Notícia boa: nasce Alexandre, filho de Alison e minha sobrinha Luciana. Nasceu em Nova Odessa, no sistema público de saúde. Foram 24 horas de trabalho de parto até que aparecesse uma "equipe" para a Cesariana. Tudo bem, filho e mãe passam bem mas foram horas de tensão para todos.
Notícia ruim, ah, desse tipo tem muita coisa. Não fizeram as obras necessárias na serra do Rio. Onde o dinheiro foi parar? Gente, cadeia tem que acontecer para ladrão de colarinho branco. Construíram prédios para abrigar os moradores do morro do Bumba, o lixão que desmoronou em Niterói. Vão demolir. Irresponsáveis, ladrões. Começo a pensar em solução chinesa em que a família paga até a bala.
Pelo menos, encaminharam o Juiz Lalau para a cadeia. Vai ficar pouco tempo, mas a boa vida dele não será tão boa.
Matéria de denúncia? É só abrir O Globo ou ver o jornal da TV Cultura (o jornal da Poli, apresentadora premiada). Notícias comentadas e pedidos de socorro.
Por que nada acontece? Fácil. Só tem raposa tomando conta do galinheiro. Quem vai apurar? O superior que levou parte da grana? O comandante que também recebe propina? A presidenta que nomeia ministros"acima de qualquer suspeita"?
Uma olhada no caderno de imóveis do jornal de domingo (O Globo) dá uma ideia aterrorizadora do que será o Rio, revestido de grandes espigões.
Querem demolir os últimos casarões da rua da Assembléia, um certo milionário passou a ser dono da rua da Carioca e o que resta da história do Rio - pobre Rio - vira pó para dar lugar à plantação de espigões.
Uma amiga me manda um documentário sobre uma bela cidade espanhola, com 24 km de canais, uma área urbana baixa e surpreendentemente bonita. A cidade onde eu nasci vê prédios sendo destruídos sem muito sentido.
Estão investindo na Copa e Olimpíadas. Quanto se investe em esporte? Em que esportes o Brasil tem chances? Onde estão os centros de treinamento de futuros atletas? Nada. Os clubes não recebem ajuda, o dinheiro pára nas mãos dos cartolas. Então, em termos esportivos, vamos esperar por mais um vexame.
O desenvolvimento com base e automóvel, dá sinais inequívocos de que está chegando ao fim. Estacionar passa a ser operação roleta em qualquer cidade: se der sorte, você consegue uma vaga.
Betânia canta, não sei o autor: "eu vou deixar de ler jornais". Não adianta, o helicóptero sobrevoa sua casa, trocando tiros com bandidos; o filho vai correr no Aterro do Flamengo e vê o turista sendo assaltado; roubaram um carro ali na esquina, com apoio do posto que a PM abandonou.
Se o Estado não protege o cidadão, o cidadão tem o direito de se proteger. Mas quem tem CPF e identidade não pode colocar um arma na cintura - é crime. O cidadão não pode nem mesmo fazer uma fogueira em noite de São João: é crime. Até queimar restos de poda é proibido.
Quem tem carro, se vê obrigado a ter cadeirinha para transportar o neto. Quem não tem, amarra o filho que nem saco de batatas e entra num coletivo cheio.
Os jovens têm dificuldades para encontrar emprego. Os velhos - nós velhos somos um caso à parte - enfrentam a vida como podem e a aposentadoria, em muitos casos, é o principal sustento da família.
Já tirei da cadeia gente inocente. Difícil é ver dirigente corrupto punido com rigor. Ao cidadão, resta a praia, o rio - mas não vá pescar, que é quase proibido. Ainda bem que não dá para cobrar pela luz do sol. Quanto à água, não cave poço pensando em ser feliz, porque a água é do Estado e você precisará de um hidrômetro.
Uma bebida por conta? Isso é viável o imposto já foi recolhido. É, Dr João Guimarães Rosa, viver está cada vez mais perigoso. E estranho.
