quinta-feira, 25 de julho de 2013

A poesia me acordou, apesar da chuva. Esqueci crianças da África, mortos da Síria, pessoas destroçadas pelas guerras, ou bombas de Israel. 
Quero a poesia. Invoco os mestres. Nara canta delicado.Vinícius. Tom. Dessa forma, o dia fica mais bonito e me lembro das amigas, queridas amigas que me incentivam a escrever esses textos sobre o cotidiano e não aparecem quando falo de política. 
Musas da poesia me dizem que o frio é aconchegante, que o vinho - bom vinho - me fala de canções, de amor, alegria.
A cada dia, é preciso achar o sorriso logo pela manhã. 
Surfo na ondas do Papa, que espalha simpatia por onde anda, prega a paz e convida representantes de outras religiões para participarem da missa em Aparecida. A informação teve pouco destaque, mas é a nota de novos tempos para a igreja. Ando longe da religião, mas não perco fé. E a crença é mais espírita que católica. 
Bom, sigo em busca de um café quente. Vou enfrentar a umidade da oficina com a esperança de que um dia, ao acordar, o mundo tenha desistido das guerras. Não custa sonhar.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Olho as fotos da página. Fogo da festa, água da lagoa. No caiaque, Felipe brinca com Sofia e Hanna. Neta e sobrinha-neta. As dua meninas adoram a lagoa, o sítio, a Praia Seca.
Esse é o lado gostoso da vida: o caiaque singrando água mansa, em dia de sol e água quente. 
Hoje? Tenho que reconhecer que está frio. Não é o frio chileno que enfrenta Pablo, com 8 abaixo de zero. É um frio para nos fazer tirar agasalhos da gaveta. Estranho tempo. A queda de temperatura andava rara por aqui mas, este ano, o inverno mostra que existe, num dia cinza, chuvoso e frio.
Uma sopa quente, um caneco de vinho, um jogo na tv. E a vida segue mansa nesse final de lua cheia.
Mexo na oficina, colo madeiras - a umidade está por todo lado. Quebro a cabeça para remontar uma pequena mesa que desmontei faz tempo.
O quintal está limpo, preciso cuidar das plantas, não hoje, com essa chuva fina.
Já fui bom para enfrentar frio e não tinha medo de chuva. O tempo passou. Preciso de meias e sapato, preciso de agasalho, boina. Mas não fugi do chuveiro e não adianta praga: o chuveiro não queimou!
Gosto do frio, é verdade, mas nem tanto. E gosto do frio com céu azul, noite estrelada. Faz lembrar caminhada na serra, viagem para o sul. Voltam imagem de cachoeiras frias, árvores amarelas de flor enfeitando a mata.
Enfim, o calor dessa casa me aquece, me aquece o carinho que me rodeia e vou dormir tranquilo, já recuperado da alergia que me levou para a emergência no sábado.
É hora de dormir. Só posso sonhar com viagens no gelo. Chega de frio.
Guerra e trégua
Informações preocupantes me tiram o sono. O futuro, como será o futuro?
A ala jovem - Solange Marreiro e Bruno Freitas - não se conforma com meu pedido de trégua e, civilizadamente, coloca seus argumentos em defesa dos manifestantes. 
Certo. Que informações me incomodam? Primeiro, a informação de que o PT estaria armando um golpe de estado, padrão Venezuela e o caminho estaria traçado na página do partido. Fui ver. Realmente, o PT está com documento registrado em cartório, formando listas de assinaturas, com o objetivo de propor um projeto de lei, de iniciativa popular, no sentido de "aperfeiçoar a democracia brasileira, alterando o sistema político-eleitoral". A proposta inclui financiamento público de campanha, voto em lista pre-ordenada por partidos políticos, aumento compulsório da participação feminina e convocação de uma Assembléia Constituinte sobre reforma política. Slogan: "acabe com a força do poder econômico nas eleições e aumente a força do seu voto".
Há projetos de cartazes e cartilhas por estado. Coisa de profissional.
Analistas indicam que, rejeitado esse projeto, apoiado no clamor das ruas, o PT partiria para o golpe. A conferir.
Segundo, a informação de que militares estariam se mobilizando para enfrentar a estratégia do PT. Fui conferir o site do Clube Militar. Há diversos artigos, publicados na mídia, sempre no sentido de condenar a "baderna". O governador do RJ não é poupado e há críticas ao governo federal, porém nada assinado por militares.
Então vamos ver se consigo enxergar alguma coisa: clamor popular. A polícia do principal aliado do PT colaborando com o caos. Um morto, estado de sítio ... Será esse o caminho?
Deixo essa trilha. Que tal fogo amigo? Há um cisão pública no partido. será que o presidente do PT quer o posto de Dilma?
A movimentação do PT pode ser porta aberta para uma reação à direita, com base no combate à corrupção e à baderna. Seria triste. A quebra institucional para um ou outro lado, a meu ver, não interessa ao País.
Administrativamente, os dados que se tem são terríveis. Investimentos dirigidos para obras faraônicas, todas deixadas para prazos emergenciais, como forma de ampliar despesas de maneira desmedida. Entra aí a grande colaboração da iniciativa privada, que se beneficia dos esquemas e serve de duto para transferir recursos da erário público para o bolso dos políticos.
Quando se fala em ensino, saúde, segurança - os investimentos são nulos. Agentes do estado - extensão rural, agentes de polícia - padecem com a falta de combustível para seus veículos. Quando as ambulâncias abandonadas são apontadas como verdadeiro vandalismo, tenho que concordar.
E, por fim, os conflitos de rua. O que incomoda é a radicalização, o quebra-quebra. Manifestação pacífica tem até batedor para abrir caminho. Não tira o sono dos "governantes". Mas se é a própria polícia que está radicalizando, a quem interessa o movimento?
Gente, a contradição é séria. Polícia violenta, para mim, é pleonasmo. E polícia bater em imprensa - tive meu batismo de fogo - também não é novidade.
Estamos mudando o País - dizem os manifestantes. Ou estão fazendo o exato jogo do PT?
O poder, o poder econômico, que já financiou repressão pesada - Guerra Suja está aí para quem quiser detalhes - não vai deixar barato.
O que me incomoda é essa coisa sem cor, sem bandeira, sem proposta. Tem cheiro de manipulação. Reforma política pode significar golpe. Será? Com a palavra, a ala jovem. É preciso investigar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Chega de guerras

O neto mais novo, Luan, completa dois anos. Ele mora longe, no Chile, mas a tecnologia me deixou conviver com ele na semana passada. A vida segue assim: no mesmo dia, aniversário da Claudia, com direito à fogueira e muita fartura.
Fica o abraço e um beijo para o Luan. Quem sabe, no futuro, ele possa ver essa postagem?
E vem o papa. E vem a guerra. Nada a favor de Sergio Cabral, mas será que não dá para adiar a guerra, pelo menos em homenagem ao papa?
Vamos lá. Corrupção não é novidade. Novidade são os meios de comunicação divulgando o que acontece, novidade são operações para apurar erros, novidade é o poder gritar contra o que está errado.
A bandeira é apolítica? Ledo engano. Na hora em que se pretende derrubar um dirigente, a atuação é política.
Evidente que há uma desilusão muito grande com os partidos. Isso porque as propostas ideológicas foram abandonadas e a política passou a ser uma geleia geral, onde os acordos superam as propostas ideológicas.
Mas, o que se deseja? Mudar os dirigentes? Uma revolução? Mortes? Será que o caos apontará o caminho? A questão da radicalização nas manifestações não passa de forma de atuação. A direita é especialista nisso. Uma ala militar Partiu para colocar uma bomba no Rio-Centro. A explosão deixou às claras a forma de agir da ditadura.
Será que é esse retrocesso que o País deseja???
Nas postagens, há uma confusão ideológica muito grande. A presidenta é acusada de ser fascista aqui e, logo ali, é apontada como comunista. Olha, não é preciso entender muito de comunicação para perceber a manipulação capaz de empulhar inocentes lotados de boa-vontade, porém com baixo espírito crítico para enxergar o que estão realmente apoiando.
A cara coberta dos manifestações é a ponta agressiva do descontentamento e, por contundente, é a que mais incomoda aos dirigentes. E assim se fazem as revoluções: bombas, mortes, grupos para-militares a consumir equipamentos bélicos, fabricados pelos países ditos "desenvolvidos". É isso que queremos? Um modelo sírio?
O papa está no Brasil. Além de líder católico, é chefe de outro país. O que interessa denegrir a imagem do País?
A minha proposta é simples: trégua. Ou será que o povo quer ver o sangue dos manifestantes manchando a batina do Papa?
Trégua. O mundo, no meu entender, não precisa de novas guerras.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lamento

Se a Lua, no céu, às 17 horas, fala de luar e poesia, das feiticeiras amigas que voam nas noites claras, a tristeza me fala que a água corre no peito, apesar dos olhos secos, olhos que querem ver a beleza das trilhas do outro lado da vida. E, do outro lado, num caminho de luz , posso imaginar Dagoberto indo para o sítio em Maricá, para ver seus bichos, suas plantas, a casa.
E aí Tião?
Primo, não tem mais jeito. Você, menino valente do sorriso franco, brigou sério com a doença. Briga sem quartel, briga conduzida pela esperança de voltar a ver o verde do campo, as frutas maduras nas árvores que você plantou.
Não deu mais. Jorge Dantas disse que nós três - depois que o Pai foi embora - estávamos na linha de frente. Ele foi logo, cerca de um mês depois. Agora, foi você. Vou ficando enquanto Deus quiser.  Deixei, por muito tempo, sua foto comigo e Vandinha ali no Face. Três primos, festa do meu aniversário no ano passado.
E brincamos em Jacarepaguá, no quintal lá de casa, fui com você conhecer o Arpador - eu, menino do mato, ali naquele paraíso - saímos na noite para namorar as meninas em Pedro do Rio.
Você, minha proteção nos corredores do Pedro II.
E agora? Já não tenho sócio para o doce de laranja, nem parceiro para transportar bezerros entre a Bicuíba e Maricá.
E a grande madeira? Quase acertou seu pé.
As lembranças - boas lembranças - são muitas.
Difícil não chorar. As lágrimas correm, mas prefiro lembrar de Luciana, dizendo que cantou para você e você dormiu.
Dorme em paz, meu amigo. Um dia a gente se encontra. Fica meu abraço nesse lamento sem fim.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Roça

Saí cedo. Pascoal foi comigo - cavaleiro, paraibano, como eu, nascido em no milênio passado, em 43 e no mês de agosto, companheiro de muitas cavalgadas, adversário na troca de cavalos - um irmão. Compro ração, adubo arame. Sigo pelo asfalto, pedágio - essas coisas corriqueiras. Parada em Tanguá, onde a padaria pequena tem movimento grande, pão gostoso e café quente.
Depois, mais estrada. Minha estradinha de chão batido, poças em consequência da chuva dos últimos dias. Corujinha na cerca. No alto da árvore seca, o grande gavião  com jeito de falcão. E tem canarinho da terra voando na frente do carro. Sol, sol bonito de inverno, num céu azul de poucas nuvens.
Carro corta o tempo, logo a gente chega, essa mania de dar milho aos bichos - Corre pato, galinha, peru. E o cavalo pampa encosta na cerca como quem diz: também quero.
O lago não esvazia - o inverno é chuvoso. Capineiras brotam, tem mais um cacho de banana d'água pendurado na varanda. Alamandas com pouca flor, roseiras brancas, vermelhas, pequenas, grandes recepcionam quem chega na porta da horta.
O tourinho Jersey  - Cacique, cacique sem boiada - vai ficando bonito, junto com a novilha Querência, os que ficaram depois da venda dos bichos. E lá vai ele, testando cercas da capineira, em busca de melhor alimento. E ela ostenta a enorme barriga, barriga que garantirá o leite para futuros queijos.
Passa Damião, que voltou a beber. Adilson está na oficina, de biscate e diz que deixou de beber. Nem fala do potro que vai amansando, Cascudo está na estrada, controlando as vacas, em busca de pasto.
É a roça. Garça que sobrevoa o lago. Marrecas que não aparecem. Um sabiá que canta longe. Leandro, que fala pouco, está atento a todos os movimentos. E cuida da horta. Olha os cavalos. Recolhe os ovos. Deita as galinhas.
Dirigi na ida e na volta. Confesso que quase dormi - mas foi um pequeno lapso, desses que deixam o filho preocupado.  É desse jeito. Fico feliz em cumprir minha tarefa, em sentir que ainda posso tocar - com deficiência, entendo - o pequeno sítio de tantos gastos e poucos lucros.
O que sobra? A satisfação de menino que conserva seu brinquedo mais caro. Não chega a ser um empreendimento. Não consegui chegar ao sistema de produção que gostaria. Então, o sítio produz alegria, encontro, felicidade, churrasco, comida sadia. E algumas rugas de preocupação na face da mulher que divide comigo os pedaços da vida, se bem que ela anda revolta com os pulos do carro no enduros do caminho.
A perna dói, o coração esperneia, o rim grita. E daí? Enquanto o vento soprar forte - forte de quebrar telha - enquanto o granizo não respeitar telhados e deixar a parabólica sem funcionar, vou continuar achando graça dessa vida da roça, onde encontro prazer e poesia na flor da orquídea que desabrocha mais uma vez.
Já de volta, no silêncio dessa casa vazia - só escuto o ventilador do computador - fico rindo sozinho das minhas loucuras e nem parece que no mês que vem, mês de muito vento, mês de cachorro louco, eu fico mais velho novamente. 70 anos. Que posso fazer? Vou comemorar!!! É mais um louco fazendo festa!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Coisas do amor
Se falas de saudade, falo de amor.
Sei lá, queria mesmo era derramar este velho baú encravado no peito, de recordações repleto, de pranto, alegria, grito.
Falo de amor porque fui deixando a saudade guardada, para que ela não transborde pelos olhos: saudade de amores perdidos, saudade de gente querida, saudade do que fui - não sou mais.
Então, falo de amor. Amor que se estende como teia pelas vias da internet, amor por esse contato fugidio que se faz nas postagens, amor pela atividade que ainda posso desenvolver.
Amor. Amor que me faz viver melhor quando penso que gosto dos bichos que tenho, da estrada em que trafego, do abraço carinhoso dos filhos, dos parentes, dos amigos, das amigas. Certo, grande parte desse carinho é cibernético, mas existe e transcende ao simples viver.
Amor pelas mulheres que ficaram, amor pelas mulheres que existem - São Vinícius me ajude - amor pela mulher e por tudo que ela representa na vida gente: lágrima, tristeza, alegria, explosão, filhos, companhia.
Eterno enquanto dure? Sim, poeta, é assim. Então não posso negar essa amor vivido, de tantos anos, de dormir junto, adoecer e melhorar, esse amor que é companhia e convivência, que é paixão e compreensão, que é dúvida e certeza, que é escovas de dente juntos, que é céu e mar, entendimento e até discussão. Mas é amor que se revela em pequenos detalhes do café da manhã, o remédio cuidado e, por fim, o abraço que ainda é o canto do amor feito vida, vida poeta - você diz - repartido em cama e pão. É repartir angústias, é estender a mão no consolo da noite, quando a dor da velhice é inevitável.
Amor. Continuar sorrindo, acreditando na vida quando nossos cabelos brancos não disfarçam nossa idade.
Amor que cobra presença, presença que é a essência desse sentimento que se estende ano a ano, enfrentando tempestade e bonança.
Amor, porque sem amor a vida não existe e nós conseguimos uma vida, uma vida juntos, uma vida vivida com muito amor. E mais não digo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Saudade doída do meu caiaque!
Saudade da lagoa, braçada a braçada, para voltar salgado e feliz.
Amanhã, por que não? Vou encher os pneus da bicicleta. Se der uma volta, será bom demais!
Ganhei, de presente, uma fogueira. Chama clareia a noite, noite depois de um dia de churrasco e feijão  à moda da D. Dil, que, como sempre, assume com carinho  a direção da brincadeira.
Batata-doce, aipim, cerveja. Tomei meu gole com parcimônia. Faltou coragem para montar. O carinho dos amigos, da família - valeu a pena.
Madeira serrada, casa de cachorro pronta, bancada móvel planejada, pequena mesa a ser reestruturada. Carpinteiro, a mais nova profissão, que vai se aperfeiçoando com dicas da internet.
Ainda não consegui chegar às plantas, mas vou conseguir.
E tem fila de leitura: "Paris é uma festa", "Pedra do Reino", "filosofia". A cabeça não pára. Há que brincar com o tempo, encher espaços e fugir da depressão. Tudo que faço, agora, é lento. Viver é ter paciência e brigar para que a cabeça não se perca.
De resto, é visitar o irmão que se recupera lindamente, depois do infarto. A prática de Pilates recupera alguns movimentos que a artrose destrói sem dó.
De longe, vejo um País que se agita. O importante é não virar mais um quintal para os senhores da guerra. Já chega o Campo Novo, bem aqui perto, onde não posso mais passar, porque os traficantes não deixam. O carro da polícia vai lá sempre, o povo só imagina o porquê.
Melhor ficar com a saudade do mar de Praia Seca e contar com um dia de águas tranquilas, para poder chegar sem medo, de preferência, com a garantia dos filhos por perto. A tristeza acontece, concordo, mas não desisto de buscar motivos para ser feliz.
Vou lento. Mas continuo vivo. E ser feliz talvez seja consequência dessa forma de encarar a vida, colado com o sol, com o verde, com a água e com esse fogo de festa junina que me faz recuperar a gana de viver, seja lá como for.
Ainda tenho algumas loucuras para aprontar. Vamos ver o que consigo.