipo de sociedade nós queremos? Não penso em futuro, mas hoje. E fico me perguntando onde a trama se rompeu, para não se faça a urdidura.
Éramos combatentes em potencial. Possíveis soldados. No Colégio, nem tudo eram flores, havia conflitos, mas não se tinha notícia de tanto desrespeito, tanta loucura quanto acontece hoje.
Crianças enfrentam professores, meninos vão armados para a escola, grupos de formam em verdadeiras quadrilhas, com capacidade e facilidade para matar.
No trânsito, note-se a presença de dois esteriótipos muito comuns: o lento, que procura respeitar as leis de trânsito e dono do pedaço, que costura, abusa da velocidade e, não raro, provoca acidentes inexplicáveis.
Enfrentá-lo pode significar uma agressão.
No miolo, o povo todo, que reduz a velocidade no radar, mas sabe que se todos andarem a 60 km na Amaral Peixoto, o engarrafamento será inevitável.
O Estado? Vá ver o festival de placas na Alameda São Boa Ventura, em Niterói: o radar marca 60 km, mas logo a seguir existem placas limitando a velocidade a 40 km.
Em Maria Paula, fizeram um meio viaduto, com acesso pela esquerda. Resultado:é um risco acessar um pista pela faixa de alta, com carros descendo a ladeira a mais de 100 km por hora.
Cadeias lotadas. Arrastões pelas ruas. Medo nos olhos das pessoas. Trabalho mal remunerado. Entrar num bar, no Rio, é pedir por favor e ser mal atendido.
Agora, todo mundo vê televisão, tem celular e uma preocupação muito grande com a grife da roupa, o tênis da moda.
Um velho na porta do ônibus? Passe por cima dele. Uma criança? Esmague. É o que se vê pelas ruas. Grandes empresas instituem o quilo de 900 gramas. Reduzem o tamanho do papel higiênico e a quantidade contida nas embalagens.
E no mundo? se faltar comida, devem servir foguetes com capacidade para destruir a Terra algumas vezes.
Só nos resta mesmo ter esperança no senhor do Infinito.
Se ele esfregar um olho, essa tal de Terra explode.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Criança

Dois meninos mortos pelos pais. Antes, fugiram. Pediram para não serem devolvidos aos pais. Fizeram isso mais de uma vez. Os gênios do Conselho Tutelar decidiram que nãp havia perigo : a família era a melhor opção. Deu no que deu.
A tortura levou três homens a confessarem um crime que não cometeram. Ficaram presos por dois anos e mais tempo ficariam se o verdadeiro criminoso não fosse descoberto. A pergunta é inevitável: quanto são condenados de forma incorreta?
Uma vez, um condenado, que de santo não tinha nada, me disse o seguinte: fui condenado por crime que não cometi. Eu estava por perto, mas não participei. Mas não tem problema: fica por outros que cometi... Triste cega que, enganada, erra e acerta.

Por falar em tortura, as emissoras de tv não convencinais têm mostrado depoimentos contundentes sobre o período da ditadura.
E pude ver Guta, ex-aluna da FND, relatar as torturas que sofreu.
Revi Vladimir, Daniel Aarão Reis e tantas outros mais. E fico pensando como Genoíno acabou se envolvendo com mensalão.
E fico pensando que este estado torturador continua escondido nos porões da burocracia, capaz de espancar e mantar, por seus diferentes braços.
Mas o grandes estão mesmo preocupados em armar palanque no Congresso para o banqueiro se defender, criar normas para que os de colarinho branco não usem algemas e entram em pânico com possíveis grampos.
O que andam conversando? Por que tanto temor?
Será que a alardeada "competência" dos advogados dos ricos está relacionado com... vamos dizer ..."custas extreas"?
Domingo, no Globo, Ancelmo enfileirou os degraus que vão caindo os que ousaram tentar prender Daniel Dantas: eles passam por verdadeiro inferno astral.
A elite se protege.

domingo, 7 de setembro de 2008

A criança
lá dentro do peito
ainda vive.

Caçado pelo tempo
o menino se remexe
enfrenta a dor
mas aprecia
vento
mar
verde;

vergo, não quebro
dói, mas volto
e na volta
te amo
curto os amigos
e prossigo

Se a trilha acabar,
paciência.
a vida valeu
vale ainda
enquanto o vento eriça o bambuzal
e o menino
se iguala ao sorriso da neta
em meio ao verde do sítio.

Há um buraco no peito.
Mas o prazer de viver
supera a dor
o medo,
a desesperança.

E, agarrado à beleza do luar
agradeço a vida
que ainda corre em meus braços.