domingo, 30 de junho de 2013

Deu Brasil!!!
E que jogo!!!
Lógico que assisti! Assisti na Globo, na Band - olha, isso é um privilégio! Na Copa da Suécia,  nós ouvimos pelo rádio!
Houve um jogo - acho que foi o primeiro gol de Pelé que ouvi narrado - em que o silêncio, na Cinelândia, era total, até o grito de Gol!! Acho que o jogo - difícil - foi contra a Hungria.
Vai lá: religião, cada um tem a sua.
Time, cada um escolhe o seu.
Mas seleção brasileira, nem com os generais, deixou de ser Seleção! E esse doido do Felipão consegue o milagre! Os meninos jogaram como há muito tempo eu não via!

A nota destoante foi o enfarte do meu irmão Antonio, um dedicado professor de Educação Física e louco por futebol. Pelo menos, sei que ele está alegre com o resultado da seleção.
Vamos esperar que  os médicos consigam deixá-lo novamente em condições de dar aulas - paixão que ele não esconde - e de praticar esportes. É um irmão muito querido. Temos andando juntos nos últimos tempos, em atividades como sítio e lagoa.
Ele monta e sempre me incentiva a montar. Meu coração, que já não vale muita coisa, está apertado com esse evento.

Jogaram pedra na polícia???? Nada, foi a Dilma que mandou a polícia atrás de gente pacífica para bater. E os caras, de plantão, estavam irritados, sem ver o jogo!
Tem gente que não quer a Dilma: dizem que é fraca!!! A turma machista está contente. "Não falei? Quem manda votar em mulher!".
Em termos de força, recomendam um General para substituí-la. Como repórter, sou isento e apolítico. Sou estou relatando.
Amanhã é segunda-feira, eu já comi um doce, a adrenalina está caindo e acho que vou encarar uma cama. Aqui, onde moro, já foi terra de índio. Será que vão me deportar na próxima caravela? Vou acordar cedo, para saber o que vai acontecer.
Tem outro que quer acabar com o agronegócio. Legal. Ninguém mais planta, nem colhe e os urbanos vão viver de luz!!! Que lindo!

sábado, 29 de junho de 2013

São Pedro
Em Jurujuba, a festa de São Pedro acontece e não dá para comer um peixe: o guarda nos aconselha a  voltar! Houve a procissão e só vi o retorno de alguns barcos, ainda enfeitados.
Amanhã é domingo, possivelmente, um domingo de sol. Mas cadê ânimo para viajar? O corpo anda doendo menos, mas as muletas tornam a vida cansativa. Os cães festejam: não ficam sozinhos. E eles murcham quando saímos de casa.
Na volta, Fumaça late, late forte como se brigasse por causa da nossa ausência.
Bom, atividade não falta. A carpintaria vai funcionando e fico caprichando na casa de cachorro, que está em fase de pintura. Trabalho de velho é pouco, mas acaba dando certo. E o cabo da peixeira recuperada já está envernizado.
Depois, tem o youtube  com aulas sobre uso da serra, da tupia, além de mostrar inventos plausíveis para uma oficina caseira.
Tênis velho, calça manchada de tinta, camisa. Esse é o uniforme da oficina - calçado e meias são essenciais par enfrentar o mosquito.
Ainda não cheguei nas plantas. Vasos e mais vasos estão à espera para o plantio.
Aqui no Face,  acompanho os protestos, as postagens dos amigos, os comentários de quem sabe de posicionar dentro do que se pede para o País:  honestidade, respeito, ética, educação.
As mãos não são mais firmes, porém é preciso seguir, não é possível parar. É preciso estudar, ler e desenvolver algum trabalho físico. Na sociedade atual, a tendência é de que os velhos fiquem segregados, quietos, sentados num sofá à espera do fim. Há exceções, há quem consiga entrar em programas interessantes, mas nem sempre é assim. A grande luta é para que a lucidez não se acabe, a grande luta é para prosseguir gostando da vida, a grande luta é para aceitar o remédio nosso de cada dia, a grande luta é para não desistir e deixar que a corrente leve o corpo embora.
Sempre acontecem as alegrias, como a fogueira de sábado passado. Nada organizado, mas a família responde presente e os amigos de fé não falham. Pouco fiz, mas gostei do que vi. Também é alegria o aniversário da Corina, a amiga que me fala de formas carinhosas para admirar a natureza, a vida, no caminho de Deus. É a moça da Lua, com seu jeito de quase feitiço.
Fotos do Iram, Expedito sempre irritado, Solange na luta para mudar o País, Silvinha sempre amiga, Álvaro a favor da maconha, Jurema e Reti com seus muitos bichos, Aninha com seus doentes - minha amiga capelã - irmãos, filhos, sobrinhas - a família de sangue na minha família do mundo: tudo isso é a Internet, que me ajuda a viver.
O perigo é essa facilidade de comprar ferramenta, caiaque, bicicleta: ainda bem que Dil anda por perto e controlo minhas loucuras. De quebra, navego músicas de todos os cantos do País e ainda me deixo encantar com a beleza nordestina das meninas do Clã.
Quando a tristeza vai chegando, fujo para a alegria e há sempre uma palavra amiga, um sorriso que me diz que a vida, ora a vida, mesmo doída, vale a pena ser vivida. Não sei se sou fiel: são muitos os afetos que cultivo. O coração é rachado, mas ainda não se cansou de amar.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Bala
Um objeto de metal no quintal da frente da casa. Simples: um projétil de arma de fogo. Uma bala de grosso calibre.
Repressão no Rio, os bandidos se mudaram para o Campo Novo. E tem gente armada nos arredores do Posto de Saúde. São Gonçalo nunca foi um município pacífico, mas daí a encontrar bala no quintal, é a primeira vez.
Nessa divisa de Niterói e São Gonçalo,  tudo falta.
Solange Marreiro, a guerra é séria por aqui. Tem um carro do Detro na Caetano Monteiro, para que as vãs não passem. Quando elas passavam, havia ônibus com mais frequência. Agora, eles taxam os passageiros como "mercadoria" exclusiva e deixam ficar no ponto.
Então, a pauta de transportes precisa partir de uma planilha (técnicos de universidades e outras instituições podem elaborar) para estabelecimento de uma tarifa justa. E depois: obrigatoriedade de horários, inclusive depois da meia-noite, exigência de veículos em condições de transportar gente, punição para a lotação em excesso.
Na educação, sugiro, para começar, o fim da aprovação automática.
Peço desculpas pelo radicalismo, mas fica a sugestão de adoção de medida chinesa: bala na nuca para político corrupto.
Silvinha Lanfredi, concordo com a reforma prisional. O sistema faliu, não recupera ninguém. Há que mudar, graduar, separar e mandar meia-duzia para o capeta cuidar. Está ficando difícil continuar bonzinho.
Conversa nossa no café da manhã: vamos chamar o Lineu, sim o Lineu da "grande Família": é preciso fiscalizar os mercados que desligam geladeiras à noite. É preciso prender que inventa o quilo de 900 gramas.
A classe média não tem fôlego, não acredito. Esses que estão tocando fogo são bandidos, que se aproveitam do protesto para roubar e destruir. Não são radicais. São o produto de um tecido social que se esgarça e dá como resultado esse tipo de juventude.
E tem mais: há empresa em Niterói que se recusa a mexer no valor da passagem.
Pena que as lideranças políticas que deveriam conduzir as mudanças - mudanças políticas, claro - se perderam.
Bom, fica o desabafo de um velho, irritado com uma bala no quintal. Não adianta quebrar cadeira - cadeira nós pagamos. É preciso cadeia. Cadeia ou poste. Do contrário, a pizza está quase pronta.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Entrevero 2
Meninos, meninos eu vi. Vi e participei. Ficava até tarde nas assembleias sindicais para noticiar as greves. Repórter do Jornal do Commercio do Rio, eu era responsável pela coluna sindical. Trabalhava até tarde. Dia seguinte, turno da manhã no Pedro II.
Foi assim que vi o comício da Praça da Bandeira, com a participação de Jango, então presidente da República.
Foi assim que cobri as reuniões do CGT e conheci líderes como Hércules Correia dos Reis, Dante Pelacani,.o genial orador Roberto Morena e outros mais. Conversei muito com nosso professor Bayard Boiteux, mestre de matemática no Pedro II.
As grandes manifestações, com a participação sindical e estudantil, incomodam a direita. Não havia internet, tv ainda era fraca e o oradores apareciam, empolgando as massas.
Muito debate, muita discussão.
Final de 1963. Fim do período colegial. Formatura no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A vida segue, vestibular, Faculdade de Direito no início de 1964. Reforma (esquerda) e ALA (direita) procuravam cooptar os calouros, ainda um tanto indefinidos sobre suas convicções políticas.
A festa democrática tinha lugar para o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e grupo do 11 (o ideal da guerrilha à esquerda). Vamos considerar as duas posições como extremas. A massa, nos sindicatos, queria mesmo era melhorar de vida e dava gosto ver as atividades do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, capaz de editar apostilas e uma revista - Época - de boa qualidade.
Mas o discurso anticomunista tomou força. Diante de uma esquerda mais barulhenta que organizada para a guerra, foi fácil aplicar um golpe, que começa em 31 de março e eclode a 1° de abril de 1964.  Golpe que derrubou o governo instituído pela força das armas. Golpe porque fala em democracia mas fecha instituições democráticas, cala opiniões contrárias, institui a tortura e o medo.
Saudade do excelente professor Francisco Magabeira, de Economia. Saudade do clima gostoso de debates que havia na Faculdade. Foi tudo embora, levado de roldão por uma onda repressiva, com instalação de comissões de inquérito em todos  o lugares. Balas marcaram a frente do prédio da Faculdade.
As eleições sumiram, o debate acabou, os colegas passaram a ser inimigos. Na minha cabeça, texto de um depoimento na Comissão de Inquérito, presidida pelo Professor Theófilo de Azeredo Santos, depois feito líder do sistema financeiro:
- Não estive na faculdade nos dias 31 e 1° de abril, mas são conhecidos como notórios comunistas fulano, sicrano e beltrano...
Não era mais uma escola, era um palco de lutas, até mesmo corporais. Quiseram bater no Boa, eu acertei o cara depois tomei um soco por cima da orelha, que me deixou zonzo. Foi a briga do 4° andar.  O diretor, Helio Gomes,  até então seguidor de Jango, virou a casaca e saiu punindo alunos, sem pena.
Já não há mais sindicatos, nem lideranças, nem oposição.
A partir daí, acontece o Caco livre, acontecem as manifestações de rua - uma luta de pigmeu contra gigante.  Soldado no combate, tomei muita pancada mas, pelo menos, sabia porque estava lutando.
Ainda me lembro do frio na barriga que a gente sentia antes das passeatas: lembrança boa é esperar na Uruguaiana, braço dado com Norma, para soltar o grito na rua. Diferença crucial: as balas não eram de borracha.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Entrevero
Naquela noite, Dona Amelia chorou. Ver o filho machucado, camisa rasgada, não foi nada bonito.
Estudante do Pedro II, repórter de profissão. 
Que tempo? Final de 1963, possivelmente. 
-Vai cobrir essa reunião do Conselho Nacional de Petróleo - ordena o chefe, charuto na mão. 
O repórter segue par av. !3 de maio, ali no centro do Rio. Pauta furada. Não tem reunião. Consegue um telefone, liga:
- Não tem a tal reunião. Será na semana que vem, mas tem um comício aqui na Cinelândia. Quer que eu cubra?
- Está bem. fica por ai. Ordem mastigada, um quê de insatisfação.
Praça. Palanque armado na escadaria do Municipal. Fora governo, fora Santiago Dantas, chamado de "Santiago de Cuba", por causa da comenda dada a Che Guevara. Lacerda, governador do então Estado da Guanabara, era contra o governo federal e mandava na PM.
O comício corria, a PM anda agitada, até que, na escadaria do teatro, do lado da av. Rio Branco, começa uma confusão.
Rápido, o repórter chega até lá. Um homem tenta arrancar uma faixa das mãos de uma senhora.
- Não faz isso com a senhora!
- Faço, sim!
- Não faz não.
O diálogo foi rápido e áspero.
O repórter pega nos pulsos do homem e o empurra. A PM chega, chega batendo.
O homem se identifica como policial, investigador do DOPS, e a carga cai sobre o repórter.
Menino criado solto em Jacarepaguá, o repórter aguenta, não cai, não entende. Cabeça atingida, corpo que dói, chutes. Flashes, fotos.
Conduzido para o carro da polícia, o repórter ouve o discurso do deputado Eurípedes Cardoso de Menezes, do PDC - Partido Democrta Cristão:
-É comunista, senhores, merece apanhar!!!!
Como? Não era comunista. Católico, família alinhada à direita.
Pulsos amarrados com uma cordinha, jogado na caçamba e lá vai para o DOPS- a Delegacia de Ordem Política e Social, repressão política explícita;
- Liga para a redação!
Ligaram. Quando desembarca na rua da Relação, o tira tenta desfazer as marcas da cordinha no pulso do repórter. Depoimento, liberdade, redação e caminho de casa.
Dia seguinte, ânimos serenados, corpo de delito.
O investigador vira um conhecido:
- Você deu sorte. Quando você me empurrou, tentei sacar o revólver, mas enganchou no cinto e a PM chegou batendo. Eu ia atirar.
Hebert Moses, presidente da ABI, manda um telegrama de solidariedade.
De volta à noite anterior: o repórter foi para casa no carro do jornal.

Minha mãe chorou. O repórter era eu.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Namoradas

Namorada! Como foi difícil a primeira namorada! E a menina que tentei namorar - não deu certo! E a paixão doída dos tempos de colégio? Insegurança do gordo, que não se via bem na fita. Pior: o acreditar na história de minha mãe que filho dela era para respeitar a filha alheia. Custei a sair dessa pilha!
Certo estava meu irmão que, quando questionado, respondia:
- Não mãe, não fiz mal! Fiz bem, ela bem que gostou!!!
Mas as namoradas aconteceram. E como era bom namorar, como foi bom descobrir que o gordo também tinha direito às namoradas, além das muitas amigas que fizeram sempre a vida um tanto melhor.
Namorada! Era um Rio diferente. A noite não respirava tanto medo. A gente podia andar na praia, namorar no escuro do cinema ou ali, naquele canto escuro do clube, durante o baile.
Melhor, havia bailes e a gente dançava, percebendo e admirando essa coisa sensacional que é o corpo das mulheres. Nesse rodopiar, o gosto fica forte, a gente se empolga e a paixão acontece. Mais que a paixão, acontece a promessa, o contato, a dúvida, o querer sem saber exatamente até onde ir. A liberdade tinha lá seus limites...
A namorada de hoje? Continua a mesma de muitos anos.
A adolescência acabou, o vida mostrou caminhos e caminhos. Casamento. Casamento desfeito. Mas o amor se renova, a vida recomeça, a noite tem olhos de gata, de onça brava, de cabra mansa. Barco solto em mar de doido, não foram poucos os portos, até que a determinação de um destino me leva a um porto, onde as amarras se fixaram.
Porém o amor sempre fala mais alto no peito e se espalha, se modifica, e alastra em forma de ternura por tanta gente querida.
Dia das namoradas, dia de amor. Dia de ficar feliz apenas porque a vida segue, porque o sol brilha porque, do amor, o que fica são as melhores sensações, os filhos (e a filha) todos muito queridos.
E, para Dil, fica meu carinho maior, nesse namoro que caminha a mais de 30 anos, na construção de uma vida, de uma parceria que faz deste louco um cara mais tranquilo na forma de encarar a vida.
Para as namoradas - as marcas ficaram no coração - meu respeito e meu abraço. E que a vida nos mostre, sempre, os caminhos por onde o amor é mais bonito.
Feliz dia dos namorados, dos enamorados, do amor, da poesia. Gente, eu estou realmente feliz.