quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Saudade
Velho que não tem saudades, não viveu.
Saudades muitas, guardadas no fundo do coração.
Saudade de quem foi bem ali e não demora, saudade de quem está longe, saudade das pessoas que se perdem de nossa vida.
Tem a saudade amarga, irreversível, de tantos que se foram para uma viagem sem volta. Essa canastra é imensa e começa ainda cedo, com a partida dos mais velhos.
Saudade - querência, diz o gaúcho - das terras por onde andei, de uma terra imaginária onde nunca morei, mas existe num mundo que não sei explicar. Saudade da terra de bem ali, na beira da lagoa, onde o caiaque corta água e nem sempre posso estar por lá.
Saudade das cavalgadas, das andanças pelas trilhas - sentir a montaria varar a noite, onde o olho humano não define nada. Saudade de pescar nas pedras - Icaraí, como era bom - de remar o barquinho na Ilha do Governador.
Saudade da criançada reunida em volta de meu pai, lá na varanda da Praia Seca - varanda que já não existe.
As crianças cresceram, envelheci, a varanda da nossa casa nem sempre está cheia - saudade de gente reunida, das netas, do neto, dos filhos, da filha. Saudade dos amigos mais chegados, cada um com sua luta, nem sempre com tempo disponível.
Dos amores passados? Aí é jardim, é lembrança boa, é canastra que não se remexe, trancada a poesia. O sofrimento se perdeu pelo caminho e as lembranças são sempre belas.
Saudade até das amizades mais recentes, revividas do velho CPII, que se distanciam nas mudanças da Internet.
Saudade eu tenho, mas não deixo que amargue "que nem jiló". Guardo a saudade em canastras de poesia e, volta e meia, revejo os textos passados para entender que a vida, hoje, se fez da saudade de ontem e que - espero - o amanhã trará belos motivos para sustentar a saudade.
Não é por nada não, mas a saudade faz o peito ficar mais forte. O coração se estraga mas o gosto da vida vivida me faz sorrir para a saudade e deixar um abraço para tanta gente amiga de quem é bom ter saudades.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Chuva
Chuva!! O doce sabor da chuva invade a casa - uma gota vem de longe, bate na minha mão. Céu bordado em rabiscos numa banda. Na outra, céu negro, névoa a cobrir o espaço entre nossa casa e a Serra da Tiririca. Trovão explode, A cachorrinha Fumaça pula a janela, rápida, para dentro de casa.
Chuva na Bicuíba, chuva em Praia Seca, chuva no meu coração, que espera a chuva para ver o lago transbordar, que espera a chuva para sentir o verde brilhar forte para todo lado.
Pena que a chuva anda pesada, bate recordes, inunda casas, mata pessoas no Brasil, na Indonésia, no mundo. Lamento. Porque é muito gostoso sentir a chuva no rosto, caminhar na chuva, sentindo a água fria gelar o corpo.
Chuva. Chuva na lagoa. Chuva no mar. É perigoso, está certo, por causa dos raios, mas nem sempre eles estão presentes.
Chuva. Friozinho da noite e vou dormir tranquilo, sem o calorão forte deste verão.
Melhor ainda é a chuva de amizade, de carinho que vai acontecendo aqui na Internet. E se dizem que o amor, o bom coração, o acreditar na vida são coisas importantes, eu digo que acredito na força do pensamento positivo como forma de contato entre as pessoas.
Há uma música na chuva, que tamborila nos telhados, explode em luz nos relâmpagos e lava o vermelho das flores na árvore distante.
Vou dormir. Vou dormir pensando nos muitos banhos de chuva que tomei, no prazer que o corpo sentia, no calor cearense, quando a chuva chegava, obrigando a um banho recuperador.
Vou dormir. Vou dormir sonhando com a chuva de amizade que vem de tanta gente querida. Vou sonhar com a lagoa, o por do sol colorido de Praia Seca.
Vou sonhar porque o sonho faz a vida mais bonita e ainda há sonhos que vão se tornar reais - barco branco em água azul a navegar na brisa fresca da tarde.
Chega de tempestades.
Chuva na Bicuíba, chuva em Praia Seca, chuva no meu coração, que espera a chuva para ver o lago transbordar, que espera a chuva para sentir o verde brilhar forte para todo lado.
Pena que a chuva anda pesada, bate recordes, inunda casas, mata pessoas no Brasil, na Indonésia, no mundo. Lamento. Porque é muito gostoso sentir a chuva no rosto, caminhar na chuva, sentindo a água fria gelar o corpo.
Chuva. Chuva na lagoa. Chuva no mar. É perigoso, está certo, por causa dos raios, mas nem sempre eles estão presentes.
Chuva. Friozinho da noite e vou dormir tranquilo, sem o calorão forte deste verão.
Melhor ainda é a chuva de amizade, de carinho que vai acontecendo aqui na Internet. E se dizem que o amor, o bom coração, o acreditar na vida são coisas importantes, eu digo que acredito na força do pensamento positivo como forma de contato entre as pessoas.
Há uma música na chuva, que tamborila nos telhados, explode em luz nos relâmpagos e lava o vermelho das flores na árvore distante.
Vou dormir. Vou dormir pensando nos muitos banhos de chuva que tomei, no prazer que o corpo sentia, no calor cearense, quando a chuva chegava, obrigando a um banho recuperador.
Vou dormir. Vou dormir sonhando com a chuva de amizade que vem de tanta gente querida. Vou sonhar com a lagoa, o por do sol colorido de Praia Seca.
Vou sonhar porque o sonho faz a vida mais bonita e ainda há sonhos que vão se tornar reais - barco branco em água azul a navegar na brisa fresca da tarde.
Chega de tempestades.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Fartura de vida
Mangas. Mangas pelo chão. Mangas - o perfume delas vem da cozinha, invade a sala - para virar suco, molho, geleia. Mangas. Antes, cajus. E coco. Virão jabuticabas? Bananas. É fartura. Do curral, o leite de todo o dia.
Festa da roça. Do mato. Oxossi, diria a Umbanda. Festa de São Sebastião que está bem próxima. Festa de Deus de todas as religiões a celebrar a vida, o alimento que se produz sadio na terra amanhada a cada dia.
E lá vão as minhocas, transformando em adubo o esterco puro, as folhas velhas. O sítio, improdutivo, pequeno, é uma verdadeira usina de renovação e surpresas. Ali, o maracujá. Lá adiante, os enormes bambus que rangem como um velho navio. No lago, o peixe, os patos.
É essa relação com a terra, mesmo agora que, fisicamente, já posso muito pouco, que me encanta. A bezerra se apronta como matriz e lá vem outra cria. O adubo fortalece a capineira, capim que se transforma na maçã do peito da Café, a última a dar cria. Na beira do lago, junto com os patos, os quero-queros que abrigam ali as suas crias, para que se desenvolvam - e lá vão eles, a gritar no espaço, como se fossem lá do Rio Grande do Sul.
Gente que passa, sonhos sonhados ali na varanda - sonhos de uma vida melhor. O coração que, pela manhã, ameaçou parar, revive e bate forte na alegria da vida refeita em cada canto. Galos cantam, galinhas fazem a propaganda dos ovos que botaram, o canarinho estala do coqueiro.
Pena, não tem jeito. É hora de voltar para a cidade, o computador. Não, não vale chorar. Vale acreditar na beleza da vida que se renova naquele pequeno espaço. Vale acreditar na força de Deus que nos dá a chance de perceber a beleza da vida - e da morte - a acontecerem na Bicuíba.
Venho embora, mas a imagem do sítio viaja comigo e aí vai, transformada em texto: é assim que gosto da vida e, apesar dos problemas, insisto em perceber cada nuance, cada cor nas flores da horta. Desistir é fácil, mas prefiro um mergulho na vida para continuar acreditando num mundo melhor. Acredito na vida. E a vida, simples vida, só me faz feliz.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Choque de qualidade
Choque de qualidade
Uma criança fica, no dia de Natal, esperando atendimento durante oito horas. O Globo publica, no domingo, que havia ambulâncias à disposição e que não foram solicitadas. Ou seja, não há provas do pedido de ajuda. De que é a culpa? Do médico que faltou ao trabalho??? Que é isso! O esquema de socorro de uma vida tem que prever a ausência de um profissional, que pode sofrer um acidente, pode quebrar a perna, e por aí vai. Há uma inércia, um deixa pra lá para ver como é que fica - empresas de terceirizados agindo na saúde e os concursados com salários irrisórios.
É preciso um choque de qualidade na administração pública. E rápido. Saúde, educação, segurança pública. Quem conhece um presídio sabe bem que o discurso arrumado de recuperação, é balela. Ali, ninguém se recupera. Ao contrário, tem que se transformar num bicho para sobreviver.
Conheço um professor que queria ser candidato a diretor de escola. Tinha ideias. Podemos fazer isso e aquilo - dizia ele. Resultado: foi rejeitado porque estava inventando trabalho. Ou seja, há lutadores na educação e gente que se contenta com o salário no final do mês.
O Estado do Rio paga aos concursados da Polícia Civil um salário perto do mínimo. O montante aumenta com pendurucalhos. Mas quando esse profissional se acidenta, o que acontece? Fica praticamente sem receber.
A extensão rural, no RJ, fica sem gasolina para os carros.
E os serviços: foi difícil fazer com que a empresa de telefonia - Oi - corrigisse defeito em sua linha de transmissão. Penoso. Protocolos, reclamações, técnicos pouco técnicos. Até que deu certo.
A Ampla nos deixa sem luz por um minuto: reclamar com quem? Uma fase caiu na casa em Praia Seca. Foi uma geladeira perdida - comida enterrada como solução. Semana passada, foi preciso fugir de lá porque o neutro entrou em curto. E me ligaram, perguntando se a energia havia voltado. Pensei que era a equipe, agindo na rua. Não, era um trabalho de relações públicas. Voltei a ligar e perguntei a eles se estavam agindo por espiritismo.
Não, não é só no serviço público e concessionárias. Comprei ar condicionado Consul, com direito a escolher temperatura, etc, etc. Top de linha. Um dos aparelhos está na autorizada há 4 meses. (Comprei faz um ano). O outro, gela quando quer, esquenta se prefere - é inteligente - burro sou eu, que comprei os aparelhos.
A solução é um choque geral de qualidade - se cada um desempenhar sua função um pouco melhor, quem sabe a vida não melhora? De resto, vai ficando a impressão que estamos vivendo na sucursal do inferno.. ou na sede???
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Fumaça
Fumaça. Fumaça é uma figura. Quando o bairro era menos povoado, ela fugia, dava suas voltas e, invariavelmente, arrumava briga. As escoriações eram o certificado da encrenca. É Fumaça porque tem pelo grafite, é fumaça por sua capacidade de passar por onde a gente não espera. Ágil, caçadora por natureza, parece uma criança nos braços do Felipe.
Dócil, meiga e ,,, caçadora. Sempre me lembro dela quando vejo as pessoas falarem do "amor" dos animais. Olha, acredito mesmo na lealdade dos bichos, assim como acredito no ciúme que demonstram. Se a Guerreira estiver perto de nós e outro cavalo tentar se aproximar, as orelhas murcham de imediato e ela mostra porque é líder do rebanho.
Fumaça foi para praia conosco. Resultado: pelo menos dois calangos foram mortos - belos calangos em tons de cinza e verde. Filhotes de viuvinha que caem do poste? Ela os esmaga sem pena. Se ainda fosse para comer: não, ela mata o que se mexe.
Comunidade animal parece comunidade de gente: há os que se gostam, há os que se agridem e há os que lideram e os que brigam.
Fica uma diferença: animal e "pet". Crio animais. Gosto de ver os cavalos soltos no pasto, não gosto que se capturem pássaros, mas achar que animais amam acima de tudo é contrariar a natureza. Lobos guerreiam. Touros se enfrentam. Leões se dilaceram. Brigam pelas mesmas coisas: comida, espaço, liderança e - principalmente - por causa das fêmeas!!!
Está certo, cachorrinhos de luvinhas - eu vi um, na praia - não podem ser enquadrados nesta escala. Gosto de bicho, respeito e concordo numa coisa: eles se manifestam de tantas formas que até parecem humanos.
Depois, fico imaginando o que faríamos com as boiadas se a população resolvesse não comer mais carne.
Tigre era um cão sensacional. Fila de boa índole, amigo. Mas coitado do gato que ele achou perto da cocheira. Não consegui que ele largasse o bichano a tempo.
Amor existe. Dá gosto ver uma fêmea cuidar de um filhote. Dá gosto ver passarinhos num namoro sem fim. Porém daí a achar que carnívoros são anjinhos - vai longe.
Aliás, tenho orgulho de fazer parte dessa comunidade de carnívoros que é capaz de amar, de lutar, de matar para comer. Os ancestrais eram guerreiros, caçadores, agricultores, trabalhadores.
E carrego na alma um pouco de cada coisa: o gosto pela palavra, feita poesia, o deslumbre com a amizade de se perpetua sem explicações. Carrego a admiração pelos mais velhos, a esperança de ser querido pelos mais novos; carrego esse gosto de lidar com bichos, de acompanhar a produção dos rebanhos; em contraste, consigo rever estudos de Direito que pensei jamais voltaria a lidar.
Na verdade, carrego na alma a vontade de ser feliz, o gosto de viver e esse sentir a vida, vida que se refaz na hora em que vem a chuva.
Mesmo velho, não tenho medo de ser feliz. Pulo a dor física, minimizo o sofrimento e consigo sentir um prazer enorme, seja no carinho da amizade, seja na hora da solidão em que o remo corta a água em meio à lagoa.
Vamos voltar aos bichos: Fumaça acaba de pular a janela, fugida da chuva. E veio se instalar, quietinha, bem debaixo do computador !!!
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