Vida
Tem sal, tem pó de madeira
nesse meu cabelo branco,
branco de estrada, de muita luta.
Cicatriz no braço?
Tenho, do aço que desarmei
pela vida de um desconhecido.
Do peso, o excesso vem das feijoadas,
churrascos e muito arroz com feijão.
A coluna é estragada
de tombo de bicicleta,
queda de búfalo
esforço para tirar uma vaca - não era minha -
do buraco.
Há cicatrizes na alma
choro de adolescente rejeitado
pela menina que não me quis.
Das guerras, esqueci. Conflitos, não lembro.
Há cicatrizes na alma de todo o amor vivido
amor das mulheres dignamente apreciadas
em sorrisos, abraços, olhares cristalizados no tempo.
Do que foi amor
não esqueço: pele arrepiada, um laço no abraço
festejando a vida.
E lá vem o tempo apagando o rastro da estrada
passada.
O peito é quebrado - certo -
mas lá no fundo forjado em aço fica a imagem
do amor que perdura
da vida simples vivida,
de olhos que me falam de amor.
E assim sou eu: de sal, sol e poeira de madeira
nesse cabelo branco, prova da vida vivida,
que, do amor não me arrependo:
Das guerras, eu me esqueci.
sábado, 28 de maio de 2016
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