sábado, 2 de maio de 2020

Por um País mais justo




Tem gente que se apavora com o comunismo. E pretensas ameaças comunistas justificam golpes contra o estado democrático de direito. Nesses casos, a democracia é suprimida, julgamentos acontecem por ouvi dizer e por aí vai.
Na comissão de inquérito instaurada na Faculdade de Direito, em 1964, foi possível conseguir - e divulgar - depoimento de um membro da direita que declarou que não estivera na faculdade no dia 1º de abril mas que eram conhecidos como comunistas fulano, fulano 2 e mais fulano.
Reconheço que regimes de esquerda foram responsáveis por muitas mortes mas isso nada tem a ver com o socialismo.
Minha amiga Stela, de esquerda, origem judaica, dizia sempre que nazismo não é característica só da direita, era privilégio, sim, de regimes militaristas à esquerda e à direita.
Veja, pode-se ter um regime socialista e uma escolha democrática de dirigentes. Pode-se construir uma pátria com menos injustiças sociais sem ser necessário suprimir direitos básicos como o de de manifestar o próprio pensamento, o direito à crença. o direito às manifestações. Há países nórdicos com belos exemplos de regimes de bom resultado.
Não consigo me enquadrar nos princípios ortodoxos do comunismo. Da mesma forma, não consigo me alinhar ao pensamento nazi-fascista. Porém defendo a melhor distribuição de renda entre os que geram a riqueza de uma nação. É duro ver pessoas que esnobam com luxo enquanto outros seres humanos fuçam o lixo para sobreviver.
Talvez aí resida o ódio ao PT. Os que chamam os participantes do PT de "petralhas" são os mesmos que se intitulam adeptos dos Aécios, Gedéis, Padilhas.São os que acreditam que o PMDB é um partido anti-corrupção e queriam que os eleitores de Dilma pagassem uma conta imaginária porque tinham votado no casto e puro Aécio.
Então fico pensando que o ódio concentrado no PT é o ódio ao bolsa-família, à farmácia popular, ao minha casa, minha vida, ao programa de renda mínima. É gente que gosta de ver as grandes empresas anistiadas de suas dívidas com o Fisco, gente que bate palmas para o bolsa- aluguel e o bolsa-estudo-de-filho, concedidas aos magistrados, é gente que apoia a introdução de dependentes de até 33 anos no plano de saúde do Parlamento.
Pior ainda foi ver pessoas com preconceito contra Lula por seu defeito físico, por ser nordestino, por ser operário.
Posso não ser PT e não ter simpatias pelo Lula, mas uma coisa são as pessoas, outra coisa são as ideias, os caminhos da política para a condução social e econômica do País.
Há que se punir quem rouba, quem comete crimes mas a balança tem que ser exata, não pode ter dois pesos e duas medidas.
Do contrário, teremos sempre um País de elites rançosas e ricas - as mesmas que defenderam a escravidão e diziam que o País iria se destruir com o fim do trabalho escravo.
A escravidão acabou, vei a luta por direitos trabalhistas - a contradição entre capital e trabalho é inevitável - muitas conquistas aconteceram, conquistas que, pelo visto, desceram pelo ralo forrado de grana desse congresso corrupto.
A mola foi mais comprimida. Vamos ver qual será o resultado quando essa mola explodir. Será difícil para o povo aceitar a volta da escravidão.
Quem pensa que a independência do Brasil foi pacífica, precisa rever esse conceito. O traço vermelho, na Bandeira Brasileira, nada tem de comunista: é o rastro de sangue dos brasileiros que morreram pela liberdade. Vamos repetir esse capítulo?
s meninas da direita - as mais educadas - estão reclamando que, nessa hora de horror porque passa o País, deveria haver mais união em vez das pessoas torcerem contra o governo.
Na verdade, quem está contra o País é o povo que não respeita os hospitais nem os profissionais de saúde e vai para a rua, fazer carreata e barulho em porta de hospital. Essa gente joga contra, com base na "gripezinha" do capitão mandatário.
O jogo contrário começou quando elegeram a mensagem da "arminha", da aprovação à tortura e à ditadura em flagrante desrespeito à Constituição.
E esse jogo não parou. A democracia é o regime onde se governa do povo para o povo e com o povo, com um sistema tripartite, com poderes harmônicos, ou seja legislativo, judiciário e executivo devem conviver com o exercício de funções diversas, com respeito mútuo.
Inventaram o combate à corrupção como bandeira de ódio, concentrada no PT, na esquerda, como se os partidos que brigam por educação, segurança, saúde fossem os grandes vilões dos problemas do País. Acreditaram em propostas como armamento e estado mínimo, teoria que pressupõe, por exemplo, o fim da rede pública de saúde, o fim da escolas públicas em favor de uma educação privatizada. A massa começa a perceber que votou contra seus próprios interesses, e em favor da elite rica do País.
O governo era de coalizão, mas o PT levou a fama. Ninguém quer conferir o ranking da corrupção para ver que partidos foram os mais atingidos pelas punições. Esse governo está tão preocupado com corrupção que fez aliança com o centrão e está conversando com Waldemar Costa Neto e Roberto Jeferson, dois nomes condenados por corrupção. Mas o povo comprou a proposta e repete que a culpa é do PT, que está fora do poder há mais de três anos.
Daí, chegou o Corona. Na coordenação um ministro digno do título. Durou pouco, foi defenestrado porque o capitão acha que é festa, não acredita nos dados dos outros países, não é coveiro nem tem nada com isso. O problema dele é conseguir manter os votos para uma próxima eleição.
Quanto aos milicianos, isso é coisa para a Justiça resolver.
Ninguém é contra o governo - até o novo ministro já assume posição de que é preciso manter o isolamento social e reconhece o agravamento da crise da saúde, contrariando a festa dos que fazem carreata por medo das passeatas.
Nessa hora, é inevitável a formação de uma oposição contrária aos desmandos, à dificuldade em liberar recursos para pessoas pobres, à lerdeza em liberar leitos dos hospitais federais.
Ninguém quer mais mortes, a não ser alguém que acha que 30 mil mortes é coisa pouca, alguém que vem de uma corrente que admitiu explodir o gasômetro no centro do Rio e tentou explodir o Rio-Centro, em dia de show.
Na verdade, todas as propostas de Bolsonaro estavam presentes em suas falas antes da eleição, mas o povo achou graça e entro numa programação nazi-fascista, que não tem fim. Parece que há uma tentativa de eliminar os velhos como forma de resolver problemas previdenciários. Eugenia. eutanásia. Sinto-me no corredor da morte.
A questão não é ser contra. A questão é desejar um governo capaz de conduzir a administração pública com um olhar para o povo, nessa hora em que a morte enche os cemitérios sem maiores explicações.
Quanto ao impeachment, que o enfrente o capitão com suas bravatas, já que a medida pode resultar das falcatruas do próprio governo, que vem brigando com a maioria de seus aliados, Se o capitão comete crimes, que seja responsabilizado.
Isolado em Praia Seca, espero que dias melhores venham por aí e, sinceramente, espero que gente irresponsável, insensível vá para o quinto dos infernos. Precisamos de gente competente.
Antônio Freitas, Emanuel Freitas e outras 8 pessoas
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