Fim de ano
O nome do veneno? Sulamericana. Depois, Baden; Bock. Provolone. Até mesmo água, água muito gelada. Dia cheio, Correio, Makro, sacolão.
Dil, Giselle, Felipe. Um agradecimento a Graça Monteiro: o livro chegou e está sendo rapidamente devorado.
Faz um ano. Faz um ano que meu dedo renasceu. Uma norma de segurança quebrada, uma zonzeira e um dedo fora do corpo. Carne moída, sangue. Um grito, Euclides, o vizinho solidário, Clínicas de Niterói, Dra. Natália, Dr. José Eduardo Pessoa Teixeira, quatro horas de cirurgia e um dedo no lugar. Curativo - o dedo não ficou verde, salvou-se. Natal em casa, com uma enorme luva na mão.
Além dos mais chegados, Bruno Freitas, afilhado, sobrinho querido. Dioneia Silva, cunhada querida, presente com Paulo Almeida - solidariedade da família e dos amigos.
Artesão: prossigo. Serro, aparafuso, prego. Já não existe a mesma força, a força do homem que pescava, do roceiro que tirava vaca de dentro do buraco. Felipe ficou com a luminária que fiz com base em casca de coco.
Mesa de Natal antecipada, relembro histórias do meu tempo de menino, nozes quebradas a martelo, quintal de Jacarepaguá, expectativa de presentes.
Sacode o tempo, eu e Hélio fabricando um arma de carregar pela boca, metade na casa dele, metade lá em casa. E funcionou com espoleta de papel. Depois, veio a espingarda de carregar pela boca, presente do Tio João Costa. E o pai me ensinou - eu era menino - a manejar a pistola: se fosse necessário defender a casa, eu poderia atirar. Não foi preciso.
Vida. Esse viver insano, coração defeituoso, coração que funciona mal, coluna a se desmanchar, rim com má formação. Vida que rola, belas amizades nesse tempo de Face; Silvinha Lanfredi, lá dos tempos do Orkut, Corina Mota, lá das bandas da serra, Eloisa Galvao, de bem perto, da beira da praia: há mais amigas, como falar de todas elas?
Tem gente que vem da Embrapa, como Maria Helena Lopes, Rosa Edite Lemos, Liane Matzenbacher, Ana Amélia C, Beth Berne e outras tantas pessoas muito queridas.
Como sou? Apenas um destino torto, um bem-querer sem limites, o amar sem muita definição, a paixão encardida que me levou por amores de muitas consequências.
Amar é, assim, um exercício diário, em que encaro olhos que gostaria de ver sorrir. A companheira vem comigo e já não fujo dos padrões de bem-querer, adrede estabelecidos. As mulheres me cativam. E me arrebata a mulher que vem comigo na hora do choro, do mercado ou da alegria. Foi ela quem fez prisioneiro este pássaro inquieto que mora no meu coração.
Já dizia Riobaldo, personagem de Rosa: "Viver é muito perigoso". Concordo, mas viver e amar são verbos de muita alegria. Viver é bom demais.
