segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defendo sempre o direito que tens de dizê-las" - Quem disse? O velho nem se lembra mais. Certo é que esse enunciado é pilar da democracia, de civilidade, de convivência entre as pessoas.
Tenho uma amiga chocada com a quantidade de brigas no Face, seja por política, futebol, religião. Por conta de discordâncias, muitas amizades se acabam - me diz a minha amiga. Concordo com ela.
Acho que podemos discordar, mas a civilidade há que ser mantida. Quem curou a coluna de Milton Temer? O médico Ronaldo Caiado, que já atendeu a outros militantes, vítimas de tiro em movimentos de esquerda.
Time de futebol? É, sou Botafogo. Existem outros tão melhores - basta ver a classificação no campeonato. Escalação? Não sei. Sei que eles ganham excelentes salários - regra geral - e que não perco meu sono por causa de futebol. Mas tem gente que é agressiva, que tripudia. Por que?
Política. Votei em Dilma. Tenho uma postura à esquerda, o que não me impede de concordar com muitos posicionamentos da senadora Katia Abreu e de admirar o trabalho da senadora Ana Amélia, até recentemente na chefia da RBS em Brasília.  Da mesma forma, tem radicaloide de esquerda, metido a dono da verdade, que é capaz de mentiras para defender a roubalheira, dos quais discordo inteiramente.
Mesmo com declarações em contrário, vivemos num estado democrático de direito. A presidente é do PT, o governador do maior estado do País é do PSDB.  E os dois convivem.  O PT registra em cartório a proposta de uma mudança política - isso é sério, muito sério - vale a mobilização social para debater os pontos polêmicos da proposta.  Em vez disso, tem gente defendendo o direito da meninada quebrar o patrimônio tanto público, quanto alheio. Será esse o bom caminho? Com que destino?
Gente, a sociedade abriga forças contraditórias. Existem os fatos, mas existem versões - a ficção, o marketing arrumadinho não é invenção atual, vem desde os tempos do descobrimento. Voltaire (Tratado sobre a tolerância) denuncia as falsas histórias da raiz do cristianismo. ele mostra quanta ficção tem atrás das histórias dos mártires.  Mas os mártires justificam, depois, as barbaridades cometidas por cristãos, destruindo gente com a bíblia e o crucifixo nas mãos. É a teoria para um lado e a prática para outro.
Onde nasce o direito? Vem da necessidade do estabelecimento de regras para tornar possível a convivência humana. A força do Direito está na lei, lei que embute um comando, uma norma que precisa ser respeitada.  São os costumes que estabelecem e modificam essas normas. Vale pensar que, em algumas nações, as mulheres são proibidas de dirigir carros. Em algumas situações, são mutiladas para não sentir prazer.
Olha, o Brasil não é o melhor dos mundos, mas ainda se consegue viver. Penso que posições divergentes são normais, porém há que se ter um certo cuidado para não ofender o próximo.
De outro lado, é preciso cuidado com as informações que se divulga. Há muita informação inverídica, malévola, colocada em postagens que as pessoas repetem sem perceber, com exatidão, a quem estão servindo.
Não gosto do Garotinho.  Ma ele está na tv usando dados sérios para falar dos opositores. E dados facilmente comprováveis.
As contradições existem. A organização social cria camadas da população com dificuldades de vida. Quem anda de carro, tem regras até para carregar crianças em cadeirinhas especiais. Quem anda de ônibus, se agarra num balaustre e segura o filho no colo, do jeito possível.
Porém se todo mundo, por insatisfação, começar a quebrar e sem objetivo, sem bandeira revolucionária, o caos será difícil de controlar.
Pelo menos no Face - minha amiga tem razão - vamos manter o nível e vamos respeitar a opinião alheia. Num mundo com cada vez mais gente e menos espaços, é preciso que o respeito ao próximo supere o ego de cada um. Que seja assim em nome da convivência, que seja assim em nome da paz. Par que tanta guerra?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

                                   Poema na madrugada


Quisera te dar um poema
Poema nascido do nada
No meio da sala
Onde os teus olhos fogem dos meus.

Quisera só te dar um poema,
Poema como pão amassado a mão,
Feito do carinho cultivado dia a dia,
Salpicado de bem- querer,
Bem-querer que ajuda a vida
a se perceber melhor.

Quisera te dar um poema,
Como uma flor que não morre,
Que se renova
Nos espaços onde vivemos.

Quisera te dar um poema,
Um poema simples
porque o tempo se encolhe
quando  nossos olhos conversam.

Nem sempre acontece:
Então o tempo dói
corpo envelhece
E, mais que poema,
esse grito
acorda teu sorriso
quebra o escuro
ilumina a madrugada
até que o sol
nos encontre abraçados
no melhor poema que poderemos nos dar.

                                                                Tião Freitas
                                                                     06/03/2010



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Chuva chove sexta-feira nesta manhã morna. Chove. Chove alegria simples de viver, alegria de visita dos amigos, alegria do filho em casa, alegria da casa que se transforma para o nosso conforto.
Alegria de sentir a força de tocar a obra, alegria de ainda poder trabalhar, alegria de sentir a vida fluindo em sangue no corpo. É vida. E tristeza de mais um que morre. E o reviver de alguém que nasce.
É acordar e pensar no que foi - com alegria, lágrima, dor - vivido em tantos caminhos, preconceitos vencidos, rejeições superadas, o viver de um gordo com todas as dificuldades dos olhares maldosos, da discriminação explícita, até que a força toma conta do corpo e os magros se transformam em gordos.
É viver, viver nem sempre amado, nem sempre compreendido, nem sempre certo nesse caminhar onde a presença feminina foi céu e inferno, foi prazer, ternura, amor e desespero. Pele com pele, pele morena, negra, branca, prazer e decepção. Nem sempre correto, (ai a mulher do vizinho é um problema), mas sempre olho no olho, vida que segue sem medo de explodir.
Sou ruim de viola, carpinteiro atrevido, cavaleiro tardio, remador, pescador, remendeiro de sela, um tanto poeta, roceiro pronto e acabado, caipira por gosto, amigo de um viver feliz.
Chove. Dia de São Francisco. Chove verde na roça, chove areia molhada na praia, Chove. Dentro do peito, apesar de tudo, chove esperança de que a vida de todos nós se faça melhor.
Chove. A tristeza se esconde do frio, os cães estão quietos na varanda, as notícias não melhoram mas aproveito do dia em que o coração bate correto para sorver toda a amizade que transborda pelo Face.
Que o voo do pássaro nos indique que não vão chover estrelas, mas que a vida pode ser feliz mesmo ao 70 anos. É isso: eu acordei feliz.