Poemas acontecem. São instantes registrados sob uma ótica de emoção. E ficam perdidos entre arquivos, seja em papel, seja em computador.
Nesta manhã de sol, quando a natureza parece nos dar uma trégua, vai o registro deste texto, que estava esquecido num arquivo eletrônico.
Amor infinto
Rasgar na noite
o tempo com um grito
Garras para romper o pano da tristeza
Chorar, rir, gritar
cantar desafinado
para assustar a lua cheia
fazer sorrir as estrelas
e sentir no peito
vontade de beber,
de te levantar , como um bárbaro
e bárbaro seguir teu corpo
por todos os caminhos
num amor sem limites.
Caminhar na noite
liberto de dor, de saudades eternas
liberto do próprio passo
deslizando por todos os bares
iluminado pela voz
de tanta gente perdida.
Na madrugada, deitado a teu lado,
olhar o céu
que perde estrelas
e se desmancha em azul
marcado por um sol vermelho.
Abrir o peito
para mais um grito
onde a dor da liberdade
espante todo o ódio do mundo.
Depois
fechar os olhos
e sonhar como quem navega
morto – vivo
por todas as constelações do universo
orientado pela vontade
de infinitamente te amar.
06/06/2009
