domingo, 7 de novembro de 2010

Crônica de domingo

Domingo. É noite. O silêncio toma conta do mundo - tão diferente da barulhenta noite de sábado. Confiro a Internet, revejo rostos, sorrisos amigos que haviam ficado no tempo. Penso em quem se foi. A tia, já de idade, o menino que se acabou - mais um - no lombo de uma motocicleta. Morreu no local da queda.
Morre um cavalo, ninguém gosta. Mas a morte anda sempre presente, encerrando tudo quanto é tipo de vida.
Preciso dormir, emagrecer, fazer exercícios. A cabeça anda ocupada - tem tarefas no campo, tem tarefas na parte editorial. Decidi que quero editar dois livros, pelo menos. Os textos existem, o resto é transpiração, trabalho.
Para compensar essa dificuldade de locomoção, mergulho no passado e relembro noites no Rio Grande, praias do Nordeste,emoção em visitar a floresta amazônica e um bom número de roteiros que me permitiram conhecer um pouco a gente deste País.
Vou dormir relembrando rostos, curtindo uma saudade doce de um tempo que não volta, enquanto me digo que, apesar das limitações, a felicidade do dia de hoje é estar vivo, sonhando com projetos que vão acontecendo lentamente.
Enquanto a morte não me acha, o remédio é dar trabalho a vida: dá para ser feliz, apesar de toda a loucura do mundo de hoje.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rota

Caminho só. Lógico que não há uma solidão total: seria ingratidão com a família, com amigas e amigos presentes no dia a dia. Nem há tristeza, mas a constatação de que, no fundo do peito, a gente caminha só.
Deus presente, religião ausente e caminho por trilhas que fazem pensar na vida e na morte, nos grandes espaços, nas sensações escondidas dentro do peito.
Reencontro pessoas, reencontro retalhos da vida vivida, retalhos dos quais me lembro com carinho.
Mas a trajetória é solitária. Barco sem rota pré-definida, a vida caminha a cada dia, a nos peguntar o que realmente queremos.
Tem eleição - a gente escolhe só. Tem o acordar - a gente acorda só. Tem a opção da esquina e os destinos se traçam, embolam, convergem ou andam em paralelo, criando a sensação de abstração do tempo e da distância.
E ainda tem a tecnologia com listas de amigos, possibilidades. Mas ainda na infovia, a gente caminha só e sente cada carinho, cada evento morte de forma individual.
Caminho só, embora junto com tanta gente nessa rota sem fim. Como será a dimensão a nosso lado?