segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defendo sempre o direito que tens de dizê-las" - Quem disse? O velho nem se lembra mais. Certo é que esse enunciado é pilar da democracia, de civilidade, de convivência entre as pessoas.
Tenho uma amiga chocada com a quantidade de brigas no Face, seja por política, futebol, religião. Por conta de discordâncias, muitas amizades se acabam - me diz a minha amiga. Concordo com ela.
Acho que podemos discordar, mas a civilidade há que ser mantida. Quem curou a coluna de Milton Temer? O médico Ronaldo Caiado, que já atendeu a outros militantes, vítimas de tiro em movimentos de esquerda.
Time de futebol? É, sou Botafogo. Existem outros tão melhores - basta ver a classificação no campeonato. Escalação? Não sei. Sei que eles ganham excelentes salários - regra geral - e que não perco meu sono por causa de futebol. Mas tem gente que é agressiva, que tripudia. Por que?
Política. Votei em Dilma. Tenho uma postura à esquerda, o que não me impede de concordar com muitos posicionamentos da senadora Katia Abreu e de admirar o trabalho da senadora Ana Amélia, até recentemente na chefia da RBS em Brasília.  Da mesma forma, tem radicaloide de esquerda, metido a dono da verdade, que é capaz de mentiras para defender a roubalheira, dos quais discordo inteiramente.
Mesmo com declarações em contrário, vivemos num estado democrático de direito. A presidente é do PT, o governador do maior estado do País é do PSDB.  E os dois convivem.  O PT registra em cartório a proposta de uma mudança política - isso é sério, muito sério - vale a mobilização social para debater os pontos polêmicos da proposta.  Em vez disso, tem gente defendendo o direito da meninada quebrar o patrimônio tanto público, quanto alheio. Será esse o bom caminho? Com que destino?
Gente, a sociedade abriga forças contraditórias. Existem os fatos, mas existem versões - a ficção, o marketing arrumadinho não é invenção atual, vem desde os tempos do descobrimento. Voltaire (Tratado sobre a tolerância) denuncia as falsas histórias da raiz do cristianismo. ele mostra quanta ficção tem atrás das histórias dos mártires.  Mas os mártires justificam, depois, as barbaridades cometidas por cristãos, destruindo gente com a bíblia e o crucifixo nas mãos. É a teoria para um lado e a prática para outro.
Onde nasce o direito? Vem da necessidade do estabelecimento de regras para tornar possível a convivência humana. A força do Direito está na lei, lei que embute um comando, uma norma que precisa ser respeitada.  São os costumes que estabelecem e modificam essas normas. Vale pensar que, em algumas nações, as mulheres são proibidas de dirigir carros. Em algumas situações, são mutiladas para não sentir prazer.
Olha, o Brasil não é o melhor dos mundos, mas ainda se consegue viver. Penso que posições divergentes são normais, porém há que se ter um certo cuidado para não ofender o próximo.
De outro lado, é preciso cuidado com as informações que se divulga. Há muita informação inverídica, malévola, colocada em postagens que as pessoas repetem sem perceber, com exatidão, a quem estão servindo.
Não gosto do Garotinho.  Ma ele está na tv usando dados sérios para falar dos opositores. E dados facilmente comprováveis.
As contradições existem. A organização social cria camadas da população com dificuldades de vida. Quem anda de carro, tem regras até para carregar crianças em cadeirinhas especiais. Quem anda de ônibus, se agarra num balaustre e segura o filho no colo, do jeito possível.
Porém se todo mundo, por insatisfação, começar a quebrar e sem objetivo, sem bandeira revolucionária, o caos será difícil de controlar.
Pelo menos no Face - minha amiga tem razão - vamos manter o nível e vamos respeitar a opinião alheia. Num mundo com cada vez mais gente e menos espaços, é preciso que o respeito ao próximo supere o ego de cada um. Que seja assim em nome da convivência, que seja assim em nome da paz. Par que tanta guerra?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

                                   Poema na madrugada


Quisera te dar um poema
Poema nascido do nada
No meio da sala
Onde os teus olhos fogem dos meus.

Quisera só te dar um poema,
Poema como pão amassado a mão,
Feito do carinho cultivado dia a dia,
Salpicado de bem- querer,
Bem-querer que ajuda a vida
a se perceber melhor.

Quisera te dar um poema,
Como uma flor que não morre,
Que se renova
Nos espaços onde vivemos.

Quisera te dar um poema,
Um poema simples
porque o tempo se encolhe
quando  nossos olhos conversam.

Nem sempre acontece:
Então o tempo dói
corpo envelhece
E, mais que poema,
esse grito
acorda teu sorriso
quebra o escuro
ilumina a madrugada
até que o sol
nos encontre abraçados
no melhor poema que poderemos nos dar.

                                                                Tião Freitas
                                                                     06/03/2010



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Chuva chove sexta-feira nesta manhã morna. Chove. Chove alegria simples de viver, alegria de visita dos amigos, alegria do filho em casa, alegria da casa que se transforma para o nosso conforto.
Alegria de sentir a força de tocar a obra, alegria de ainda poder trabalhar, alegria de sentir a vida fluindo em sangue no corpo. É vida. E tristeza de mais um que morre. E o reviver de alguém que nasce.
É acordar e pensar no que foi - com alegria, lágrima, dor - vivido em tantos caminhos, preconceitos vencidos, rejeições superadas, o viver de um gordo com todas as dificuldades dos olhares maldosos, da discriminação explícita, até que a força toma conta do corpo e os magros se transformam em gordos.
É viver, viver nem sempre amado, nem sempre compreendido, nem sempre certo nesse caminhar onde a presença feminina foi céu e inferno, foi prazer, ternura, amor e desespero. Pele com pele, pele morena, negra, branca, prazer e decepção. Nem sempre correto, (ai a mulher do vizinho é um problema), mas sempre olho no olho, vida que segue sem medo de explodir.
Sou ruim de viola, carpinteiro atrevido, cavaleiro tardio, remador, pescador, remendeiro de sela, um tanto poeta, roceiro pronto e acabado, caipira por gosto, amigo de um viver feliz.
Chove. Dia de São Francisco. Chove verde na roça, chove areia molhada na praia, Chove. Dentro do peito, apesar de tudo, chove esperança de que a vida de todos nós se faça melhor.
Chove. A tristeza se esconde do frio, os cães estão quietos na varanda, as notícias não melhoram mas aproveito do dia em que o coração bate correto para sorver toda a amizade que transborda pelo Face.
Que o voo do pássaro nos indique que não vão chover estrelas, mas que a vida pode ser feliz mesmo ao 70 anos. É isso: eu acordei feliz.

sábado, 14 de setembro de 2013

Pois é. Há horas em que o cavalo tropeça. Lembro quando o Grande tropeçou comigo - era um alasão bonito - e quase fui ao chão.
Vida assim é, parece cavalgada. O corpo balança, as pernas seguram, a gente pede um trago, o coração volta a bater no ritmo e vamos em frente.
Aniversário do Rômulo, sobrinho querido, veterinário competente.
Amanhã é aniversário do Tom, outro sobrinho não menos competente, mas em outra área - a fisioterapia. Como era bom o tempo dessa meninada se divertindo na Praia Seca.
Lixei o rack que armei. Cuidei das plantas - algumas - e vi que as roseiras continuam vivas. Parece que o corpo se recupera e mais tarefas aparecem.
Súbito, uma tristeza. É o tropeção do cavalo. Nada demais. Com diz Silvinha, fico garimpando beleza na florzinha do trevo, descubro botões de rosa onde não havia e só lamento que - tanto tempo depois - a orquídea que ganhei de Antonio e Isabella comece a perder a flores.
Mas a flor de maio inova e vai repetindo florada.
Uma bebida. E o corpo sente calor. Melhor assim. Não vou mesmo dirigir - e, quando vou, não bebo de jeito nenhum. Aliás, esse capítulo - pobre cerveja - vai se acabando ... mas não morre.
E que venha a segunda-feira. Há fumaças de sonho no ar.
Quem sabe uma praia? Quem sabe, remo o caiaque?
E que, lá para dezembro, a gente consiga juntar família e amigos para festejar qualquer coisa - pode ser a vida.
A morte leva gente que a gente gosta, mas esse povo fica feliz com o renovar da alegria, com a proximidade das pessoas.
Então, vale uma cerveja; e a fumaça das churrasqueira dirá que tem festa na Praia Seca. Inevitável conto com a ala mais jovem - filhos, filha, sobrinhos e sobrinhas - para que tudo saia a contento.
Vamos nos encontrar. Cada abraço, cada beijo é mais uma força para a vida. E a vida, a vida nunca vai parar. Sempre se renova. A morte, vem, é certo, mas a vida prossegue na alegria dos que vão chegando.
Morrer é inevitável, mas quero morrer feliz.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Faz muito tempo, a construção começou.
Compramos o terreno,  Praia Seca era um paraíso onde o pai comprara seu terreno. Crianças pequenas, poucas casas, mato em volta.
Vinte ou mais espinhos no pé, quando derrubei o mato. Barraca armada, os mosquitos de sempre.
Tempo, esse tempo danado. O tempo passa, o asfalto chega perto, a luz - ainda não é boa - mas está presente.
Telefone é fácil - vale lembrar os primeiros celulares, com os meninos buscando pontos sobre montes de areia para completar as ligações.
A barraca, antiga, armação de ferro, tinha dois quartos e muita resistência conquistada no cerrado. (Campos de cerrado, Brasília, Planaltina de Goiás - aventuras escritas no tempo).
E construímos - com dificuldade - dois cômodos e um banheiro. Como cabia gente e criança na construção simples!
Fios mal distribuídos, luz emprestada.
Arrumamos o piso, os fios mas o telhado continua de amianto. A casa cresceu em mais um quarto, varandas de piso de cimento.
Agora, o quarto lá de trás já tem laje e a obra começa. Vem laje, vem telha, ferro, tijolo, cimento.
Já não é poesia: a casinha simples, lá no fundo do mato, ganha ares de construção civilizada, sem goteiras, sem poeira mas ainda a casa aberta para os meninos (e menina) grandes, netas, neto, amigos, amigas.
Importante é o espírito da casa que continua aberta aos amigos, disposta para a festa, onde a churrasqueira é fundamental.
E a varanda permanece, a espera do violeiro, dos amigos e amigas para cantarmos na noite tristezas e alegrias sob a luz da lua.
Ali perto, o mar sussurra na praia a história de meu pai, que nos levou para Praia Seca e, um dia, pouco depois do meu aniversário, foi se embora sem querer.
E, quando o tempo esquentar, lá vou eu de volta para lagoa, remar e rememorar o tempo, a vida construída, a casa pronta, mas não acabada porque, como a vida, a casa se reconstruirá em flores, cores, amores por todos os que vierem conviver conosco.
A casa na Pernambuca, ali na Praia Seca, mais o sítio na Bicuíba, formam o espaço que temos para achar a melhor forma de viver. E os amigos e parentes têm lugar permanente nesse caminhar. Que venham! Haverá sempre um lugar para quem chegar.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A palavra é OBRIGADO, assim mesmo, em caixa alta, gritado a plenos pulmões!!
Obrigado à tribo do Facebook, pelos registros de amizade e a beleza das mensagens.
Obrigado à família, família que me envolveu da melhor forma possível.
Obrigado aos que vieram de longe, obrigado aos que me ligaram, obrigado aos que me escreveram, obrigado pelo som de tantas vozes em volta da churrasqueira, conversando enquanto a fumaça subia.
E teve bolo, presença de neta, de filha, de filho. E Pablo que, lá do Chile, entrou na roda via Skype.
Duas tias, duas queridas pessoas da geração acima da minha que participaram da roda, roda de muito carinho, de muito bem-querer.
Sobe fumaça, chega gente. Chegam amigos, amigos antigos, novos amigos, amigos convidados de última hora, amigos  que são presença em todas as brincadeiras.
Pisei na bola, não convidei quem gostaria de ter ido. Posso pedir desculpas?
Ausência sentidas. Presenças encantadoras. Água rompe a barreira dos olhos quando a emoção toma conta, inflada pelo carinho, pelo bem-querer  revelado nos abraços, nos sorrisos inesquecíveis.
A cada um, muito obrigado. A todos, muito obrigado. Muito obrigado a Amélia, que preparou o peixe da sexta-feira. Obrigado a Claudia pelo excelente bolo de chocolate - muito bom - que comi com gosto.
Que seja a festa. Que amigos e família possam se reunir para celebrar a vida, para agradecer a Deus a beleza do astral que nos conduz. Obrigado pela emoção que sacudiu a vida durante três dias. Obrigado a Dil, sempre na retranca da inevitável confusão.
Obrigado aos anjos que me permitiram viver para festejar. Santos, orixás, guias: Um muito obrigado a essa sentimento que me permite ser feliz. Ser feliz e gostar da vida.  Obrigado!

domingo, 18 de agosto de 2013

Vida vivida. Sofrida vida, alegre vida de um caminhante sem tréguas. Por amor andei, por fé me movi, corri, sonhei poesia entre amores e de amor carreguei a vida.
Fugi de brigas, enfrentei brigas, colhi os frutos do que plantei. Nem todas as metas aconteceram, nem sempre o vento foi favorável, nem sempre o texto me alimentou.
Caminheiro. Apaixonado. Apaixonado pela flor no jardim, capaz de atravessar a rua olhando para o céu e levar a bronca do tio, que vinha em sentido contrário.
Hoje, as pernas cansadas, ainda planto esperança no caminho em que vou. Vou acompanhado, acompanhado - às vezes só - vou na rota do sentir a vida refeita a cada dia.
Que bom os filhos, que bela é a festa, a festa sem a morte, a festa pela festa, para que as pessoas se reencontrem, cantem, vibrem porque não quero perder a tradição das almas juntas, num feitio de oração para agradecer a existência de todos nós.
Gente, como é bom cada elogio, cada presença, cada beijo, cada abraço vindo da simples amizade, do carinho, do amor registrado em cada postagem desse Face.
Tem qualquer coisa errada no meu peito. Nasci urbano, cresci praiano, mas é no sertão que quero ver a lua iluminar a mata, quero ouvir, bem cedo, canários e sabiás.
Mas nesse peito torto ainda há espaço para fazer da saudade a certeza de que viver - perigoso viver - é uma questão de gostar do caminho, apesar das inevitáveis tristezas.
Os troféus não são poucos. Filhos, filha, netas, neto me cercam com alegria. Amigas, amigos andam sempre comigo. A riqueza de um homem é este baú de afetos, que gosto de exibir sem medo. Tem ainda o embornal da saudade, onde histórias se escondem e se mostram.
Ainda resta a fé, fé sem religião, fé que levo comigo, fé num mundo melhor - não sei como -   fé num Deus de ternura que me conduz pelo mundo. Se o amor entornar do peito, mil perdões. Assim é o meu jeito simples, simples jeito de viver.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A poesia me acordou, apesar da chuva. Esqueci crianças da África, mortos da Síria, pessoas destroçadas pelas guerras, ou bombas de Israel. 
Quero a poesia. Invoco os mestres. Nara canta delicado.Vinícius. Tom. Dessa forma, o dia fica mais bonito e me lembro das amigas, queridas amigas que me incentivam a escrever esses textos sobre o cotidiano e não aparecem quando falo de política. 
Musas da poesia me dizem que o frio é aconchegante, que o vinho - bom vinho - me fala de canções, de amor, alegria.
A cada dia, é preciso achar o sorriso logo pela manhã. 
Surfo na ondas do Papa, que espalha simpatia por onde anda, prega a paz e convida representantes de outras religiões para participarem da missa em Aparecida. A informação teve pouco destaque, mas é a nota de novos tempos para a igreja. Ando longe da religião, mas não perco fé. E a crença é mais espírita que católica. 
Bom, sigo em busca de um café quente. Vou enfrentar a umidade da oficina com a esperança de que um dia, ao acordar, o mundo tenha desistido das guerras. Não custa sonhar.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Olho as fotos da página. Fogo da festa, água da lagoa. No caiaque, Felipe brinca com Sofia e Hanna. Neta e sobrinha-neta. As dua meninas adoram a lagoa, o sítio, a Praia Seca.
Esse é o lado gostoso da vida: o caiaque singrando água mansa, em dia de sol e água quente. 
Hoje? Tenho que reconhecer que está frio. Não é o frio chileno que enfrenta Pablo, com 8 abaixo de zero. É um frio para nos fazer tirar agasalhos da gaveta. Estranho tempo. A queda de temperatura andava rara por aqui mas, este ano, o inverno mostra que existe, num dia cinza, chuvoso e frio.
Uma sopa quente, um caneco de vinho, um jogo na tv. E a vida segue mansa nesse final de lua cheia.
Mexo na oficina, colo madeiras - a umidade está por todo lado. Quebro a cabeça para remontar uma pequena mesa que desmontei faz tempo.
O quintal está limpo, preciso cuidar das plantas, não hoje, com essa chuva fina.
Já fui bom para enfrentar frio e não tinha medo de chuva. O tempo passou. Preciso de meias e sapato, preciso de agasalho, boina. Mas não fugi do chuveiro e não adianta praga: o chuveiro não queimou!
Gosto do frio, é verdade, mas nem tanto. E gosto do frio com céu azul, noite estrelada. Faz lembrar caminhada na serra, viagem para o sul. Voltam imagem de cachoeiras frias, árvores amarelas de flor enfeitando a mata.
Enfim, o calor dessa casa me aquece, me aquece o carinho que me rodeia e vou dormir tranquilo, já recuperado da alergia que me levou para a emergência no sábado.
É hora de dormir. Só posso sonhar com viagens no gelo. Chega de frio.
Guerra e trégua
Informações preocupantes me tiram o sono. O futuro, como será o futuro?
A ala jovem - Solange Marreiro e Bruno Freitas - não se conforma com meu pedido de trégua e, civilizadamente, coloca seus argumentos em defesa dos manifestantes. 
Certo. Que informações me incomodam? Primeiro, a informação de que o PT estaria armando um golpe de estado, padrão Venezuela e o caminho estaria traçado na página do partido. Fui ver. Realmente, o PT está com documento registrado em cartório, formando listas de assinaturas, com o objetivo de propor um projeto de lei, de iniciativa popular, no sentido de "aperfeiçoar a democracia brasileira, alterando o sistema político-eleitoral". A proposta inclui financiamento público de campanha, voto em lista pre-ordenada por partidos políticos, aumento compulsório da participação feminina e convocação de uma Assembléia Constituinte sobre reforma política. Slogan: "acabe com a força do poder econômico nas eleições e aumente a força do seu voto".
Há projetos de cartazes e cartilhas por estado. Coisa de profissional.
Analistas indicam que, rejeitado esse projeto, apoiado no clamor das ruas, o PT partiria para o golpe. A conferir.
Segundo, a informação de que militares estariam se mobilizando para enfrentar a estratégia do PT. Fui conferir o site do Clube Militar. Há diversos artigos, publicados na mídia, sempre no sentido de condenar a "baderna". O governador do RJ não é poupado e há críticas ao governo federal, porém nada assinado por militares.
Então vamos ver se consigo enxergar alguma coisa: clamor popular. A polícia do principal aliado do PT colaborando com o caos. Um morto, estado de sítio ... Será esse o caminho?
Deixo essa trilha. Que tal fogo amigo? Há um cisão pública no partido. será que o presidente do PT quer o posto de Dilma?
A movimentação do PT pode ser porta aberta para uma reação à direita, com base no combate à corrupção e à baderna. Seria triste. A quebra institucional para um ou outro lado, a meu ver, não interessa ao País.
Administrativamente, os dados que se tem são terríveis. Investimentos dirigidos para obras faraônicas, todas deixadas para prazos emergenciais, como forma de ampliar despesas de maneira desmedida. Entra aí a grande colaboração da iniciativa privada, que se beneficia dos esquemas e serve de duto para transferir recursos da erário público para o bolso dos políticos.
Quando se fala em ensino, saúde, segurança - os investimentos são nulos. Agentes do estado - extensão rural, agentes de polícia - padecem com a falta de combustível para seus veículos. Quando as ambulâncias abandonadas são apontadas como verdadeiro vandalismo, tenho que concordar.
E, por fim, os conflitos de rua. O que incomoda é a radicalização, o quebra-quebra. Manifestação pacífica tem até batedor para abrir caminho. Não tira o sono dos "governantes". Mas se é a própria polícia que está radicalizando, a quem interessa o movimento?
Gente, a contradição é séria. Polícia violenta, para mim, é pleonasmo. E polícia bater em imprensa - tive meu batismo de fogo - também não é novidade.
Estamos mudando o País - dizem os manifestantes. Ou estão fazendo o exato jogo do PT?
O poder, o poder econômico, que já financiou repressão pesada - Guerra Suja está aí para quem quiser detalhes - não vai deixar barato.
O que me incomoda é essa coisa sem cor, sem bandeira, sem proposta. Tem cheiro de manipulação. Reforma política pode significar golpe. Será? Com a palavra, a ala jovem. É preciso investigar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Chega de guerras

O neto mais novo, Luan, completa dois anos. Ele mora longe, no Chile, mas a tecnologia me deixou conviver com ele na semana passada. A vida segue assim: no mesmo dia, aniversário da Claudia, com direito à fogueira e muita fartura.
Fica o abraço e um beijo para o Luan. Quem sabe, no futuro, ele possa ver essa postagem?
E vem o papa. E vem a guerra. Nada a favor de Sergio Cabral, mas será que não dá para adiar a guerra, pelo menos em homenagem ao papa?
Vamos lá. Corrupção não é novidade. Novidade são os meios de comunicação divulgando o que acontece, novidade são operações para apurar erros, novidade é o poder gritar contra o que está errado.
A bandeira é apolítica? Ledo engano. Na hora em que se pretende derrubar um dirigente, a atuação é política.
Evidente que há uma desilusão muito grande com os partidos. Isso porque as propostas ideológicas foram abandonadas e a política passou a ser uma geleia geral, onde os acordos superam as propostas ideológicas.
Mas, o que se deseja? Mudar os dirigentes? Uma revolução? Mortes? Será que o caos apontará o caminho? A questão da radicalização nas manifestações não passa de forma de atuação. A direita é especialista nisso. Uma ala militar Partiu para colocar uma bomba no Rio-Centro. A explosão deixou às claras a forma de agir da ditadura.
Será que é esse retrocesso que o País deseja???
Nas postagens, há uma confusão ideológica muito grande. A presidenta é acusada de ser fascista aqui e, logo ali, é apontada como comunista. Olha, não é preciso entender muito de comunicação para perceber a manipulação capaz de empulhar inocentes lotados de boa-vontade, porém com baixo espírito crítico para enxergar o que estão realmente apoiando.
A cara coberta dos manifestações é a ponta agressiva do descontentamento e, por contundente, é a que mais incomoda aos dirigentes. E assim se fazem as revoluções: bombas, mortes, grupos para-militares a consumir equipamentos bélicos, fabricados pelos países ditos "desenvolvidos". É isso que queremos? Um modelo sírio?
O papa está no Brasil. Além de líder católico, é chefe de outro país. O que interessa denegrir a imagem do País?
A minha proposta é simples: trégua. Ou será que o povo quer ver o sangue dos manifestantes manchando a batina do Papa?
Trégua. O mundo, no meu entender, não precisa de novas guerras.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lamento

Se a Lua, no céu, às 17 horas, fala de luar e poesia, das feiticeiras amigas que voam nas noites claras, a tristeza me fala que a água corre no peito, apesar dos olhos secos, olhos que querem ver a beleza das trilhas do outro lado da vida. E, do outro lado, num caminho de luz , posso imaginar Dagoberto indo para o sítio em Maricá, para ver seus bichos, suas plantas, a casa.
E aí Tião?
Primo, não tem mais jeito. Você, menino valente do sorriso franco, brigou sério com a doença. Briga sem quartel, briga conduzida pela esperança de voltar a ver o verde do campo, as frutas maduras nas árvores que você plantou.
Não deu mais. Jorge Dantas disse que nós três - depois que o Pai foi embora - estávamos na linha de frente. Ele foi logo, cerca de um mês depois. Agora, foi você. Vou ficando enquanto Deus quiser.  Deixei, por muito tempo, sua foto comigo e Vandinha ali no Face. Três primos, festa do meu aniversário no ano passado.
E brincamos em Jacarepaguá, no quintal lá de casa, fui com você conhecer o Arpador - eu, menino do mato, ali naquele paraíso - saímos na noite para namorar as meninas em Pedro do Rio.
Você, minha proteção nos corredores do Pedro II.
E agora? Já não tenho sócio para o doce de laranja, nem parceiro para transportar bezerros entre a Bicuíba e Maricá.
E a grande madeira? Quase acertou seu pé.
As lembranças - boas lembranças - são muitas.
Difícil não chorar. As lágrimas correm, mas prefiro lembrar de Luciana, dizendo que cantou para você e você dormiu.
Dorme em paz, meu amigo. Um dia a gente se encontra. Fica meu abraço nesse lamento sem fim.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Roça

Saí cedo. Pascoal foi comigo - cavaleiro, paraibano, como eu, nascido em no milênio passado, em 43 e no mês de agosto, companheiro de muitas cavalgadas, adversário na troca de cavalos - um irmão. Compro ração, adubo arame. Sigo pelo asfalto, pedágio - essas coisas corriqueiras. Parada em Tanguá, onde a padaria pequena tem movimento grande, pão gostoso e café quente.
Depois, mais estrada. Minha estradinha de chão batido, poças em consequência da chuva dos últimos dias. Corujinha na cerca. No alto da árvore seca, o grande gavião  com jeito de falcão. E tem canarinho da terra voando na frente do carro. Sol, sol bonito de inverno, num céu azul de poucas nuvens.
Carro corta o tempo, logo a gente chega, essa mania de dar milho aos bichos - Corre pato, galinha, peru. E o cavalo pampa encosta na cerca como quem diz: também quero.
O lago não esvazia - o inverno é chuvoso. Capineiras brotam, tem mais um cacho de banana d'água pendurado na varanda. Alamandas com pouca flor, roseiras brancas, vermelhas, pequenas, grandes recepcionam quem chega na porta da horta.
O tourinho Jersey  - Cacique, cacique sem boiada - vai ficando bonito, junto com a novilha Querência, os que ficaram depois da venda dos bichos. E lá vai ele, testando cercas da capineira, em busca de melhor alimento. E ela ostenta a enorme barriga, barriga que garantirá o leite para futuros queijos.
Passa Damião, que voltou a beber. Adilson está na oficina, de biscate e diz que deixou de beber. Nem fala do potro que vai amansando, Cascudo está na estrada, controlando as vacas, em busca de pasto.
É a roça. Garça que sobrevoa o lago. Marrecas que não aparecem. Um sabiá que canta longe. Leandro, que fala pouco, está atento a todos os movimentos. E cuida da horta. Olha os cavalos. Recolhe os ovos. Deita as galinhas.
Dirigi na ida e na volta. Confesso que quase dormi - mas foi um pequeno lapso, desses que deixam o filho preocupado.  É desse jeito. Fico feliz em cumprir minha tarefa, em sentir que ainda posso tocar - com deficiência, entendo - o pequeno sítio de tantos gastos e poucos lucros.
O que sobra? A satisfação de menino que conserva seu brinquedo mais caro. Não chega a ser um empreendimento. Não consegui chegar ao sistema de produção que gostaria. Então, o sítio produz alegria, encontro, felicidade, churrasco, comida sadia. E algumas rugas de preocupação na face da mulher que divide comigo os pedaços da vida, se bem que ela anda revolta com os pulos do carro no enduros do caminho.
A perna dói, o coração esperneia, o rim grita. E daí? Enquanto o vento soprar forte - forte de quebrar telha - enquanto o granizo não respeitar telhados e deixar a parabólica sem funcionar, vou continuar achando graça dessa vida da roça, onde encontro prazer e poesia na flor da orquídea que desabrocha mais uma vez.
Já de volta, no silêncio dessa casa vazia - só escuto o ventilador do computador - fico rindo sozinho das minhas loucuras e nem parece que no mês que vem, mês de muito vento, mês de cachorro louco, eu fico mais velho novamente. 70 anos. Que posso fazer? Vou comemorar!!! É mais um louco fazendo festa!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Coisas do amor
Se falas de saudade, falo de amor.
Sei lá, queria mesmo era derramar este velho baú encravado no peito, de recordações repleto, de pranto, alegria, grito.
Falo de amor porque fui deixando a saudade guardada, para que ela não transborde pelos olhos: saudade de amores perdidos, saudade de gente querida, saudade do que fui - não sou mais.
Então, falo de amor. Amor que se estende como teia pelas vias da internet, amor por esse contato fugidio que se faz nas postagens, amor pela atividade que ainda posso desenvolver.
Amor. Amor que me faz viver melhor quando penso que gosto dos bichos que tenho, da estrada em que trafego, do abraço carinhoso dos filhos, dos parentes, dos amigos, das amigas. Certo, grande parte desse carinho é cibernético, mas existe e transcende ao simples viver.
Amor pelas mulheres que ficaram, amor pelas mulheres que existem - São Vinícius me ajude - amor pela mulher e por tudo que ela representa na vida gente: lágrima, tristeza, alegria, explosão, filhos, companhia.
Eterno enquanto dure? Sim, poeta, é assim. Então não posso negar essa amor vivido, de tantos anos, de dormir junto, adoecer e melhorar, esse amor que é companhia e convivência, que é paixão e compreensão, que é dúvida e certeza, que é escovas de dente juntos, que é céu e mar, entendimento e até discussão. Mas é amor que se revela em pequenos detalhes do café da manhã, o remédio cuidado e, por fim, o abraço que ainda é o canto do amor feito vida, vida poeta - você diz - repartido em cama e pão. É repartir angústias, é estender a mão no consolo da noite, quando a dor da velhice é inevitável.
Amor. Continuar sorrindo, acreditando na vida quando nossos cabelos brancos não disfarçam nossa idade.
Amor que cobra presença, presença que é a essência desse sentimento que se estende ano a ano, enfrentando tempestade e bonança.
Amor, porque sem amor a vida não existe e nós conseguimos uma vida, uma vida juntos, uma vida vivida com muito amor. E mais não digo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Saudade doída do meu caiaque!
Saudade da lagoa, braçada a braçada, para voltar salgado e feliz.
Amanhã, por que não? Vou encher os pneus da bicicleta. Se der uma volta, será bom demais!
Ganhei, de presente, uma fogueira. Chama clareia a noite, noite depois de um dia de churrasco e feijão  à moda da D. Dil, que, como sempre, assume com carinho  a direção da brincadeira.
Batata-doce, aipim, cerveja. Tomei meu gole com parcimônia. Faltou coragem para montar. O carinho dos amigos, da família - valeu a pena.
Madeira serrada, casa de cachorro pronta, bancada móvel planejada, pequena mesa a ser reestruturada. Carpinteiro, a mais nova profissão, que vai se aperfeiçoando com dicas da internet.
Ainda não consegui chegar às plantas, mas vou conseguir.
E tem fila de leitura: "Paris é uma festa", "Pedra do Reino", "filosofia". A cabeça não pára. Há que brincar com o tempo, encher espaços e fugir da depressão. Tudo que faço, agora, é lento. Viver é ter paciência e brigar para que a cabeça não se perca.
De resto, é visitar o irmão que se recupera lindamente, depois do infarto. A prática de Pilates recupera alguns movimentos que a artrose destrói sem dó.
De longe, vejo um País que se agita. O importante é não virar mais um quintal para os senhores da guerra. Já chega o Campo Novo, bem aqui perto, onde não posso mais passar, porque os traficantes não deixam. O carro da polícia vai lá sempre, o povo só imagina o porquê.
Melhor ficar com a saudade do mar de Praia Seca e contar com um dia de águas tranquilas, para poder chegar sem medo, de preferência, com a garantia dos filhos por perto. A tristeza acontece, concordo, mas não desisto de buscar motivos para ser feliz.
Vou lento. Mas continuo vivo. E ser feliz talvez seja consequência dessa forma de encarar a vida, colado com o sol, com o verde, com a água e com esse fogo de festa junina que me faz recuperar a gana de viver, seja lá como for.
Ainda tenho algumas loucuras para aprontar. Vamos ver o que consigo.

domingo, 30 de junho de 2013

Deu Brasil!!!
E que jogo!!!
Lógico que assisti! Assisti na Globo, na Band - olha, isso é um privilégio! Na Copa da Suécia,  nós ouvimos pelo rádio!
Houve um jogo - acho que foi o primeiro gol de Pelé que ouvi narrado - em que o silêncio, na Cinelândia, era total, até o grito de Gol!! Acho que o jogo - difícil - foi contra a Hungria.
Vai lá: religião, cada um tem a sua.
Time, cada um escolhe o seu.
Mas seleção brasileira, nem com os generais, deixou de ser Seleção! E esse doido do Felipão consegue o milagre! Os meninos jogaram como há muito tempo eu não via!

A nota destoante foi o enfarte do meu irmão Antonio, um dedicado professor de Educação Física e louco por futebol. Pelo menos, sei que ele está alegre com o resultado da seleção.
Vamos esperar que  os médicos consigam deixá-lo novamente em condições de dar aulas - paixão que ele não esconde - e de praticar esportes. É um irmão muito querido. Temos andando juntos nos últimos tempos, em atividades como sítio e lagoa.
Ele monta e sempre me incentiva a montar. Meu coração, que já não vale muita coisa, está apertado com esse evento.

Jogaram pedra na polícia???? Nada, foi a Dilma que mandou a polícia atrás de gente pacífica para bater. E os caras, de plantão, estavam irritados, sem ver o jogo!
Tem gente que não quer a Dilma: dizem que é fraca!!! A turma machista está contente. "Não falei? Quem manda votar em mulher!".
Em termos de força, recomendam um General para substituí-la. Como repórter, sou isento e apolítico. Sou estou relatando.
Amanhã é segunda-feira, eu já comi um doce, a adrenalina está caindo e acho que vou encarar uma cama. Aqui, onde moro, já foi terra de índio. Será que vão me deportar na próxima caravela? Vou acordar cedo, para saber o que vai acontecer.
Tem outro que quer acabar com o agronegócio. Legal. Ninguém mais planta, nem colhe e os urbanos vão viver de luz!!! Que lindo!

sábado, 29 de junho de 2013

São Pedro
Em Jurujuba, a festa de São Pedro acontece e não dá para comer um peixe: o guarda nos aconselha a  voltar! Houve a procissão e só vi o retorno de alguns barcos, ainda enfeitados.
Amanhã é domingo, possivelmente, um domingo de sol. Mas cadê ânimo para viajar? O corpo anda doendo menos, mas as muletas tornam a vida cansativa. Os cães festejam: não ficam sozinhos. E eles murcham quando saímos de casa.
Na volta, Fumaça late, late forte como se brigasse por causa da nossa ausência.
Bom, atividade não falta. A carpintaria vai funcionando e fico caprichando na casa de cachorro, que está em fase de pintura. Trabalho de velho é pouco, mas acaba dando certo. E o cabo da peixeira recuperada já está envernizado.
Depois, tem o youtube  com aulas sobre uso da serra, da tupia, além de mostrar inventos plausíveis para uma oficina caseira.
Tênis velho, calça manchada de tinta, camisa. Esse é o uniforme da oficina - calçado e meias são essenciais par enfrentar o mosquito.
Ainda não cheguei nas plantas. Vasos e mais vasos estão à espera para o plantio.
Aqui no Face,  acompanho os protestos, as postagens dos amigos, os comentários de quem sabe de posicionar dentro do que se pede para o País:  honestidade, respeito, ética, educação.
As mãos não são mais firmes, porém é preciso seguir, não é possível parar. É preciso estudar, ler e desenvolver algum trabalho físico. Na sociedade atual, a tendência é de que os velhos fiquem segregados, quietos, sentados num sofá à espera do fim. Há exceções, há quem consiga entrar em programas interessantes, mas nem sempre é assim. A grande luta é para que a lucidez não se acabe, a grande luta é para prosseguir gostando da vida, a grande luta é para aceitar o remédio nosso de cada dia, a grande luta é para não desistir e deixar que a corrente leve o corpo embora.
Sempre acontecem as alegrias, como a fogueira de sábado passado. Nada organizado, mas a família responde presente e os amigos de fé não falham. Pouco fiz, mas gostei do que vi. Também é alegria o aniversário da Corina, a amiga que me fala de formas carinhosas para admirar a natureza, a vida, no caminho de Deus. É a moça da Lua, com seu jeito de quase feitiço.
Fotos do Iram, Expedito sempre irritado, Solange na luta para mudar o País, Silvinha sempre amiga, Álvaro a favor da maconha, Jurema e Reti com seus muitos bichos, Aninha com seus doentes - minha amiga capelã - irmãos, filhos, sobrinhas - a família de sangue na minha família do mundo: tudo isso é a Internet, que me ajuda a viver.
O perigo é essa facilidade de comprar ferramenta, caiaque, bicicleta: ainda bem que Dil anda por perto e controlo minhas loucuras. De quebra, navego músicas de todos os cantos do País e ainda me deixo encantar com a beleza nordestina das meninas do Clã.
Quando a tristeza vai chegando, fujo para a alegria e há sempre uma palavra amiga, um sorriso que me diz que a vida, ora a vida, mesmo doída, vale a pena ser vivida. Não sei se sou fiel: são muitos os afetos que cultivo. O coração é rachado, mas ainda não se cansou de amar.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Bala
Um objeto de metal no quintal da frente da casa. Simples: um projétil de arma de fogo. Uma bala de grosso calibre.
Repressão no Rio, os bandidos se mudaram para o Campo Novo. E tem gente armada nos arredores do Posto de Saúde. São Gonçalo nunca foi um município pacífico, mas daí a encontrar bala no quintal, é a primeira vez.
Nessa divisa de Niterói e São Gonçalo,  tudo falta.
Solange Marreiro, a guerra é séria por aqui. Tem um carro do Detro na Caetano Monteiro, para que as vãs não passem. Quando elas passavam, havia ônibus com mais frequência. Agora, eles taxam os passageiros como "mercadoria" exclusiva e deixam ficar no ponto.
Então, a pauta de transportes precisa partir de uma planilha (técnicos de universidades e outras instituições podem elaborar) para estabelecimento de uma tarifa justa. E depois: obrigatoriedade de horários, inclusive depois da meia-noite, exigência de veículos em condições de transportar gente, punição para a lotação em excesso.
Na educação, sugiro, para começar, o fim da aprovação automática.
Peço desculpas pelo radicalismo, mas fica a sugestão de adoção de medida chinesa: bala na nuca para político corrupto.
Silvinha Lanfredi, concordo com a reforma prisional. O sistema faliu, não recupera ninguém. Há que mudar, graduar, separar e mandar meia-duzia para o capeta cuidar. Está ficando difícil continuar bonzinho.
Conversa nossa no café da manhã: vamos chamar o Lineu, sim o Lineu da "grande Família": é preciso fiscalizar os mercados que desligam geladeiras à noite. É preciso prender que inventa o quilo de 900 gramas.
A classe média não tem fôlego, não acredito. Esses que estão tocando fogo são bandidos, que se aproveitam do protesto para roubar e destruir. Não são radicais. São o produto de um tecido social que se esgarça e dá como resultado esse tipo de juventude.
E tem mais: há empresa em Niterói que se recusa a mexer no valor da passagem.
Pena que as lideranças políticas que deveriam conduzir as mudanças - mudanças políticas, claro - se perderam.
Bom, fica o desabafo de um velho, irritado com uma bala no quintal. Não adianta quebrar cadeira - cadeira nós pagamos. É preciso cadeia. Cadeia ou poste. Do contrário, a pizza está quase pronta.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Entrevero 2
Meninos, meninos eu vi. Vi e participei. Ficava até tarde nas assembleias sindicais para noticiar as greves. Repórter do Jornal do Commercio do Rio, eu era responsável pela coluna sindical. Trabalhava até tarde. Dia seguinte, turno da manhã no Pedro II.
Foi assim que vi o comício da Praça da Bandeira, com a participação de Jango, então presidente da República.
Foi assim que cobri as reuniões do CGT e conheci líderes como Hércules Correia dos Reis, Dante Pelacani,.o genial orador Roberto Morena e outros mais. Conversei muito com nosso professor Bayard Boiteux, mestre de matemática no Pedro II.
As grandes manifestações, com a participação sindical e estudantil, incomodam a direita. Não havia internet, tv ainda era fraca e o oradores apareciam, empolgando as massas.
Muito debate, muita discussão.
Final de 1963. Fim do período colegial. Formatura no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A vida segue, vestibular, Faculdade de Direito no início de 1964. Reforma (esquerda) e ALA (direita) procuravam cooptar os calouros, ainda um tanto indefinidos sobre suas convicções políticas.
A festa democrática tinha lugar para o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e grupo do 11 (o ideal da guerrilha à esquerda). Vamos considerar as duas posições como extremas. A massa, nos sindicatos, queria mesmo era melhorar de vida e dava gosto ver as atividades do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, capaz de editar apostilas e uma revista - Época - de boa qualidade.
Mas o discurso anticomunista tomou força. Diante de uma esquerda mais barulhenta que organizada para a guerra, foi fácil aplicar um golpe, que começa em 31 de março e eclode a 1° de abril de 1964.  Golpe que derrubou o governo instituído pela força das armas. Golpe porque fala em democracia mas fecha instituições democráticas, cala opiniões contrárias, institui a tortura e o medo.
Saudade do excelente professor Francisco Magabeira, de Economia. Saudade do clima gostoso de debates que havia na Faculdade. Foi tudo embora, levado de roldão por uma onda repressiva, com instalação de comissões de inquérito em todos  o lugares. Balas marcaram a frente do prédio da Faculdade.
As eleições sumiram, o debate acabou, os colegas passaram a ser inimigos. Na minha cabeça, texto de um depoimento na Comissão de Inquérito, presidida pelo Professor Theófilo de Azeredo Santos, depois feito líder do sistema financeiro:
- Não estive na faculdade nos dias 31 e 1° de abril, mas são conhecidos como notórios comunistas fulano, sicrano e beltrano...
Não era mais uma escola, era um palco de lutas, até mesmo corporais. Quiseram bater no Boa, eu acertei o cara depois tomei um soco por cima da orelha, que me deixou zonzo. Foi a briga do 4° andar.  O diretor, Helio Gomes,  até então seguidor de Jango, virou a casaca e saiu punindo alunos, sem pena.
Já não há mais sindicatos, nem lideranças, nem oposição.
A partir daí, acontece o Caco livre, acontecem as manifestações de rua - uma luta de pigmeu contra gigante.  Soldado no combate, tomei muita pancada mas, pelo menos, sabia porque estava lutando.
Ainda me lembro do frio na barriga que a gente sentia antes das passeatas: lembrança boa é esperar na Uruguaiana, braço dado com Norma, para soltar o grito na rua. Diferença crucial: as balas não eram de borracha.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Entrevero
Naquela noite, Dona Amelia chorou. Ver o filho machucado, camisa rasgada, não foi nada bonito.
Estudante do Pedro II, repórter de profissão. 
Que tempo? Final de 1963, possivelmente. 
-Vai cobrir essa reunião do Conselho Nacional de Petróleo - ordena o chefe, charuto na mão. 
O repórter segue par av. !3 de maio, ali no centro do Rio. Pauta furada. Não tem reunião. Consegue um telefone, liga:
- Não tem a tal reunião. Será na semana que vem, mas tem um comício aqui na Cinelândia. Quer que eu cubra?
- Está bem. fica por ai. Ordem mastigada, um quê de insatisfação.
Praça. Palanque armado na escadaria do Municipal. Fora governo, fora Santiago Dantas, chamado de "Santiago de Cuba", por causa da comenda dada a Che Guevara. Lacerda, governador do então Estado da Guanabara, era contra o governo federal e mandava na PM.
O comício corria, a PM anda agitada, até que, na escadaria do teatro, do lado da av. Rio Branco, começa uma confusão.
Rápido, o repórter chega até lá. Um homem tenta arrancar uma faixa das mãos de uma senhora.
- Não faz isso com a senhora!
- Faço, sim!
- Não faz não.
O diálogo foi rápido e áspero.
O repórter pega nos pulsos do homem e o empurra. A PM chega, chega batendo.
O homem se identifica como policial, investigador do DOPS, e a carga cai sobre o repórter.
Menino criado solto em Jacarepaguá, o repórter aguenta, não cai, não entende. Cabeça atingida, corpo que dói, chutes. Flashes, fotos.
Conduzido para o carro da polícia, o repórter ouve o discurso do deputado Eurípedes Cardoso de Menezes, do PDC - Partido Democrta Cristão:
-É comunista, senhores, merece apanhar!!!!
Como? Não era comunista. Católico, família alinhada à direita.
Pulsos amarrados com uma cordinha, jogado na caçamba e lá vai para o DOPS- a Delegacia de Ordem Política e Social, repressão política explícita;
- Liga para a redação!
Ligaram. Quando desembarca na rua da Relação, o tira tenta desfazer as marcas da cordinha no pulso do repórter. Depoimento, liberdade, redação e caminho de casa.
Dia seguinte, ânimos serenados, corpo de delito.
O investigador vira um conhecido:
- Você deu sorte. Quando você me empurrou, tentei sacar o revólver, mas enganchou no cinto e a PM chegou batendo. Eu ia atirar.
Hebert Moses, presidente da ABI, manda um telegrama de solidariedade.
De volta à noite anterior: o repórter foi para casa no carro do jornal.

Minha mãe chorou. O repórter era eu.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Namoradas

Namorada! Como foi difícil a primeira namorada! E a menina que tentei namorar - não deu certo! E a paixão doída dos tempos de colégio? Insegurança do gordo, que não se via bem na fita. Pior: o acreditar na história de minha mãe que filho dela era para respeitar a filha alheia. Custei a sair dessa pilha!
Certo estava meu irmão que, quando questionado, respondia:
- Não mãe, não fiz mal! Fiz bem, ela bem que gostou!!!
Mas as namoradas aconteceram. E como era bom namorar, como foi bom descobrir que o gordo também tinha direito às namoradas, além das muitas amigas que fizeram sempre a vida um tanto melhor.
Namorada! Era um Rio diferente. A noite não respirava tanto medo. A gente podia andar na praia, namorar no escuro do cinema ou ali, naquele canto escuro do clube, durante o baile.
Melhor, havia bailes e a gente dançava, percebendo e admirando essa coisa sensacional que é o corpo das mulheres. Nesse rodopiar, o gosto fica forte, a gente se empolga e a paixão acontece. Mais que a paixão, acontece a promessa, o contato, a dúvida, o querer sem saber exatamente até onde ir. A liberdade tinha lá seus limites...
A namorada de hoje? Continua a mesma de muitos anos.
A adolescência acabou, o vida mostrou caminhos e caminhos. Casamento. Casamento desfeito. Mas o amor se renova, a vida recomeça, a noite tem olhos de gata, de onça brava, de cabra mansa. Barco solto em mar de doido, não foram poucos os portos, até que a determinação de um destino me leva a um porto, onde as amarras se fixaram.
Porém o amor sempre fala mais alto no peito e se espalha, se modifica, e alastra em forma de ternura por tanta gente querida.
Dia das namoradas, dia de amor. Dia de ficar feliz apenas porque a vida segue, porque o sol brilha porque, do amor, o que fica são as melhores sensações, os filhos (e a filha) todos muito queridos.
E, para Dil, fica meu carinho maior, nesse namoro que caminha a mais de 30 anos, na construção de uma vida, de uma parceria que faz deste louco um cara mais tranquilo na forma de encarar a vida.
Para as namoradas - as marcas ficaram no coração - meu respeito e meu abraço. E que a vida nos mostre, sempre, os caminhos por onde o amor é mais bonito.
Feliz dia dos namorados, dos enamorados, do amor, da poesia. Gente, eu estou realmente feliz.

terça-feira, 21 de maio de 2013

  Almoço. Hoje foi dia do sabor, sabor da horta, sabor da roça. 
Hoje foi dia do sítio, do sabor da terra que nos fornece o melhor.
Rúcula, salsa, cebolinha, hortelã, bertalha - o show de verdinhos colore a mesa.
E tem abóbora, abóbora com sabor especial.
Tem inhame, o enorme inhame, macio cinza, muito gostoso.
Laranja, tangerina, sidras enormes, aipim, abobrinha verde - esses ficaram de fora.
Aí o almoço passa a ter um gosto de festa, de qualidade de alimentos colhidos ontem e transportados com cuidado.
E ainda tem pato na espera, ali na geladeira.
Não é muito. Na maior parte do sítio, se planta capim. Os animais agradecem.
Mas tem manga, abacate, graviola, jabuticaba, fruta de conde - e por aí vai.
Lógico, ainda tem leite - e acho que voltaremos a fazer queijo.
Por fim, tem banana. Banana figo cozida para reforçar o lanche.
No meio de tanta loucura, de um mundo tão desencontrado, dá gosto essa atividade de produzir alimento, alimento limpo, alimento com gosto de um sorriso no final da refeição.
Vale lembrar o sorriso da minha irmã mais nova quando se refere as coisas do sítio: é uma comida viva, diz ela com os olhos brilhando.
Doce de goiaba, doce de carambola encerram a lista, como sobremesa. E o texto se encerra com a certeza de a vida se refaz, com estilo, a cada dia, com a transformação da terra, do adubo em alimento.
Ainda acredito num mundo melhor.

sexta-feira, 17 de maio de 2013


Daqui e dali
E o tempo me pegou! Planejei praia - Felipe iria conosco - num mar de azul para verde, praia que minha irmã mostra como quintal da casa dela, quintal que é nosso também.
Nem tudo é perfeito: vem frente fria, chuva e programa desfeito. Fiquei assim com cara de quem toma um tombo, sem saber a causa, alguém que tome remédio amargo.
Giselle bem que queria aproveitar a praia, mas não deu.
Bom, de qualquer forma, sigo amanhã. A lagoa me espera e quero ver se consigo  - não, deixa para lá: se eu coloco o caiaque em cima do carro, posso ter problemas e vai sobrar par a Dil.
Do outro lado, capim plantado, chuva, obrigado, chuva! Lá vai o brotinho do capim que tem pouco tempo para crescer, porque os dias já estão mais curtos e a chuva tende a diminuir. Nessa altura, o lago voltou a encher e a festa dos patos - não sei que tanto eles devoraram na tona d'água - prossegue entre mergulhos e bater de asas. Os vôos cessaram: asas cortadas porque tinha pato voando para não voltar.
O Comanche, o novo cavalo pampa - ou será Kaicangue? -  já puxa carroça e facilita a vida da Guerreira, égua que é o xodó das crianças.
Vou sentar no degraus da capela da olhar o lago, vela acesa para São Longuinho, porque, rezando para ele, Amélia achou meu óculos - perdidos por uma semana - sob o banco do carro, lugar onde muito gente havia procurado! Três pulinhos agradecidos!
Sentado ali, não há como não pensar em aproveitar aqueles bambus. São enormes. Por outro lado, plantados ali, formam a paisagem junto com o enorme pé de jamelão.
Nem tudo é exato como a gente quer, mas sempre há um motivo para agradecer a lua, o sol, a chuva, o abraço amigo, a palavra de incentivo, o abraço, ainda que pela infovia, a saudade que se faz forte dos que partiram.
Na capela, nada demais: vou pedir força a São João para a próxima fogueira, marcada para dia 22 de junho, um sábado, com direito a feijão, quentão, aipim cozido, bolo de fubá da Denise, canjica, batata-doce, melado, milho e alguma coisa mais.
Já dizia o velho Mao, lá na China, que quando um homem cansa, ainda corre mais 10 km. É. Estou cansado, tem coisa demais para fazer - acabo fazendo menor do que quero - mas, enquanto eu puder e Deus deixar, vou fazer a festa porque roça, sem festa, sem cavalo, sem amigos, sem churrasco, não dá certo.
E apesar das dificuldades, como é bom ver crianças montadas a cavalo, gente andando de charrete, netas dando milho a patos e galinhas; do outro lado, como é bom sentir o caiaque rolando na lagoa, o braço cortando água, água grossa de sal.
Não sei - nem me preocupo - quanto tempo vai durar mas encaro a vida como uma festa, festa que só termina um dia, quando o sol raiar. Por enquanto, quero mais é que o som sertanejo me faça dançar, dançar sozinho, apoiado nas muletas, com a Claudinha por perto. É na música, na alegria que a gente fica mais leve, mais perto de Deus. Prepara a alegria, gente, que o São João vem aí!!

terça-feira, 14 de maio de 2013


Apenas um dia

Um amigo, um primo, uma cama de hospital. Não é a melhor imagem, mas é o fato, realidade dura, terna e inevitável.  "Quem faz o dia bonito é você" - diz a postagem. O dia se fez bonito pela promessa de navegarmos juntos - eu e o primo que quer ficar bom - nos caiaques da Praia Seca.
As imagens, horríveis imagens de animais maltratados, irritaram minha amiga; ela está com a razão. Para que mostrarmos absurdos? Há um prazer sádico nestas imagens de bichos degradados. Concordo e pergunto: o que adianta chocar as pessoas?
E ainda tem gente que fala em "pesca ecológica": enfiam anzol n boca de um peixe e acham que ele ficará bem depois de solto. Essa gente se torce quando um dente dói e nem imagina um peixe sem comer por um ou dois dias.  Eu pesco, pesco para comer. E nem pesco mais, porque as pernas não ajudam.
Mas há luz no fundo do túnel - falando em Face - quando a imagem é de uma criança encantada com uma flor ou as portas magicamente floridas em algum lugar quase encantado. E tem beijo, tem brincadeira, tem protesto.
Perdido nessa divisa entre São Gonçalo e Niterói, ainda consigo ver a lua no céu, sem balas riscando a noite. Sei que, bem ali, a morte acontece. Sei de homens armados no muro do posto de saúde. Gente que não se criou aqui, gente que veio do Rio.  Melhor é a lua, melhor é ouvir perdido tropel de cavalos na noite ou o latir repetido dos cães, irritados com algum passante.
Gosto de contar da importância deste espaço, onde as amizades se reforçam e ressurgem, amizades que não se importam com a passagem do tempo, que nos torna capazes de saber que há identidade e diferença na forma de pensar de pessoas que se empenham por um mundo melhor.
Então o peito fica assim, um tanto agitado, depois de um dia em que fiquei sem forças diante da luta de quem enfrenta a doença, que articulei ações na área jurídica e, por fim, que vi a NET instalar um cabo que - viva a tecnologia - me dá a possibilidade de uma internet menos irritante.
Não, não abro mão de uma amiga e entendo que sua sensibilidade, voltada para o encanto dos momentos de ternura entre os animais, lhe cause momentos de perplexidade e - será? - até mesmo vontade de dar uns piparotes em alguém.
Liga não. Linda é  flor, amor perfeito, postada em sua página. Lindo é o colorido das lavandas, linda é a lua que nos encanta na noite. Belo é o espírito de quem prefere sempre a música e mesmo é belo o humor do amigo com suas mulheres e piadas.
Não sei se teremos um mundo melhor. Sei apenas que, dentro do peito, entendo, cada vez mais, a importância de tratar animais com atenção, com carinho.
Faz de conta que passei na horta e vim pela asa do vento deixar aqui um belo ramalhete de rosas selvagens, flores pequenininhas, azaleias e tantas outras mais par que o cheiro do campo, lá da minha roça, fale do amor possível entre as pessoas.
Esse ramalhete tem nome: amizade e o gosto é de amor para encerrar o dia com um sorriso de uma amiga querida. Espero que sim.

domingo, 12 de maio de 2013





Dia das mães

É tarde, eu sei. Cheguei há pouco. Dia agitado. Engarrafamento, essas coisas. No peito, a lembrança do curso primário: rosa vermelha para as mães e os que já não têm, rosa branca. Ficava com pena do meu colega, que levava rosa branca.
Tempo passa, minha mãe é só saudade. Rosa branca.
A saraivada de lembranças passa por pescaria nas madrugadas da lha, lições de gramática, francês, poesia. Com ela aprendi a fazer compras, um pouco de cozinha, o respeito pelo próximo.
Minha mãe - mãe de nove irmãos. Mãe em lágrimas quando um de nós - estudante do Pedro II - foi embora. Nem sempre fui filho cordato. Nem sempre. Mas o som e piano, em noite de natal, está indelevelmente gravado no arsenal e boas lembranças.
Por muitas mães estou cercado. A todas admiro: mães amigas, leoas em defesa dos filhos. Mães carinhosas, mães apreensivas, mães sempre prontas a orientar e proteger os filhos.
A  segunda-feira começa, porém ainda é tempo de deixar um grande abraço para todas as mães.
Deixo abraço especial para as mães dos meus filhos - em especial para a companheira que segue comigo nesta caminhada.
Se fosse possível, gostaria de notícias do outro lado, para dizer à minha de todo o carinho que não disse.
Enfim, fica o registro da admiração pela força das mulheres, mulheres que carregam dentro de si a beleza do sentimento revelado na maternidade.
Mulheres, mães queridas, fica registrado o meu carinho, a minha admiração e a certeza de que, lá longe, posso contar com o carinho da minha mãe.
A beleza das rosas diz muito bem do respeito que as mulheres merecem. Como não tenho rosas, fica o texto. E, de novo, um grande abraço.

quarta-feira, 1 de maio de 2013


Um belo casamento
Cada pessoa tem seu jeito de conduzir a vida. Desde que não nos ofenda, resta respeitar. Assim é. E, com regras próprias, Olivar criou duas filhas, belas filhas, queridas sobrinhas: Lucas e Érika se casaram há algum tenpo;  Ian e Érika se casaram ontem. Lucas e Ian são sobrinhos queridos, filhos de Antonio, o irmão professor de educação física.
Sobrinhas - pode considerar suas filhas, eu deixo, me disse o pai. Como tenho imenso carinho pelas duas, fiquei assim emocionado, sem saber direito o que dizer.
Ah, disse ele, você  é o tio caiaque! Leio o que você escreve!
Érika chega para fazer dupla com Viviane, esposa de Lucas. As duas são bonitas, de uma beleza para fazer inveja à capa de revista.
Um dia, um dia triste, Viviane chega junto de mim: tio, o que posso fazer para ajudar? Eu, perdido num Hospital de Araruama, apoiado em Tarso - sobrinho que ajudou na primeira hora, na hora em que foi duro descobrir meu pai num saco preto - a forma como o corpo dele foi entregue pelo Hospital - fiquei surpreso com a ternura como fui tratado por aquela moça bonita, que eu pouco conhecia.
Desculpem, estou misturando tristeza com alegria, mas é verdade. E Vivi, com aquele jeito bonito de menina da zona sul, se revelou sempre uma pessoa de trato afável, uma menina simples, capaz de participar conosco das festas, do churrasco no sítio, dos momentos em que a família se reúne e mais parece uma festa viking.
Ontem, ontem foi só festa, num lugar bonito em Jacarepaguá. O casamento teve música, gente bonita, um pastor inspirado numa cerimônia pouco ortodoxa, com direito a duas belas declarações de amor. Depois teve dança, alegria, primos reunidos numa prosa sem fim. Quando prestei atenção, a madrugada começava e era hora de atravessar a baía de volta pra casa.
Comida gostosa, bebida farta e Felipe, seguro no que faz, restrito aos sucos para poder dirigir na volta. Se houvesse lei seca, ele queria passar sem problemas. No final, levou um susto porque pensou que o bom-bom poderia conter licor. Não continha. Também, não havia o balão da lei seca.
Jacarepaguá foi minha roça, quando eu era menino. Não conheço mais o bairro, cheio de apartamentos, mão e contra-mão.
Olivar estava muito emocionado. Viúvo, terminou de criar as filhas sem o apoio da esposa. A festa do casamento da filha foi muito linda. Merecidamente bonita.
Abraçar Ian e Érika mexeu fundo com meu coração, coração que pula, emoção que revolve com o melhor que há dentro da alma.
Antonio, o pai do noivo, estava assim um tanto reservado, sem saber o que fazer com a emoção inevitável.
Tio Caiaque. Gostei! E fica renovado o convite a Olivar: venha para a lagoa, vamos andar de caiaque!
 Crianças alegres, Felipe com Giselle e Marcelo com Débora fecharam o grupo da família do Tião, sem esquecer Sofia, que brincou muito, junto com Carol. Amélia, com Steeve, veio de Praia Seca e estava radiante, como muito tempo eu não a via assim. A meu lado, Dil, de longo, para meu agrado. E a sobrinha Cláudia, feliz com  festa.
Para terminar, Tom, que sabe de fisioterapia: Tio, se livra dessas muletas, faz a cirurgia! Tem gente que fez e joga tênis! Ainda mais você, que não fica parado.
Não sei. Prefiro células tronco, mas ...
Durante a cerimônia, fiquei feliz olhando o céu e lembrando como o velho José Alvaro estaria feliz ali, no casamento do neto e vendo tanta gente bonita. Certamente ele não perderia de vista as pernas bonitas que andaram por lá.
Da mesma forma, estaria abençoando a união do casal, participando dessa corrente para que o amor os faça muito, muito felizes. São os meus votos.

sexta-feira, 5 de abril de 2013


Catapum!!! Caiu!! Será o Deus da tirinha "algum sábado qualquer" fulminado alguém?
- Nada, provavelmente foi o engenhão que caiu! Não, ainda não.
- Ah, vai ver que foi o elevado do Joá, que ainda criou onda para inundar São Conrado.
Nada disso. Foi só o trovão que fez tremer janelas e portas nestas plagas de Maria Paula. Nós nem ouvimos o barulho de tiros trocados entre policiais e bandidos ali no Campo Novo.
- O prédio do morro do Bumba, será que desmoronou?
Nada, nem a vergonha da construção nacional fez corar os dirigentes de construtoras, gente de bolso repleto, a distribuir benesses para garantir eleições de políticos.
- Mas que não ouviu o barulho do ônibus, caindo do viaduto, na saída da Ilha?
Outra vergonha. Tem governador que é sogro de dono de empresa. Será por acaso que ônibus conseguem ostentar folha corrida superior a de bandidos?
Quem anda na rua, sabe como são os ônibus: desconfortáveis, lotados, parados nos pontos finais e pontos cheios de passageiros. Para as empresas, passageiro é mercadoria sobre a qual têm direitos exclusivos.
É por isso que o DETRO conseguiu arrasar a linha de vãs que atendia os passageiros na Maria Paula. O 35 passa quando quer. E haja paciência para esperar um ônibus.
Caiu mesmo na amazônia. Um porto inteiro. Caíram torres. Caíram parques de atletismo, caiu o velódromo, o autódromo do Rio foi destruído.
E haja dinheiro público para projetos que não acontecem. Pior que a transposição das águas do São Francisco - o rio dá sinais e fraqueza e nada se investe para a revitalização -  é uma obra cara, largada, mal feita, difícil de concluir.
Você paga, eles se apropriam.
País estranho, onde Romário é deputado atuante.
Socorro, poeta, onde fica mesmo Passárgada?
Catapum!!! explode coração. Ainda bem que Deus é brasileiro, já que o papa é argentino.

terça-feira, 26 de março de 2013


Notícia boa: nasce Alexandre, filho de Alison e minha sobrinha Luciana. Nasceu em Nova Odessa, no sistema público de saúde. Foram 24 horas de trabalho de parto até que aparecesse uma  "equipe" para a Cesariana. Tudo bem, filho e mãe passam bem mas foram horas de tensão para todos.
Notícia ruim, ah, desse tipo tem muita coisa. Não fizeram as obras necessárias na serra do Rio. Onde o dinheiro foi parar? Gente, cadeia tem que acontecer para ladrão de colarinho branco. Construíram prédios para abrigar os moradores do morro do Bumba, o lixão que desmoronou em Niterói. Vão demolir. Irresponsáveis, ladrões. Começo a pensar em solução chinesa em que a família paga até a bala.
Pelo menos, encaminharam o Juiz Lalau para a cadeia. Vai ficar pouco tempo, mas a boa vida dele não será tão boa.
Matéria de denúncia? É só abrir O Globo ou ver o jornal da TV Cultura (o jornal da Poli, apresentadora premiada). Notícias comentadas e pedidos de socorro.
Por que nada acontece? Fácil. Só tem raposa tomando conta do galinheiro. Quem vai apurar? O superior que levou parte da grana? O comandante que também recebe propina? A presidenta que nomeia ministros"acima de qualquer suspeita"?
Uma olhada no caderno de imóveis do jornal de domingo (O Globo) dá uma ideia aterrorizadora do que será o Rio, revestido de grandes espigões.
Querem demolir os últimos casarões da rua da Assembléia, um certo milionário passou a ser dono da rua da Carioca e o que resta da história do Rio - pobre Rio - vira pó para dar lugar à plantação de espigões.
Uma amiga me manda um documentário sobre uma bela cidade espanhola, com 24 km de canais, uma área urbana baixa e surpreendentemente bonita.  A cidade onde eu nasci vê prédios sendo destruídos sem muito sentido.
Estão investindo na Copa e Olimpíadas. Quanto se investe em esporte? Em que esportes o Brasil tem chances? Onde estão os centros de treinamento de futuros atletas? Nada. Os clubes não recebem ajuda, o dinheiro pára nas mãos dos cartolas. Então, em termos esportivos, vamos esperar por mais um vexame.
O desenvolvimento com base e automóvel, dá sinais inequívocos de que está chegando ao fim. Estacionar passa a ser operação roleta em qualquer cidade: se der sorte, você consegue uma vaga.
Betânia canta, não sei o autor: "eu vou deixar de ler jornais". Não adianta, o helicóptero sobrevoa sua casa, trocando tiros com bandidos; o filho vai correr no Aterro do Flamengo e vê o turista sendo assaltado; roubaram um carro ali na esquina, com apoio do posto que a PM abandonou.
Se o Estado não protege o cidadão, o cidadão tem o direito de se proteger. Mas quem tem CPF e identidade não pode colocar um arma na cintura - é crime. O cidadão não pode nem mesmo fazer uma fogueira em noite de São João: é crime. Até queimar restos de poda é proibido.
Quem tem carro, se vê obrigado a ter cadeirinha para transportar o neto. Quem não tem, amarra o filho que nem saco de batatas e entra num coletivo cheio.
Os jovens têm dificuldades para encontrar emprego. Os velhos  - nós velhos somos um caso à parte - enfrentam a vida como podem e a aposentadoria, em muitos casos, é o principal sustento da família.
Já tirei da cadeia gente inocente. Difícil é ver dirigente corrupto punido com rigor. Ao cidadão, resta a praia, o rio - mas não vá pescar, que é quase proibido. Ainda bem que não dá para cobrar pela luz do sol. Quanto à água, não cave poço pensando em ser feliz, porque a água é do Estado e você precisará de um hidrômetro.
Uma bebida por conta? Isso é viável o imposto já foi recolhido. É, Dr João Guimarães Rosa, viver está cada vez mais perigoso. E estranho.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Sertão, rosário de lembranças


Doce de buriti. Que delícia! Doce de qualidade que Débora e Marcelo trouxeram de Fortaleza. Trouxeram também castanha de caju, mas o buriti parece aquele que eu comprava no mercado de Teresina.
Esses dias, achei um vídeo sobre umbu, a planta  verde da caatinga seca. A frutinha vendida nas ruas de Petrolina.
Na TV, Regina Casé fala sobre pequi, a fruta mágica do cerrado. É preciso relembrar jatobás, sucupiras, cagaitas, araticum, cajuí, mangaba. Cerrados, vegetação que se mistura com a caatinga quando o centro-oeste encontra o nordeste, com destaque para o Piauí.
Sertão. Carne de bode, buchada. Sertão: a secura e o verde, as serras com seu micro-climas, a festa do interior desse Brasil sem fim. Boleia de caminhão, eu saí do Rio, no tempo das estradas de chão, é fui parar no Piauí.
Lamento não ter navegado o São Francisco mas uma visita à Serra da Canastra está programada. É lá que nasce o velho Chico, é lá que se despenca a cachoeira da Casca d'Anta.
Sertão. Sertão do arreio cutiano de Goiás, das selas nordestinas sem cabeça, do vaqueiro encourado. Sertão de Guimarães Rosa, com suas veredas e caminhos entre cerrados e campos gerais.
Entre babaçus, vi correr a novilha vermelha. Vi Bié, vaqueiro Bié, filho de Cristino que dizem que era meu tio, vi correr pendurado no cavalo ligeiro. Antonio Rosa foi junto e só voltaram com o serviço pronto. Onde isso? No Maranhão, ali do lado de Teresina, no município de Timon, que um dia foi chamado de Flores.
Tem horas que esse sangue - meio sangue nordestino, meio sangue serrano, de Petrópolis, assim eu sou -  pende para o lado nordestino e bate saudade de ver o gado livre na beira da estrada, os rebanhos de cabras e carneiros, como nos campos de mimoso, que a gente atravessa quando vai de Teresina para o Ceará, via Campo Maior e serra de Tianguá.
Cachaça, rapadura, melado. Isso tem lá no alto da serra. Faz tempo, andei por lá. Faz tempo que comprava tejuaçu, avoante prensada, preá seca na feira de domingo, cheia de frutas, peixe, bichos.
Coisa de velho, esse rosário de lembranças que termina com uma galinha d'angola, feito no leite de coco, de coco babaçu, que nos foi apresentada por Fernando, em noite de Teresina.
Hoje, preso nesta São Gonçalo, a cabeça viaja entre odores, sabores, olhares desse sertão sem fim, sertão que, para mim, é a verdadeira essência de Brasil sem medida. Ah, a amazônia, essa é outra conversa, outro mundo de árvores gigantes, uma floresta sem fim. Não deixa de ser sertão - é Brasil com nome de índio e sabor de tudo que as cidades não têm.
Eu vi de perto, pelo menos, dá para lembrar.

terça-feira, 12 de março de 2013


Destino

Tem uns versos de Cecília Meirelles -" a sorte virara no tempo com um barco sobre o mar" - às vezes a gente quer tanto um objetivo e, quando ele chega perto, parece que dá vontade de nadar o oceano de volta.
Dúvida, indecisão, aquela pergunta incômoda: a energia aguenta? Depois parece que o sonho vai acontecendo lento, como se o barco desvirasse: há uma brisa, um leve sopro nas folhas, um raio de sol entre as árvores no fim de tarde de pouco sol.
As pernas se mexem, os olhos se agitam. Um lembrança, antiga lembrança, passa correndo no espaço entre a porta e o nada. As mãos, não as mãos não estão feridas dessas pancadas incessantes em facas de ponta.
Na capela, o São Sebastião naife que Helena pintou. A imagem do Cristo. O rosário de meu pai. O sacerdote da lanterna. Os pequenos anjos. Um ar gostoso vem da tamarineira. Do outro lado, o lago. Patos pequenos, grandes, patos que vieram da vontade de Surya de ter uma patinha. Compromisso: essa não pode matar. E não mato. E o patos se multiplicam no sítio. E bonitos vê-los tanto na algazarra da água, quanto voando sobre o pasto.
Há uma paz na sombra do enorme jamelão, no vibrar do bambuzal gigante. Olho as pernas minhas pernas enguiçadas, as muletas, a vontade de andar e andar. E se eu não tivesse nada disso?
Bezerro berra longe, o pampa relincha, uma galinha canta assustada.
Esquece. Ouve a batida do coração em surdina, falando da vida. Ouve a água que corre por baixo do chão e enche o lago.
"Onde eu cante uma cantiga para ver se durmo também" - assim será, vou ouvir uma cantiga, canção de chuva, de mar, trancarei os olhos na noite para sorrir da esperança  de encontrar um simples abraço, terno abraço que diga o azimute - a direção perdida.
Quantos abraços? Quantos sorrisos me farão sorrir? OU será que, entre feliz e triste, as lágrimas vão rolar não como um lamento, mas como liberdade de ser forte na fraqueza inevitável.
Pode ser que eu engula uma bebida, pode ser tanta coisa que nem sei. Sei que é banzo, querência - algo assim. Sensação de que perdi todos os lugares e não sei se voltarei. Mas a sensação forte é de que, mesmo virando o barco, o farol de olhos amigos vai me guiar para o luar.
E no luar, feiticeira, eu vou saber onde chegar.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Dia da mulher


Dia da mulher? Internacional? Está certo, respeito, comemoro, mas questiono: mulher tem seu dia todo dia, todo dia de trabalho, de luta para manter a espécie viva. 
Mulher. Para mim, é o grande mistério. Quanto mais informação, menos entendo, mais quero informação. E a vida passou assim, entre pesquisas, erros, acertos, dúvidas, muitas dúvidas.
Mulher, teu significado é paixão. E a paixão chegou cedo, pela menina de laço no cabelo, ainda no primário. Depois, a indecisão - como começar um namoro? Menino sofre. 
Os namoros vieram. Vieram as mulheres, o gosto pelo carinho, o prazer de tocar e amar. Ai, como é bom um sorriso, um olhar direto, olho perdido no olho, quando o mundo em volta parece não mais existir. 
Mulher. Pele contra pele, a essência pesquisada e buscada em cada contato, cada corpo, cada alegria. E a lágrima? Por que acontece? É preciso procurar saber - entender, nunca. Basta admirar, amar, gostar. 
Diz o cartaz: não vim da sua costela. Você veio do meu útero. Verdade! E é assim que existimos, humanamente imperfeitos, seres resultantes de atos de amor ou não, mas sempre do gosto, do prazer. As aberrações não cabem aqui. 
Mulher, mãe, amiga, irmã, prima, colega, companheira. E sempre foram muitas amigas, amigas de fé. Amores acontecem, é certo, acontecem surtos de admiração um tanto inexplicáveis. Por que esse olhar e não aquele, por que esse sorriso e não outro, porque esse conjunto e não o padrão midiático?
Inexplicável. Há um prazer nas mãos que se tocam. Há um gosto em cada abraço, em cada carinho. E mais: há beleza em cada mulher - mesmo nestas que não se julgam belas, mas escondem o charme em seus corpos, em suas formas de vida. 
Falar da minha mãe, não vale. Ela foi uma guerreira, ex-aluna do Pedro II, estudante de colégio de irmãs no Piauí, candidata ao curso de Medicina. E, por paixão, larga tudo. Casa-se, cria nove filhos e se desespera com o que foi muito cedo. 
No meu peito, respeito. Respeito infinito pelas mulheres. Respeito e curiosidade. Curiosidade e interação, para ver como sai fagulha no atrito da pele conta pele. É um sentimento misto, uma alegria quando um sorriso sinaliza para um carinho mais ousado. Tantas vezes foi assim.
Hoje, no curso do 70 anos, casado faz tempo, deixo para a companheira todo o amor possível, apesar das dificuldades. E, mesmo nessa idade, uma união só se justifica com carinho, amor, bem querer. 
Mas - já dizia seu Arthur - como cachorro comedor de ovelhas só matando, me confesso um cachorro atado à guia, porém capaz de enviar o meu respeito, o meu carinho, a minha admiração para todas as mulheres do mundo. 
E que seja de alegria o seu dia - o dia das mulheres. Para Silvinha, abraços dobrados também pelo aniversário. 
Sério: sem mulher, não existe vida.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Vida vivida

Vida vivida


Corina, o coração não sei se fala
grita ou murmura.
Esse coração tem gravado
sentimento, dor, 
vida sacudida fora do padrão
mas não aprende:
se rebela,
encontra emoção no carinho 
dos abraços
e se sacode nos caminhos
simples do dia a dia.
Silvinha diz:
é beleza em tudo
E o coração se agita
na beleza das crianças na água
no andar seguro
da montaria.
Há beleza - beleza gera emoção -
nos olhos que nem sempre vejo
na solidão da água onde navego
na lua de tanta força.
E Thiago diz que ensinei.
Nem sei.
Assim vivi, curtindo amizade
a presença dos pequenos cavaleiros
homens feitos na vida.
Vem o filho
percebe raízes
acha assim linda as raízes.
Se eu chorar
não é vergonha:
apenas a emoção transborda no peito
e se derrama na trilha da vida
onde não desisti.
Braços abertos, cansados braços,
mas prontos para o carinho que vier.
E o coração fala, grita, geme:
é a vida vivida de pura emoção.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma dúvida, uma paixão


Uma dúvida, uma paixão

Navegante na vida.
Praiano ou sertão?
Um caiaque, um remo
uma vela? Um pano a cortar o céu?
Já nem sei
o velho foi embora
sem barco a vela
logo ele
coragem de morar ali
bem na beira-mar
sem a namorada
sem se amedrontar
com a morte ameaçada.
Eu cavaleiro, cavaleiro de São Jorge,
subindo morro da capela
capelinha do rebentão.
Ai, essa dúvida: um barco, um caiaque?
Mas o cavalo bateu os cascos
olhos vivos
- Não, grita a consciência
Sim, diz a paixão.
É pescaria, é samba
é churrasco, é vida,
amigos, família.
E eu, que mal sei rezar,
só peço a Deus que me escute
que me deixe cavalgar onda e vento
que me deixe navegar um cavalo
belo cavalo
nas estradas de areia
no sol do meu sertão.
E que a viola nos ache
entre a fogueira e o sereno
na noite de São João.
A paixão não se desmonta,
cavalga meu coração. 
Um cavalo na noite

Ai insônia, 
quero dormir!!
Tem um cavalo,
um cavalo correndo na minha cabeça
Volto no tempo
Maysa, paixão
- me deixaram sozinho
gordo sem namorada
Depois - a vida ensina - 
fui em frente. 
Sei que vou te amar
Castigo, depois a quimera se espuma
mas a morena
- Quantas, pergunta meu pai
Não sei.
Quero uma cachaça - os americanos reconhecem, é brasileira,
não pode.
Um vinho. Nada disso - lei seca noite a dentro
sem dirigir.
Meu São Jorge - dono do cavalo mais belo -
o que eu faço da vida???
Sai insônia, foge de mim.
E se ela vem na Infovia, faceira, delicada?
Capoeira no Youtube - não poço jogar!
Apenas navego
esse cavalo imaginário-realidade
tropel pesado no meu viver.