quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tudo bem

É isso aí. Tudo bem. Ninguém precisa beber, mas as latinhas estavam enchendo a prateleira da geladeira e resolvi reduzir o número.
Nem fiz conta de quanto custam. Simplesmente arrumei um barco, fiquei feliz e resolvi fazer uma comemoração solitária e lá se foram algumas cervejinhas.
Bem, esqueci o menina que foi assinada em São Paulo e virou pauta real em toda a mídia. A outra, que foi assassinada e deixou um filho, pouco se fala.
Esqueci a bolsa - minha p3quena experiência capitalista virou pó - e o drama o mundo, que se debate numa crise a partir de pretensos lucros em investimentos em imóveis.
Esqueci ainda que os bancos estão em greve, que outra greve paralisa o Fórum.
Bem, não esqueci de alimentar os cachorros, nem esqueci de guardar o carro.
Também não esqueci das contas a pagar, nem das amizades.
Foi só um pouco de cerveja, por lembrar que já pesquei, nadei, desci onda no jacaré, namorei na praia.
Um barco. Uma viagem no tempo.
Apenas o sonho de um dia bonito, de céu azul, de som de viola.
Que acerveja nos ajude.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Avós e professoras

As avós estão sumindo. Que afirma é o Juarez Porto, em artigo no Jornal de Santa Catarina. Minha amiga transcreveu o texto, que é uma delícia.
Realmente, as avós a nova geração estão mais preocupadas com a qualidade da própria vida e não com os cuidados com netos.
Avó quituteira - quem tem?
Realmente. A geração da guerrilha, da contestação, do desquite, do divórcio já não tem mais o charme das antigas avós: as mulheres de mais idade se tratam, gostam os netos, mas nada de cadeira de balanço nem chale nas costas. Via de regra; porque sempre há exceções.
Da mesma forma, estão sumindo as mestras, aquelas professoras abnegadas que transmitiam conhecimento e disciplina. A criançada aprontava, mas não havia traço de desrespeito às mestras e a escola era um mundo novo, a porta para uma vida melhor.
Não sei se fico triste pelas avós, que mostram saúde, vão a hidroginástica, para os bailes e valorizam a vida, brigando pelo último suco da existência. Eu tive avó de óculos, voz calma e lamento que os meninos de hoje tenham avós diferentes, mas são sempre avós, com presentes e o conceito de quem educa são os pais. Avós são para dar à garotada algo mais de carinho, de passeio, de aventura, ou seja, os mimos mudaram o tipo mudou mas avó é sempre muito bom.
Já no que se refere às professoras, o que se vê é bem triste, a começar pelo salário. Foi-se o tempo em que as meninas todas queriam ser professoras. Era um profissão de status e o salário, se não era o melhor, era bom.
O que acontece hoje? Professor ganha mal, não há incentivo para que os jovens busquem os cursos de formação e o propalado desenvolvimento pela educação fica como bordão político, embalado por reformas que "promovem" os alunos ano a ano e os desaguam analfabetos por decurso de prazo.
Como era gostosa a minha Escola Edgard Werneck em Jacarepaguá!!! E que emoção foi o primeiro dia de Colégio Pedro II, ali na sede, na Marechal Floriano, no Centro do Rio. O menino do meio do mato (Jacarepaguá era zona rural) levou um susto quando viu aquele monte de gente, circulando pelos corredores, na hora do recreio.
Um professor, um chefe de disciplina eram acatados nas horas mais difíceis. Os pais educavam e ai de quem não fosse bem no Colégio.
A lembrança de D. Gioconda, professora do primário, está na prateleira das coisas boas do arquivo da minha cabeça.
Se a tv mostra loucuras, também mostrou que a cidade de Sobral, no Ceará (já trabalhei lá) conseguiu se destacar em educação. E que uma professora, também do nordeste, vai de casa em casa arrebanhando os alunos e consegue motivá-los para o estudo.
Eu acredito na educação como força capaz de mudar o contexto social em que vivemos. Mas será que as forças políticas querem saber de gente que pensa ou preferem bandos ululantes em bailes funks, shows e outras loucuras, transformando eleições em disputas futibolísticas?
Acho que é por aí. Os currais eleitorais do interior se transferiram para a cidade. A política do jagunço veio modificada e mais grave.
Vamos investir em educação - dizem. Mas desde que possam repetir o mesmo samba na próxima eleição.
O que se vê? Gente desempregada, mão de obra disponível para o tráfico, professores socorrendo alunos baleados e os políticos supersatisfeitos com seus ganhos.
Fica o consolo desaber que ainda existem mestres e mestras abnegadas pelas escolas deste País, apesar dos políticos.
E que as avós, ainda que modernizadas, continuam criaturas maravilhosas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Caminhos

Chego um tanto sem assunto, nesta manhã quente de início de primavera. As eleições terminaram, a crise do mercado financeiro amainou - parece um furacão a nos espionar - o degelo prossegue, a falta de crédito mata 50 mil frangos em São Paulo mas as bolsas do mundo recobram o ânimo. Haja especulação.
Nas ruas, a violência cotidiana progressiva não se altera. Na roça, o posto de venda de drogas vai progredindo. Já a escola, será fechada no início do próximo ano letivo. Já era ruim, com uma só professora para todas as séries e um único turno pela manhã. Agora, por decisão dos que mandam no município de Saquarema, não será mais escola. Já existe outra escola fechada na Bicuíba.
Passo no Distrito, para saber como anda o inquérito sobre a morte de meu pai. Faz mais de um ano que encaminhamos a queixa ao Ministério Público. Como não houve o glamour da mídia, a apuração prossegue em ritmo lento, bem de acordo com o interesse dos médicos. Não se busca prova técnica, nem mesmo foi realizada a sequência de depoimentos dos médicos. E o inquérito não se perde nas pilhas de processos porque, volta e meia, vou perguntar o que está acontecendo.
Do lado positivo, a melhoria da qualidade da lagoa de Araruama, talvez pelo próprio aumento dos peixes, que devoram a matéria orgânica, depositada no fundo das águas.
Enquanto a tsunami não vem - seja real, seja financeira - o remédio é aproveitar o que ainda resta de vida naquelas paragens.
E que Deus nos deixe longe dos caminhos da marginalidade.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Viagem:
Imagem percebida
Num risco bordado
Na palma da mão.

Na mistura geral
Não, sim, talvez.
Corpos em confusão
Olhos acesos se tocam
Pele, atrito
Faíscas.

Minuto se perde

Passos refeitos
na condução urbana
nas teclas do dia a dia
no café da manhã.

Sensações encantadas
garimpadas
na luz de um olhar.

Sem medo das palavras:
Amar. Este o mote.
Caminho com nome de mulher
Percebido entre muralhas
Do dia a dia trivial.

Encanto, encantamento
Amor que nunca passa
Acontece como se não tivesse chão
Nem fosse concreto.

Minuto refeito.

Explosão permanente
Bem querer:
sem bem querer
não há rumo, nem estrada, nem mapa.

E querer bem tem o preço do sonho
encanto de um nome de mulher
mulher que vive mas caminha
no reino da imaginação.