sábado, 21 de janeiro de 2012

Lembranças na madrugada

Madrugada. 5.30. Acordo. Sono foge entre s cobertas. O ar não funciona direito, esquenta o quarto. Sono arisco! Vem e foge! E as lembranças - nem sei a razão - vão se enfileirando em lances mistos de sonho e realidade.
Rostos e mais rostos se apresentam, como se eu abrisse um baú de boas lembranças. Rostos. Principalmente rostos. Rostos de mulheres. É interessante como a face fala mais que os corpos.
Ah, aqueles olhos que eu acompanhava até a Praça Mauá, Um sorrir terno, ternura no falar e olhos de água, profundamente amigos. O tempo do Colégio acabou e só nos encontramos mais uma vez. Ficou a lembrança - que bela lembrança!
Passeata dos 100 mil. Uma mão amiga empurra meu cabelo testa acima, num gesto de carinho e encontro um belo sorriso de uma amiga de cabelos compridos. Conversamos muito, não passei disso. Mas a lembrança é minha, bem guardada.
Durmo. As lembranças ficam. Louras, morenas,negras, distantes, próximas. Sem preconceito, sem discriminação.
Acordo para a realidade de um coração fisicamente quebrado e - sorrindo - penso que há motivos de sobra para as encrencas sofridas.
Foram três casamentos, quatro filhos, três mulheres muito amadas, sem dúvida, sem medo. Outras foram também muito amadas - há sempre espaço neste peito bagual, um tanto irresponsável em sua forma de sentir.
Sempre um olhar, sempre um sorriso. Faz tempo, a porta anda fechada para o amor, mas escancarada para afetos, amizades. Há sempre espaço neste barco-peito, em mar aberto, ou nave, em asa do vento, a voar sem destino.
E, se num descuido, um sorriso, um olhar ultrapassarem a porta?
Acho que este coração, que ainda pensa que é gente, vai pular, vibrar mas vai ficar perdido na paisagem, inebriado em tempestades a sonhar com o tempo em que o mundo não tinha limites e nem se respeitava a distância - São Luiz do Maranhão que o diga - para achar um olhar, um sorriso capazes de acender a vida.
Já dizia seu Arthur - ele no desenho, eu no texto, quanto trabalho fizemos juntos - que cachorro comedor de ovelha, só matando.
Mas, apesar do coração fendido, continuo vivo. O patrão do céu ainda não me deixa pular do bonde.
Enquanto posso, curto as lembranças e me encanto com a beleza, o sorriso das mulheres, e me consolo com Vinícius a defender a importância de um certo molejo de amor machucado na beleza de todas as mulheres do nosso cotidiano.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Animais: a pomba da paz

Acordei preocupado: assinei uma campanha em favor do direito dos animais.
Mas, que direitos? Vão acabar com meu churrasco? Ou será que vão proibir as senhoras da sociedade de maltratar seus animais, pendurando neles tudo que é tipo de enfeite?
Será que não poderemos mais montar a cavalo?
E se o cão violento do vizinho vier a morder uma pessoa na rua, não posso mais enfrentá-lo de cipó na mão?
Há uma proposta radical vegetariana que propõe que não se use nem se coma nada de origem animal. Adeus seda. Bom, sobram o algodão, as fibras sintéticas vindas do petróleo.Eca, fibra sintética é terrível.
Vamos ver: nada de cinto de couro, nem ovos fritos, nem queijo.
Fica a pergunta: o que o mundo fará com os rebanhos existentes? Quem irá criar galinhas, porcos, bovinos, caprinos e outros?
Mas vamos voltar à proteção aos animais. Existe uma Ong no Rio Grande do Sul que luta contra o chicote, usado por carroceiros. Justo. O castigo excessivo precisa mesmo ser combatido. Mas o Código Penal está aí. Lei existe, basta cumpri-la.
Falam muito do rodeio - e mal - porque os pobres " boizinhos" seriam maltratados. Perigo, ali, quem corre é o peão. Aqueles touros são tratados a pão-de-ló e nada mais fazem do que pular 30 segundos. Sedém? A corda é apenas ajustada. Se for muita apertada, não há animal que pule.
Não ligo pra rodeio porque acho monótono. Fica cansado. Daí a achar que estão maltratando o pobre boizinho, é coisa de urbano que nem sabe o que é touro, nem o que é corda, nem tem ideia de como a coisa funciona.
Agora, a culpa de tudo é da própria natureza. Aperte um touro holandês e ele não vai pular. Mas os mestiços zebuínos pulam e, se puderem, pisam o peão.
Não tem peixe e briga? Se juntar dois, um morre. E os franguinhos da ninhada de galos de briga arrebentam a cabeça uns dos outros, de tanto brigarem.
Está certo, almas piedosas, o homem se vale disso para se divertir. Não sei se é o social e politicamente correto, mas como não tenho pretensões a ser padrão de correção, acho exagero urbano a história de achar que todo animal é bonzinho.
Parece que a gente lá do mato só serve mesmo para produzir comida. E, assim mesmo, os urbanos acreditam que comida vem do supermercado: eu vi, na minha casa, uma menina de 15 anos dizer que não gostava de leite de vaca, mas sim de leite de caixinha.
A mesma menina disse que não queria ovos de galinha de quintal, mas sim de caixinha, "porque receberiam tratamento" .
Para finalizar, uma história de pombos. Eu era menino, o pai fez um pombal numa mangueira. Um dia, um filhote, quase pronto para voar, caiu do ninho de cima no apartamento inferior. Os donos do ninho arrebentaram a cabeça do pobre, que acabou morrendo. Bela pomba branca da paz ....