O livro não saiu
O livro não saiu, o velho barco apodreceu - foi queimado - a seca castigou o sítio duramente. A perna direita encurtou, a coluna está se desmanchando, mas, com diz o querido Chico Buarque, eu vou até o fim.
Ficou porta de carro sem fechar, fui buscar, não trouxe - esqueci - a melhor égua morreu, o touro ficou manco, bicho do mato matou os patos, o livro não saiu - bem que tentei.
De bom, nossa comida de todo dia, o carinho das pessoas próximas, a festa, em agosto, de aniversário. E dancei, e cantei, e vieram os amigos e a família para celebrarmos junto.
Remei, andei de bicicleta - muito pouco - mas não tive coragem para montar a cavalo. Ganhei whisky bom, garrafa de amarula, orquídeas que duraram meses. Principalmente, ganhei a presença de tantos sorrisos, de muita amizade.
De bom, os textos, textos que vão ficando por aí, perdidos nessa Infovia. Fiquei triste, fiquei alegre, tive medo dos esquecimentos e da dor inegável, principalmente na coluna.
Renovei a CNH, continuo dirigindo, porém com cuidado redobrado. A casa do sítio ganhou laje, os cajus são muitos, muita é a manga que os cavalos devoram.
E assim vai a cabeça, entre textos e funções na oficina. Voltei a trabalhar na serra de bancada, comprei um traçador, que muito me ajuda. Leio, escrevo, mergulho num mundo imaginário, viajo páginas e imagens.
Que venha o fim do ano. Ainda seremos capazes de organizar a festa? Acho que sim. Dil se preocupa, fica tensa, mas a vida segue.
Voltando aos presentes, vale lembrar um lagostão que ganhei - o Sebastião - presente da neta Sofia, que gosta de sereias: ele é protetor da pequena sereia! Pois é, a figura fica ali na estante, na proa do barco que improvisei. É um presente lindo.
Feliz Natal!

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