terça-feira, 21 de maio de 2013

  Almoço. Hoje foi dia do sabor, sabor da horta, sabor da roça. 
Hoje foi dia do sítio, do sabor da terra que nos fornece o melhor.
Rúcula, salsa, cebolinha, hortelã, bertalha - o show de verdinhos colore a mesa.
E tem abóbora, abóbora com sabor especial.
Tem inhame, o enorme inhame, macio cinza, muito gostoso.
Laranja, tangerina, sidras enormes, aipim, abobrinha verde - esses ficaram de fora.
Aí o almoço passa a ter um gosto de festa, de qualidade de alimentos colhidos ontem e transportados com cuidado.
E ainda tem pato na espera, ali na geladeira.
Não é muito. Na maior parte do sítio, se planta capim. Os animais agradecem.
Mas tem manga, abacate, graviola, jabuticaba, fruta de conde - e por aí vai.
Lógico, ainda tem leite - e acho que voltaremos a fazer queijo.
Por fim, tem banana. Banana figo cozida para reforçar o lanche.
No meio de tanta loucura, de um mundo tão desencontrado, dá gosto essa atividade de produzir alimento, alimento limpo, alimento com gosto de um sorriso no final da refeição.
Vale lembrar o sorriso da minha irmã mais nova quando se refere as coisas do sítio: é uma comida viva, diz ela com os olhos brilhando.
Doce de goiaba, doce de carambola encerram a lista, como sobremesa. E o texto se encerra com a certeza de a vida se refaz, com estilo, a cada dia, com a transformação da terra, do adubo em alimento.
Ainda acredito num mundo melhor.

sexta-feira, 17 de maio de 2013


Daqui e dali
E o tempo me pegou! Planejei praia - Felipe iria conosco - num mar de azul para verde, praia que minha irmã mostra como quintal da casa dela, quintal que é nosso também.
Nem tudo é perfeito: vem frente fria, chuva e programa desfeito. Fiquei assim com cara de quem toma um tombo, sem saber a causa, alguém que tome remédio amargo.
Giselle bem que queria aproveitar a praia, mas não deu.
Bom, de qualquer forma, sigo amanhã. A lagoa me espera e quero ver se consigo  - não, deixa para lá: se eu coloco o caiaque em cima do carro, posso ter problemas e vai sobrar par a Dil.
Do outro lado, capim plantado, chuva, obrigado, chuva! Lá vai o brotinho do capim que tem pouco tempo para crescer, porque os dias já estão mais curtos e a chuva tende a diminuir. Nessa altura, o lago voltou a encher e a festa dos patos - não sei que tanto eles devoraram na tona d'água - prossegue entre mergulhos e bater de asas. Os vôos cessaram: asas cortadas porque tinha pato voando para não voltar.
O Comanche, o novo cavalo pampa - ou será Kaicangue? -  já puxa carroça e facilita a vida da Guerreira, égua que é o xodó das crianças.
Vou sentar no degraus da capela da olhar o lago, vela acesa para São Longuinho, porque, rezando para ele, Amélia achou meu óculos - perdidos por uma semana - sob o banco do carro, lugar onde muito gente havia procurado! Três pulinhos agradecidos!
Sentado ali, não há como não pensar em aproveitar aqueles bambus. São enormes. Por outro lado, plantados ali, formam a paisagem junto com o enorme pé de jamelão.
Nem tudo é exato como a gente quer, mas sempre há um motivo para agradecer a lua, o sol, a chuva, o abraço amigo, a palavra de incentivo, o abraço, ainda que pela infovia, a saudade que se faz forte dos que partiram.
Na capela, nada demais: vou pedir força a São João para a próxima fogueira, marcada para dia 22 de junho, um sábado, com direito a feijão, quentão, aipim cozido, bolo de fubá da Denise, canjica, batata-doce, melado, milho e alguma coisa mais.
Já dizia o velho Mao, lá na China, que quando um homem cansa, ainda corre mais 10 km. É. Estou cansado, tem coisa demais para fazer - acabo fazendo menor do que quero - mas, enquanto eu puder e Deus deixar, vou fazer a festa porque roça, sem festa, sem cavalo, sem amigos, sem churrasco, não dá certo.
E apesar das dificuldades, como é bom ver crianças montadas a cavalo, gente andando de charrete, netas dando milho a patos e galinhas; do outro lado, como é bom sentir o caiaque rolando na lagoa, o braço cortando água, água grossa de sal.
Não sei - nem me preocupo - quanto tempo vai durar mas encaro a vida como uma festa, festa que só termina um dia, quando o sol raiar. Por enquanto, quero mais é que o som sertanejo me faça dançar, dançar sozinho, apoiado nas muletas, com a Claudinha por perto. É na música, na alegria que a gente fica mais leve, mais perto de Deus. Prepara a alegria, gente, que o São João vem aí!!

terça-feira, 14 de maio de 2013


Apenas um dia

Um amigo, um primo, uma cama de hospital. Não é a melhor imagem, mas é o fato, realidade dura, terna e inevitável.  "Quem faz o dia bonito é você" - diz a postagem. O dia se fez bonito pela promessa de navegarmos juntos - eu e o primo que quer ficar bom - nos caiaques da Praia Seca.
As imagens, horríveis imagens de animais maltratados, irritaram minha amiga; ela está com a razão. Para que mostrarmos absurdos? Há um prazer sádico nestas imagens de bichos degradados. Concordo e pergunto: o que adianta chocar as pessoas?
E ainda tem gente que fala em "pesca ecológica": enfiam anzol n boca de um peixe e acham que ele ficará bem depois de solto. Essa gente se torce quando um dente dói e nem imagina um peixe sem comer por um ou dois dias.  Eu pesco, pesco para comer. E nem pesco mais, porque as pernas não ajudam.
Mas há luz no fundo do túnel - falando em Face - quando a imagem é de uma criança encantada com uma flor ou as portas magicamente floridas em algum lugar quase encantado. E tem beijo, tem brincadeira, tem protesto.
Perdido nessa divisa entre São Gonçalo e Niterói, ainda consigo ver a lua no céu, sem balas riscando a noite. Sei que, bem ali, a morte acontece. Sei de homens armados no muro do posto de saúde. Gente que não se criou aqui, gente que veio do Rio.  Melhor é a lua, melhor é ouvir perdido tropel de cavalos na noite ou o latir repetido dos cães, irritados com algum passante.
Gosto de contar da importância deste espaço, onde as amizades se reforçam e ressurgem, amizades que não se importam com a passagem do tempo, que nos torna capazes de saber que há identidade e diferença na forma de pensar de pessoas que se empenham por um mundo melhor.
Então o peito fica assim, um tanto agitado, depois de um dia em que fiquei sem forças diante da luta de quem enfrenta a doença, que articulei ações na área jurídica e, por fim, que vi a NET instalar um cabo que - viva a tecnologia - me dá a possibilidade de uma internet menos irritante.
Não, não abro mão de uma amiga e entendo que sua sensibilidade, voltada para o encanto dos momentos de ternura entre os animais, lhe cause momentos de perplexidade e - será? - até mesmo vontade de dar uns piparotes em alguém.
Liga não. Linda é  flor, amor perfeito, postada em sua página. Lindo é o colorido das lavandas, linda é a lua que nos encanta na noite. Belo é o espírito de quem prefere sempre a música e mesmo é belo o humor do amigo com suas mulheres e piadas.
Não sei se teremos um mundo melhor. Sei apenas que, dentro do peito, entendo, cada vez mais, a importância de tratar animais com atenção, com carinho.
Faz de conta que passei na horta e vim pela asa do vento deixar aqui um belo ramalhete de rosas selvagens, flores pequenininhas, azaleias e tantas outras mais par que o cheiro do campo, lá da minha roça, fale do amor possível entre as pessoas.
Esse ramalhete tem nome: amizade e o gosto é de amor para encerrar o dia com um sorriso de uma amiga querida. Espero que sim.

domingo, 12 de maio de 2013





Dia das mães

É tarde, eu sei. Cheguei há pouco. Dia agitado. Engarrafamento, essas coisas. No peito, a lembrança do curso primário: rosa vermelha para as mães e os que já não têm, rosa branca. Ficava com pena do meu colega, que levava rosa branca.
Tempo passa, minha mãe é só saudade. Rosa branca.
A saraivada de lembranças passa por pescaria nas madrugadas da lha, lições de gramática, francês, poesia. Com ela aprendi a fazer compras, um pouco de cozinha, o respeito pelo próximo.
Minha mãe - mãe de nove irmãos. Mãe em lágrimas quando um de nós - estudante do Pedro II - foi embora. Nem sempre fui filho cordato. Nem sempre. Mas o som e piano, em noite de natal, está indelevelmente gravado no arsenal e boas lembranças.
Por muitas mães estou cercado. A todas admiro: mães amigas, leoas em defesa dos filhos. Mães carinhosas, mães apreensivas, mães sempre prontas a orientar e proteger os filhos.
A  segunda-feira começa, porém ainda é tempo de deixar um grande abraço para todas as mães.
Deixo abraço especial para as mães dos meus filhos - em especial para a companheira que segue comigo nesta caminhada.
Se fosse possível, gostaria de notícias do outro lado, para dizer à minha de todo o carinho que não disse.
Enfim, fica o registro da admiração pela força das mulheres, mulheres que carregam dentro de si a beleza do sentimento revelado na maternidade.
Mulheres, mães queridas, fica registrado o meu carinho, a minha admiração e a certeza de que, lá longe, posso contar com o carinho da minha mãe.
A beleza das rosas diz muito bem do respeito que as mulheres merecem. Como não tenho rosas, fica o texto. E, de novo, um grande abraço.

quarta-feira, 1 de maio de 2013


Um belo casamento
Cada pessoa tem seu jeito de conduzir a vida. Desde que não nos ofenda, resta respeitar. Assim é. E, com regras próprias, Olivar criou duas filhas, belas filhas, queridas sobrinhas: Lucas e Érika se casaram há algum tenpo;  Ian e Érika se casaram ontem. Lucas e Ian são sobrinhos queridos, filhos de Antonio, o irmão professor de educação física.
Sobrinhas - pode considerar suas filhas, eu deixo, me disse o pai. Como tenho imenso carinho pelas duas, fiquei assim emocionado, sem saber direito o que dizer.
Ah, disse ele, você  é o tio caiaque! Leio o que você escreve!
Érika chega para fazer dupla com Viviane, esposa de Lucas. As duas são bonitas, de uma beleza para fazer inveja à capa de revista.
Um dia, um dia triste, Viviane chega junto de mim: tio, o que posso fazer para ajudar? Eu, perdido num Hospital de Araruama, apoiado em Tarso - sobrinho que ajudou na primeira hora, na hora em que foi duro descobrir meu pai num saco preto - a forma como o corpo dele foi entregue pelo Hospital - fiquei surpreso com a ternura como fui tratado por aquela moça bonita, que eu pouco conhecia.
Desculpem, estou misturando tristeza com alegria, mas é verdade. E Vivi, com aquele jeito bonito de menina da zona sul, se revelou sempre uma pessoa de trato afável, uma menina simples, capaz de participar conosco das festas, do churrasco no sítio, dos momentos em que a família se reúne e mais parece uma festa viking.
Ontem, ontem foi só festa, num lugar bonito em Jacarepaguá. O casamento teve música, gente bonita, um pastor inspirado numa cerimônia pouco ortodoxa, com direito a duas belas declarações de amor. Depois teve dança, alegria, primos reunidos numa prosa sem fim. Quando prestei atenção, a madrugada começava e era hora de atravessar a baía de volta pra casa.
Comida gostosa, bebida farta e Felipe, seguro no que faz, restrito aos sucos para poder dirigir na volta. Se houvesse lei seca, ele queria passar sem problemas. No final, levou um susto porque pensou que o bom-bom poderia conter licor. Não continha. Também, não havia o balão da lei seca.
Jacarepaguá foi minha roça, quando eu era menino. Não conheço mais o bairro, cheio de apartamentos, mão e contra-mão.
Olivar estava muito emocionado. Viúvo, terminou de criar as filhas sem o apoio da esposa. A festa do casamento da filha foi muito linda. Merecidamente bonita.
Abraçar Ian e Érika mexeu fundo com meu coração, coração que pula, emoção que revolve com o melhor que há dentro da alma.
Antonio, o pai do noivo, estava assim um tanto reservado, sem saber o que fazer com a emoção inevitável.
Tio Caiaque. Gostei! E fica renovado o convite a Olivar: venha para a lagoa, vamos andar de caiaque!
 Crianças alegres, Felipe com Giselle e Marcelo com Débora fecharam o grupo da família do Tião, sem esquecer Sofia, que brincou muito, junto com Carol. Amélia, com Steeve, veio de Praia Seca e estava radiante, como muito tempo eu não a via assim. A meu lado, Dil, de longo, para meu agrado. E a sobrinha Cláudia, feliz com  festa.
Para terminar, Tom, que sabe de fisioterapia: Tio, se livra dessas muletas, faz a cirurgia! Tem gente que fez e joga tênis! Ainda mais você, que não fica parado.
Não sei. Prefiro células tronco, mas ...
Durante a cerimônia, fiquei feliz olhando o céu e lembrando como o velho José Alvaro estaria feliz ali, no casamento do neto e vendo tanta gente bonita. Certamente ele não perderia de vista as pernas bonitas que andaram por lá.
Da mesma forma, estaria abençoando a união do casal, participando dessa corrente para que o amor os faça muito, muito felizes. São os meus votos.