De amor se vive
O canto da sereia. Estão aí o texto, a canção, uma obra de arte de Bethânia. Encanto. Encanto de sal, de mar, encanto que existe no fundo do olhar de cada mulher, nos lábios de quem nos adormece com palavras de pura magia.
Guerreiro, qual o guerreiro que, ao fim do dia, não busca a poesia dos olhos da mulher querida? Quem, ao se deitar, não quer perceber, a seu lado, o corpo de encantamento de todas as noites, a segurança de deitar a cabeça em sentimentos de amor?
Verdade também que, em horas de conflito, a dor se transforma em tristeza, a tristeza em depressão e sono é o desespero de rolar por becos desconhecidos, onde espinhos ferem a pele, onde o coração vive o drama de não acertar os batimentos no peito.
Porém, deusa de todos os poderes, a mulher da luta diária - e me lembro da canção que exalta Anita Garibaldi: amante de noite, soldado de dia - se transforma em dona do carinho para deixar o companheiro extasiado com sua beleza, seu sorriso, seu jeito de, dizendo não, dizer sim ao incêndio em que se transforma a noite.
Há luzir de estrelas, luares encantados, mares de imagens inusitadas em cada cabelo, em cada pele, em cada olhar feminino, perdido na multidão que caminha entre as cidades e o campo, entre a vida e a morte, entre o feliz e o infeliz, entre o encontro e o desencontro. Há sempre um beleza escondida no jeito de ser de uma mulher.
Cavaleiro errante, viajante das estradas do sertão, alguém enebriado pelo sabor das palavras, fico perdido quando começo a pensar e a revisar - velho, felizmente, tem estrada para contar - os meandros em que me perdi por conta dessa admiração pelas mulheres, como diz Martinho de todas as cores, de todos os sabores, mulheres que fizeram a graça da vida, que me deram prazer e o prazer de ver os filhos criados.
É sempre assim o meu cantar. Digam que é machista, não me importo. Sou do jeito que sou, mantido doido nesse caminhar de respeito às flores, a beleza, à magia que sempre reverencio nas mulheres.
A estrada segue. E segue esse canto livre, desrespeitoso para falar do amor forte existente no peito: a companheira que vem comigo é responsável, é rio onde desagua toda a forma de amar e, pelo visto, até que a morte nos separe. Que seja eterno enquanto dure- já dizia o poeta. Eu concordo. Há um encantamento no conviver que faz a vida melhor. Haja, enquanto houver vida, amor. E o caudal desse sentir tem um nome: mulher.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
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