Alegria de sentir a força de tocar a obra, alegria de ainda poder trabalhar, alegria de sentir a vida fluindo em sangue no corpo. É vida. E tristeza de mais um que morre. E o reviver de alguém que nasce.
É acordar e pensar no que foi - com alegria, lágrima, dor - vivido em tantos caminhos, preconceitos vencidos, rejeições superadas, o viver de um gordo com todas as dificuldades dos olhares maldosos, da discriminação explícita, até que a força toma conta do corpo e os magros se transformam em gordos.
É viver, viver nem sempre amado, nem sempre compreendido, nem sempre certo nesse caminhar onde a presença feminina foi céu e inferno, foi prazer, ternura, amor e desespero. Pele com pele, pele morena, negra, branca, prazer e decepção. Nem sempre correto, (ai a mulher do vizinho é um problema), mas sempre olho no olho, vida que segue sem medo de explodir.
Sou ruim de viola, carpinteiro atrevido, cavaleiro tardio, remador, pescador, remendeiro de sela, um tanto poeta, roceiro pronto e acabado, caipira por gosto, amigo de um viver feliz.
Chove. Dia de São Francisco. Chove verde na roça, chove areia molhada na praia, Chove. Dentro do peito, apesar de tudo, chove esperança de que a vida de todos nós se faça melhor.
Chove. A tristeza se esconde do frio, os cães estão quietos na varanda, as notícias não melhoram mas aproveito do dia em que o coração bate correto para sorver toda a amizade que transborda pelo Face.
Que o voo do pássaro nos indique que não vão chover estrelas, mas que a vida pode ser feliz mesmo ao 70 anos. É isso: eu acordei feliz.

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