quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Paraíso dos ratos

A difusão de ideias sempre foi arma da democracia. A informação séria proporciona ao cidadão elementos para ele decida que rumo quer dar ao seu País.
Não é por acaso que governos totalitários adotam o controle da informação, procurando fazer com que só chegue ao povo dados que favoreçam os governantes.
Fui repórter durante muitos anos, inclusive nos tempos do governo militar, a partir de 1964. Vi a repressão a censura e a luta dos companheiros para mostrar aos leitores como os militares se mantinham no poder.
Nessa época, os jornais tomavam posição à esquerda e à direita e havia defesa de tradições políticas, muitas vezes de forma acirrada. A censura atuava, os profissionais de imprensa usavam inteligência e imaginação para driblar os censores, numa época em o organismo repressivo atuava pesado, com prisões, censura e mortes.
Informação muda um país. Se deformada, pode atingir a vida das pessoas acusadas injustamente. Se há imprensa irresponsável, já existem leis suficientes para punir que não trabalha com seriedade. Prove-se a mentira, a má fé e puna-se o responsável.
Da mesma forma, a informação séria, os fotos bem apurados levam ao cidadão elementos para que ele forme sua opinião política. Imprensa e Ministério Público são hoje os organismos com poder para conter os abusos dos que ocupam o poder - nem sempre com sucesso.
A corrupção só é apurada quando denunciada pela imprensa. Se houvesse censura ou "controle" como sugerem alguns, nada poderia ser divulgado. Nesse caso, anões, mensalões, contratos milionários ficariam escondidos nas gavetas, à espera do bom humor de algum burocrata "protetor" dos poderosos encastoados no governo.
Não há como pensar em democracia sem imprensa, sem apuração, sem o elementar debate sobre o ideário político.
Os representantes do PT construíram uma imagem de seriedade, de honestidade, denunciando as falcatruas dos adversários antes de se apossarem do comando do País.
No poder, a farra é grande. São negociatas de todo o tipo. O dinheiro público escapa para os bolsos ( e cuecas) dos que se propunham a mudar o País. Quanta à ideologia, fazem acordos com adversários que antes apresentavam como "picaretas".
Como preferem a versão aos fatos -e as denúncias se baseiam em fatos - querem controlar os meios de comunicação para que possam continuar sugando as tetas do tesouro público: as "ferrari" vermelhas que o digam.
Se apesar da imprensa, do Ministério Público (também ameaçado de mordaça) da Polícia Federal, os corruptos são se intimidam, o que seria o País com informação controlada?
O paraíso dos ratos?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ideologia e voto

As eleições brasileiras, em termos ideológicos, viram uma grande salada de abacaxi com parafuso, regada a óleo diesel ou pode ser uma geleia de cacos ideológicos apropriados por marqueteiros que dão o toque de midas da campanha eleitoral.
Não há direita, nem esquerda.
Nem há diferença entre partido corrupto e não corrupto. O PT chegou ao poder vendendo a alma, não ao diabo, mas ao deus do oportunismo, da subserviência e da corrupção. Os mesmos nomes que combateram erros do governo passado se aliam a Barbalhos, Collors, Malufs, Crivellas e outros do mesmo tipo.
Não sei quem disse que a imprensa tem que ser isenta. Será? Ou seria melhor se a imprensa tivesse personalidade e isenção para defender pontos de vista que julgasse mais justos?
Quando as denúncias surgem, é necessário perguntar a quem estão servindo e se não são apenas ficção. Depois, vem a dúvida: por que só agora???
Em quem votar? Nunca pensei em dizer que não voto no PT. E não voto mesmo. Nem no PSTU: o partido que combate a burguesia - eta chavão antigo - me deixa de fora porque não fujo dessa classificação. Não sou mais um estudante com ares de revolucionário.
O PPS, onde anda?? E qual será a diferença entre as duas ministras de Lula?
Meus candidatos a senador - Temer e Marcelo Cerqueira - mal aparecem nas pesquisas.
Como a parabólica não transmite o programa político local, não sei direito quais os candidatos para nossos representantes em nível estadual.
Seria fácil votar num partido - isso quando os partidos representavam posições político-ideológicas claras. As alianças juntam Gabeira com Cesar Maia, Lula com Collor. Não há mais divisão ideológica. As diferenças são administrativas.
A partir daí, por que não voltar no tucano?? Proposta administrativa por proposta administrativa, uma não fica muito longe da outra. E a política do atual governo pouco se distanciou das posições dos social-democratas, mas cresceu bastante no que diz respeito à corrupção.
Entre os pequenos partidos, causa preocupação a posição de Plinio de Arruda Sampaio que quer limitar as propriedades brasileiras em mil hectares. Ora, mil hectares no Estado de São Paulo é uma propriedade enorme. A mesma área, no Mato Grosso, não tem o mesmo significado. E tem mais: o mar de cana, em São Paulo, compreende várias propriedades alugadas, cedidas, arrendadas ou simplesmente trabalhando em contrato de parceria. Limitar a área é tiro de efeito, nada mais.
Por fim, preocupa muito a guerra da informação, onde a versão passa a ter força de verdade. Preocupa também a ideologia adotada pelo PT, que se propõe a controlar, ainda mais, a imprensa. Essas ações tanto ocorrem em países capitalistas, onde muitas vezes, a informação é manipulada e em países comunistas, onde se torna ridículo o controle sobre os meios de comunicação.
Fica no ar a pergunta: Em quem votar???