quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vaca atolada no tucunduva


Gripe - que adianta vacina? - coração que bate preguiçoso e sem ritmo. Acho que é por isso que não consigo batucar .. nem o coração tem ritmo e o peito racha na insegurança das possibilidades médicas. Não importa: quero mesmo é deslizar no caiaque pelas águas da lagoa. Olho a foto do meu perfil e a saudade bate dura. Mas amanhã vamos viajar, ih, até me lembrei: "vamos indo de carona, na garupa leve do vento macio" - Nada, vamos mesmo é enfrentar estrada, maluco ultrapassando de qualquer jeito, placas de sinalização enlouquecidas, carrinhos escondidos para nos multar. O menos grave ainda são buraco e poeira nas estradas da Bicuíba. Mas aí tem a paz das grandes mangueiras, o gemer dos bambus gigantes, a vibração do pé de jamelão que cobre a capela. Cavalos pastam calmos, galinhas ciscam no terreiro e a galinha d'Angola abre o berreiro de sempre - tô fraco, tô fraco - só que fraco não é grupinho das pintadinhas, capazes de matar um galo, se cismarem com ele. Que tem o coração a ver com isso? Simples. o peito puxa o ar gostoso, o sorriso é inevitável e o corpo parece que muda de direção, para achar Deus em cada folha, em cada inseto - lá vem a enorme borboleta azul - em cada flor. Lá vem o Tonho com um saco de tangerinas, vai buscar dúzia de ovos e os últimos queijinhos. Isso é a minha roça:simples, sem enfeites, porém capaz de fazer o coração bater de pressa e a cabeça entender que a vida vale a pena, principalmente no carinho dessa atmosfera que me abraça. Desse jeito, adeus gripe e o coração fica feliz. Para completar, um café na varanda. Aceita? Só falta mesmo acender o "tucunduva" - fogão de lenha - para cozinhar uma costela com aipim. Tem coisa melhor que uma vaca atolada, com uma cachacinha para acompanhar?

terça-feira, 5 de julho de 2011

A força da amizade

e me peguntam - eu mesmo me pergunto - se quero viver, hoje, na prática, tive a resposta: sim. Melhor, tenho certeza que quero recuperar os movimentos, as articulações perdidas e explico: enquanto todo mundo se agasalhava, vesti a sunga e caí na piscina para mais uma aula de natação.
Transferi a RPG para amanhã - isso porque iria chegar atrasado. Isto quer dizer que estou me cuidando, ando em busca do caminho da recuperação, para melhorar minha qualidade de vida. Ainda falta: preciso definir mais um exercício, quem sabe uma academia, quem sabe a simples bicicleta, para ajudar no fortalecimento de músculos e ossos no combate a este princípio de osteopenia. Nada de vaidade, apenas busca por saúde.
Agora, venho para esta roda de amigos, saber de irmãos, sobrinhos, sobrinhos-netos, amigos e amigas que sempre me dão força, me acompanham e, mesmo de longe, me tratam com muito carinho.
Existem amizades fortes vindas através da ligação com o Pedro II. Existe o reviver de amizades antigas, do tempo do trabalho na Embrapa, ou ainda da Faculdade.
Interessante é como o velho símbolo imperial do Colégio fala mais forte e marca a maioria dos conhecimentos existentes.
Sei que o meu gosto maior está na atividade rural, só que nem sempre é possível estar na roça. O remédio é aceitar as mudanças do mundo. foi assim quando comecei a trabalhar com o computador. Depois veio a Internet.
Hoje, sozinho em casa, tenho o privilégio de entrar em contato com uma bela roda de amizades. E essa roda me ajuda a perceber detalhes da vida que me fazem aceitar melhor as dificuldades. Cada abraço, cada beijo, cada elogio me ajudam a responder a pergunta inicial - porque quero viver - e a resposta é sim.
A comunidade a que pertenço sempre me dá de presente o incentivo para querer continuar vivo. E fico feliz por isso.

Encantamento


E o remo corta água na direção do sol. Água lisa, marulho de proa largada, remo apoiado, da ponta do remo gotinhas voltam para a lagoa, no silêncio que se faz na distância da margem. Pula parati, corre ubarana, mergulham perumbebas invisíveis. Lembrar de quê? De um olhar distante, um sorriso preso no fundo da memória. No silêncio, a gente conversa com Deus. Além disso, rostos que são importantes parece que nos acompanham na travessia. Vou, volto, a vida está ali, concreta mas uma vida abstrata nos cerca, como se outra dimensão estivesse bem perto de nós. Na dimensão dos sonhos, as distâncias físicas desaparecem. As palavras chegam encantadas ao nosso dia a dia. Ainda quero uma vela para correr no vento. E será que ela virá comigo neste velejar ou vou seguir sozinho, discutindo os enigmas da vida? Certo é que capturo um sorriso, um olhar e faço deles amuleto para espantar a tristeza. As gotas da água que correm do remo parecem palavras de puro encantamento.