sábado, 14 de setembro de 2013

Pois é. Há horas em que o cavalo tropeça. Lembro quando o Grande tropeçou comigo - era um alasão bonito - e quase fui ao chão.
Vida assim é, parece cavalgada. O corpo balança, as pernas seguram, a gente pede um trago, o coração volta a bater no ritmo e vamos em frente.
Aniversário do Rômulo, sobrinho querido, veterinário competente.
Amanhã é aniversário do Tom, outro sobrinho não menos competente, mas em outra área - a fisioterapia. Como era bom o tempo dessa meninada se divertindo na Praia Seca.
Lixei o rack que armei. Cuidei das plantas - algumas - e vi que as roseiras continuam vivas. Parece que o corpo se recupera e mais tarefas aparecem.
Súbito, uma tristeza. É o tropeção do cavalo. Nada demais. Com diz Silvinha, fico garimpando beleza na florzinha do trevo, descubro botões de rosa onde não havia e só lamento que - tanto tempo depois - a orquídea que ganhei de Antonio e Isabella comece a perder a flores.
Mas a flor de maio inova e vai repetindo florada.
Uma bebida. E o corpo sente calor. Melhor assim. Não vou mesmo dirigir - e, quando vou, não bebo de jeito nenhum. Aliás, esse capítulo - pobre cerveja - vai se acabando ... mas não morre.
E que venha a segunda-feira. Há fumaças de sonho no ar.
Quem sabe uma praia? Quem sabe, remo o caiaque?
E que, lá para dezembro, a gente consiga juntar família e amigos para festejar qualquer coisa - pode ser a vida.
A morte leva gente que a gente gosta, mas esse povo fica feliz com o renovar da alegria, com a proximidade das pessoas.
Então, vale uma cerveja; e a fumaça das churrasqueira dirá que tem festa na Praia Seca. Inevitável conto com a ala mais jovem - filhos, filha, sobrinhos e sobrinhas - para que tudo saia a contento.
Vamos nos encontrar. Cada abraço, cada beijo é mais uma força para a vida. E a vida, a vida nunca vai parar. Sempre se renova. A morte, vem, é certo, mas a vida prossegue na alegria dos que vão chegando.
Morrer é inevitável, mas quero morrer feliz.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Faz muito tempo, a construção começou.
Compramos o terreno,  Praia Seca era um paraíso onde o pai comprara seu terreno. Crianças pequenas, poucas casas, mato em volta.
Vinte ou mais espinhos no pé, quando derrubei o mato. Barraca armada, os mosquitos de sempre.
Tempo, esse tempo danado. O tempo passa, o asfalto chega perto, a luz - ainda não é boa - mas está presente.
Telefone é fácil - vale lembrar os primeiros celulares, com os meninos buscando pontos sobre montes de areia para completar as ligações.
A barraca, antiga, armação de ferro, tinha dois quartos e muita resistência conquistada no cerrado. (Campos de cerrado, Brasília, Planaltina de Goiás - aventuras escritas no tempo).
E construímos - com dificuldade - dois cômodos e um banheiro. Como cabia gente e criança na construção simples!
Fios mal distribuídos, luz emprestada.
Arrumamos o piso, os fios mas o telhado continua de amianto. A casa cresceu em mais um quarto, varandas de piso de cimento.
Agora, o quarto lá de trás já tem laje e a obra começa. Vem laje, vem telha, ferro, tijolo, cimento.
Já não é poesia: a casinha simples, lá no fundo do mato, ganha ares de construção civilizada, sem goteiras, sem poeira mas ainda a casa aberta para os meninos (e menina) grandes, netas, neto, amigos, amigas.
Importante é o espírito da casa que continua aberta aos amigos, disposta para a festa, onde a churrasqueira é fundamental.
E a varanda permanece, a espera do violeiro, dos amigos e amigas para cantarmos na noite tristezas e alegrias sob a luz da lua.
Ali perto, o mar sussurra na praia a história de meu pai, que nos levou para Praia Seca e, um dia, pouco depois do meu aniversário, foi se embora sem querer.
E, quando o tempo esquentar, lá vou eu de volta para lagoa, remar e rememorar o tempo, a vida construída, a casa pronta, mas não acabada porque, como a vida, a casa se reconstruirá em flores, cores, amores por todos os que vierem conviver conosco.
A casa na Pernambuca, ali na Praia Seca, mais o sítio na Bicuíba, formam o espaço que temos para achar a melhor forma de viver. E os amigos e parentes têm lugar permanente nesse caminhar. Que venham! Haverá sempre um lugar para quem chegar.