Faz muito tempo, a construção começou.
Compramos o terreno, Praia Seca era um paraíso onde o pai comprara seu terreno. Crianças pequenas, poucas casas, mato em volta.
Vinte ou mais espinhos no pé, quando derrubei o mato. Barraca armada, os mosquitos de sempre.
Tempo, esse tempo danado. O tempo passa, o asfalto chega perto, a luz - ainda não é boa - mas está presente.
Telefone é fácil - vale lembrar os primeiros celulares, com os meninos buscando pontos sobre montes de areia para completar as ligações.
A barraca, antiga, armação de ferro, tinha dois quartos e muita resistência conquistada no cerrado. (Campos de cerrado, Brasília, Planaltina de Goiás - aventuras escritas no tempo).
E construímos - com dificuldade - dois cômodos e um banheiro. Como cabia gente e criança na construção simples!
Fios mal distribuídos, luz emprestada.
Arrumamos o piso, os fios mas o telhado continua de amianto. A casa cresceu em mais um quarto, varandas de piso de cimento.
Agora, o quarto lá de trás já tem laje e a obra começa. Vem laje, vem telha, ferro, tijolo, cimento.
Já não é poesia: a casinha simples, lá no fundo do mato, ganha ares de construção civilizada, sem goteiras, sem poeira mas ainda a casa aberta para os meninos (e menina) grandes, netas, neto, amigos, amigas.
Importante é o espírito da casa que continua aberta aos amigos, disposta para a festa, onde a churrasqueira é fundamental.
E a varanda permanece, a espera do violeiro, dos amigos e amigas para cantarmos na noite tristezas e alegrias sob a luz da lua.
Ali perto, o mar sussurra na praia a história de meu pai, que nos levou para Praia Seca e, um dia, pouco depois do meu aniversário, foi se embora sem querer.
E, quando o tempo esquentar, lá vou eu de volta para lagoa, remar e rememorar o tempo, a vida construída, a casa pronta, mas não acabada porque, como a vida, a casa se reconstruirá em flores, cores, amores por todos os que vierem conviver conosco.
A casa na Pernambuca, ali na Praia Seca, mais o sítio na Bicuíba, formam o espaço que temos para achar a melhor forma de viver. E os amigos e parentes têm lugar permanente nesse caminhar. Que venham! Haverá sempre um lugar para quem chegar.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
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