segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um poema


Poemas acontecem. São instantes registrados sob uma ótica de emoção. E ficam perdidos entre arquivos, seja em papel, seja em computador.

Nesta manhã de sol, quando a natureza parece nos dar uma trégua, vai o registro deste texto, que estava esquecido num arquivo eletrônico.



Amor infinto

Rasgar na noite

o tempo com um grito

Garras para romper o pano da tristeza

Chorar, rir, gritar

cantar desafinado

para assustar a lua cheia

fazer sorrir as estrelas

e sentir no peito

vontade de beber,

de te levantar , como um bárbaro

e bárbaro seguir teu corpo

por todos os caminhos

num amor sem limites.

Caminhar na noite

liberto de dor, de saudades eternas

liberto do próprio passo

deslizando por todos os bares

iluminado pela voz

de tanta gente perdida.

Na madrugada, deitado a teu lado,

olhar o céu

que perde estrelas

e se desmancha em azul

marcado por um sol vermelho.

Abrir o peito

para mais um grito

onde a dor da liberdade

espante todo o ódio do mundo.

Depois

fechar os olhos

e sonhar como quem navega

morto – vivo

por todas as constelações do universo

orientado pela vontade

de infinitamente te amar.

06/06/2009

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Chuva!!! Chuva!!!!
Pessoas sob montanhas de lama. Casas destruídas.
Cidades alagadas.
Problemas expostos aos olhos de todos viram notícia depois da desgraça.

E o governador resolve reduzir a carga horária dos professores: menos aula de história, geografia... Menos gente querendo educar. O que isso tem a ver? Menos gente educada, mais lixo, menor poder aquisitivo e o inventar a vida como possível: uma casa pendurada num barranco.

Árvores caídas. Estradas interditadas. Crônicas anunciadas há muito tempo.
A gente tem medo da água que escorre sob o alicerce de nossa casa. Impossível não olhar, com desconfiança, o morro existente na rua de cima.

Chuva!!!! Mais chuva!!!!
Estamos internados em nossa própria casa. Há horas em que falta luz, o telefone some, o celular não dá sinal, mas estamos bem, embora angustiados com toda a tragédia.
Poder público vergonhoso, natureza enfurecida: o resultado é tragédia que ainda não mostrou todo seu potencial.
A contagem dos mortos será o capítulo final.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuva

Rose ficou a noite toda presa no ônibus. César não conseguiu chegar ao trabalho. Gisele chegou em casa às 2.30h da manhã;
as escolas pararam, ônibus enguiçaram, morros desabaram e a chuva não para.
No fundo do quintal o riacho vira um tigre, rosna, briga, derruba árvores, carrega casas. Mas não é só ele. São todos os cursos d'água que invadem ruas, arrastando carros, invadindo casas, causando mortes.
É noite, a chuva continua. Os donos do poder se justificam - culpada é a população. Nesse altura, o culpado é São Pedro, que mandou chover. Ou o mar, que fornece a umidade.
E acabo apertando o pescoço desse poder público descarado, eleitoreiro, ruim de administração, desencontrado, incapaz de fornecer serviços que atendam à população.
Há uma fenômeno diferente, chuva como não acontecia faz 60 anos, mas há também um processo descontrolado de urbanização, há falta de poder aquisitivo para morar, há descaso com encostas, valas, bueiros e outros equipamentos.
No final, também falta educação. E educação é qualquer coisa além de aulas descuidadas para concessão de um diploma. Deixo um abraço para Paulo Freire e a esperança de que a mão pesada da chuva não precise apontar os defeitos do meio urbano, multiplicando vítimas e prejuízos.
Houve o inesperado? Concordo. Mas as consequências não seriam tão graves se houvesse prevenção. Quem sabe, um dia?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Hospital Público

O sobrinho se acidenta. A namorada falece na mesma queda. Ela sobrevive com lesão na coluna e fraturas nos tornozelos. Emergência: foi atendido e internado no Hospital Miguel Couto, no Rio. Quem procura saber, descobre que o hospital é referência em ortopedia.
Quem vai fazer uma visita, descobre falta de estrutura, desorganização, falta de material hospitalar, falta de pessoal para atender aos doentes.
Quem precisar fazer alguma necessidade à noite, está perdido.
A única saída são as cadeiras para acompanhantes, onde é possível passar a noite ao lado do doente, diminuindo um pouco o sofrimento de quem não tem condições de sair da cama.
Por que é sempre assim? Escolas desmontadas, presídios super-lotados, Hospitais onde a higiene, o cuidado com os doentes passam longe. Até o famoso patinho é de uso comum.
Quem não tem plano de saúde - ou quem se acidenta na rua - tem que enfrentar condições semelhantes a de presídios lotados: não há conforto nem pessoal para cuidar dos doentes.
Pelo menos, os médicos fazem sua parte. E a infecção hospitalar certamente fará o resto.
Acho que somos um povo vacinado contra maus-tratos.
E ainda há políticos dizendo que a saúde está uma beleza... Uma solução seria dar aos políticos a beleza dos hospitais públicos, das escolas - vamos deixar os presídios de lado - e transferir para uso do povo as boas condições das casas legislativas.