sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Direitos autorais: idiota é a mãe

ais uma vez, texto que escrevo fica bloqueado para meus amigos compartilhares e entra um item chamado "patrocínio". Não gostei. Resultado: fui ver a lei 9610, de 19/02/1998, sobre direitos autorais. A lei é clara. A criação de obras intelectuais, artísticas e científicas está protegida, independente de registro (art. 7º). Pertencem ao autor os direito morais e patrimoniais sobre a obra que criou (art. 22). Em seu art. 28, a lei diz que cabe ao autor o direito exclusivo e utilizar, fruir e dispor da obra literária artística e científica. Ainda segundo a lei, a utilização depende de de autorização expressa e mais: a obra fraudulentamente reproduzida acarreta punição penal, indenização e a autoridade mandará suspender a reprodução. O site "ecommerce.org registra o seguinte: "Uma mensagem em formato de texto jurídico vem se espalhando pelo Facebook. A corrente alerta contra uma tentativa da rede social de fazer uso comercial de dados, fotos e conteúdos postados pelos usuários. O texto é falso e não serve para nada, garantem advogados e porta-vozes da empresa, que se viram obrigados a emitir um comunicado para tentar deter o boato. Mas para especialistas, a corrente mostra que os usuários desconhecem os direitos autorais que detêm sobre suas informações postadas em redes sociais. A mensagem que circulou tanto em inglês como em outros idiomas advertia que o Facebook é agora uma empresa de capital aberto e recomendava aos usuários postar em seus murais o texto jurídico que supostamente os protegeria contra tentativas da rede social de utilizar seus textos, fotos e demais dados. Mas, de acordo com a empresa, “qualquer pessoa que use o Facebook é dona dos conteúdos e das informações que publica, e as controla, tal qual especificam nossos termos de utilização. Elas controlam como essas informações e conteúdos são compartilhados”. Em seus “Direitos e Responsabilidades”, a rede social diz que o usuário retém os direitos de propriedade intelectual dos conteúdos que posta, mas ao publicá-los em seu perfil, dá ao Facebook uma licença para usá-los e mostrá-los dentro de seu sistema." Outro site pega pesado: o "página da notícia.com" simplesmente publica o depoimento de um publicitário muito educado que nos chama a todos de idiotas: "É tudo falso. Robert Scoble, um ícone de mídia social, expressou sem rodeios seus pensamentos sobre a farsa para seus 434 mil assinantes. "Se você está postando sobre direitos autorais no Facebook e não fez uma pesquisa antes, é um idiota." A privacidade do FB é fonte frequente de debate e controvérsia, e a rede social não é sempre a melhor administradora dos direitos de privacidade. Apesar disso, o Facebook fornece um conjunto diversificado de controles de privacidade, e permite aos usuários escolher onde e como a maioria das atualizações de status, fotos, e outros posts é compartilhada. Antes de reclamar sobre privacidade - ou a falta dela - na rede social, certifique-se de, pelo menos, ter tempo o suficiente para explorar os controles de segurança disponíveis para você. E, antes de copiar e colar, ou encaminhar qualquer coisa, siga sempre o conselho de Scoble e faça um pouco de lição de casa primeiro". Recebo o puxão de orelhas, repudio a grossura e digo que eu já estava mesmo fazendo a pesquisa quanto encontrei este texto. Se a lei nos garante? Sim, é certo mas não gosto da história do patrocínio e não gostaria de entrar na Justiça contra o FB. Mas se o FB faturar - seja quanto for - com os meus textos é atitude fraudulenta. Será que terei que voltar para a máquina de escrever ou será que, se eles conseguirem patrocínio, terei que buscar meus direitos na Justiça? Depois o povo se queixa de uma provável indústria de danos morais. Prefiro não demandar. É simples: respeitem o meu, os nossos direitos. E vamos conviver em paz. Não admito a apropriação indevida do que produzo. Ou será que vão querer patrocínio também para este texto?

domingo, 18 de novembro de 2012

Artesão e tv

Artesão e TV Corina repassa: por um mundo melhor, diminua o conforto, aumente a simplicidade. Não se exiba, não demonstre riqueza. Abra mão de tantos aparelhos. Em princípio, concordo. Nossa vida é simples, sem ostentação. Conforto, sim, temos, o suficiente par levar uma vida tranquila. Dívidas? Inevitáveis. Se der - estamos trabalhando para isso - não deveremos mais nada. Por que as recomendações? Reflexo da crise. Esperança de um mundo melhor. Inevitável: a memória atávica, aquele cromossomo transmitido de outras gerações, me faz pensar numa aldeia, simples aldeia, aldeia de muito antigamente. Bem ali, o artesão vive seu dia. Marreta sobe, desce. Ferro incandescente se amolda, vira enxada, ponta de seta, ferradura. Madeira, cortada, recortada, alisada se transforma: cadeira, mesa, estrutura de sela, carroça, armário. Madrugada, sai o artesão em seu caminho. Imagina, pensa, cria, se inspira. E vai a feiticeira, rumo à mata, em busca de ervas, folhas, raízes. Volta alegre, vem trazendo um filhote de pássaro, um ser que precisa de ajuda. Feiticeira. O caldeirão que ferve, a oração fascinante. Mão que cura, palavra que acalenta. Há, nessa memória, infalível tropel de cavalos, homens que chegam com a caça, uma pequena roça plantada num quintal fechado, umas poucas galinhas circulando nos caminhos. Para viajar, era preciso tempo. E sobrava tempo para uma longa conversa, ou para o silêncio imaginativo de quem precisa criar um objeto a partir da própria experiência. Tempo passa, meu Deus, como passa. Eu, artesão, fiz a bancada onde escrevo, mas a máquina depende de energia e a pena se perdeu no tempo. Fiz a estante, o tampo da mesa, o banco de madeira sofrida. Plantei roseira, samambaias e resgatei uma avenca, nascida na parede. Linda avenca. Ainda prefiro o caiaque que o motor do jetsky. Apesar dos quase 70 anos, ainda tenho a esperança de velejar, seja na vela improvisada no caiaque, seja no barco - o velho bote de madeira. Mas meu serrote é elétrico, a furadeira não é arco de pua e os olhos trazem lentes poderosas - pura tecnologia - que me permitem continuar enxergando mesmo depois que o cristalino ficou opaco. Se parte da comida vem da roça, grande parte vem do mercado: as crianças de hoje não sabem de onde saem os ovos, o alface, a beterraba. Querem mesmo é sanduíche de caixinha e nem imaginam como se faz um queijo. Na aldeia, era possível reunir pessoas sob a árvore, para conversar. E era possível escutar, da feiticeira, história incríveis. A feiticeira virou tv, onde os pequenos assistem histórias loucas e podem ver toda sorte de crimes. E a violência toma conta do noticiário. Talvez não acontecesse tanta coisa, mas a violência é antiga. Os homens se preparavam sempre para lutar, defender a aldeia. E cada cidadão era um soldado, cada morador o compromisso de enfrentar o inimigo, que vinha sem avisar. Os ancestrais índios também guerreavam. Tacape, arco e flecha. Veio a pólvora, o estampido, a morte. A tecnologia sofisticou o padrão de agressão. Eu, artesão, aqui parado em frente a uma tela, desenho coisas que a memória sugere. Enquanto isso, o mar parece que cresce e ninguém sabe o que vai acontecer. O fim do mundo??? Ninguém se preocupe. Ele acontece, a cada minuto, para cada um de nós. O remédio é mesmo viver a vida o melhor possível porque, cedo ou tarde, o fim do mundo virá. Com certeza.

domingo, 11 de novembro de 2012

Só hoje. Só hoje, eu queria de novo as minhas pernas. Não que eu as renegue, como estão - nada disso. Ainda consigo me movimentar, posso nadar, andar de bicicleta; dá para viver sem mágoa desse artrose doída. Sim, queria minhas pernas para sair por aí, comprar um baio, calçado nas quatro, palomino de preferência, peito largo, retaco, pescoço bem lançado, bom de aprumos, olhar esperto. Um baio, que não fosse muito arisco, porém esperto no toque do calcanhar, capaz de me levar por aí, sem reclamar. Queria escolher o melhor arreio, a sela australiana que comprei de Paulo, sela grande, confortável, com barrigueiras largas, para firmar o arreio, sem incomodar a montaria. Os estribos são forrados, loros fortes para aguentar o peso das pernas esticadas na marcha contra o vento, a cortar sol e chuva, sem muita direção. Queria forrar a sela com o pelego, vindo lá do Rio Grande, onde o gaúcho não monta sem ele. Freio inox, cabeçada fina e a rédea curta que eu mesmo arrumei. Queria calçar as botinas, a calça jeans de sempre, um blusão qualquer, chapéu de abas não muito largas ou até mesmo o velho chapéu de couro, comprado lá em Petrolina, bem nordeste, bem sertão. É um querer doído, pena do que não fui, saudade do campo, das trilhas de serra, da cerveja bebida longe, sem preocupação com dirigir. Fica registrado. É sonho, sonho que pode ser realidade. Por enquanto, é ginástica, tentativa de refazer peças estragadas dessa máquina que usei além da conta. Enquanto isso, uma nova aventura aparece: vou na madrugada, ali para Charitas, tomar contato com a canoa havaiana. Perco a roça, mas vejo o mar como um grande coração, sem capaz de me receber - a todos nós - para viver ou morrer. De resto, é domingo, dia de comprar jornal, tomar um vinho, comer macarrão para engordar mais um pouco e assistir o futebol no meio da tarde. Acho que dormi de mau jeito: apertei os espinhos do peito, que se remexeram e estão me deixando com o pensamento atrapalhado. Ainda bem que existe o Facebook para a gente conversar com pessoas amigas. Sem problemas: o sol no rosto, lá na rua, vai me deixar feliz. Curtir ·

domingo, 4 de novembro de 2012

Celacanto

Cor do céu: celagem - "a cor do céu ao nascer e por do sol", ensina mestre Aurélio. E a cor do mar? Quem mora nele? Celacanto, diz Vinícius. Celacanto, mostra a tv. O enorme peixe desliza cinza brilhante a 150 metros de profundidade. Deslisa soberbo, olhos vidrados, cinza com remates de azul, nadadeiras que parecem pernas: pré-histórico, explicam os biólogos. parentes saíram do mar para a terra, o celacanto ficou para encantar os mares, majestade entre os peixes, trecho da história do mundo. Palavras loucas: celacantino. E mais: coanictes, crossopterígios do ordem dos coelacanthini. Isso não sei, sei que é um peixe, tranquilo peixe, gigantesco, de enormes escamas - parece armadura - a nadar tranquilo no mar da África, como um cavaleiro armado do tempo das Cruzadas. Mostraram tubarões enormes, cardume de sardinhas sob ataque, mas nada tão soberbo quanto este senhor dos mares a navegar tranquilo, como se os mergulhadores não estivessem ali, jogando luz sobre tanta história. Poeta, o peixe, o velho peixe é simplesmente deslumbrante.