As avós estão sumindo. Que afirma é o Juarez Porto, em artigo no Jornal de Santa Catarina. Minha amiga transcreveu o texto, que é uma delícia.
Realmente, as avós a nova geração estão mais preocupadas com a qualidade da própria vida e não com os cuidados com netos.
Avó quituteira - quem tem?
Realmente. A geração da guerrilha, da contestação, do desquite, do divórcio já não tem mais o charme das antigas avós: as mulheres de mais idade se tratam, gostam os netos, mas nada de cadeira de balanço nem chale nas costas. Via de regra; porque sempre há exceções.
Da mesma forma, estão sumindo as mestras, aquelas professoras abnegadas que transmitiam conhecimento e disciplina. A criançada aprontava, mas não havia traço de desrespeito às mestras e a escola era um mundo novo, a porta para uma vida melhor.
Não sei se fico triste pelas avós, que mostram saúde, vão a hidroginástica, para os bailes e valorizam a vida, brigando pelo último suco da existência. Eu tive avó de óculos, voz calma e lamento que os meninos de hoje tenham avós diferentes, mas são sempre avós, com presentes e o conceito de quem educa são os pais. Avós são para dar à garotada algo mais de carinho, de passeio, de aventura, ou seja, os mimos mudaram o tipo mudou mas avó é sempre muito bom.
Já no que se refere às professoras, o que se vê é bem triste, a começar pelo salário. Foi-se o tempo em que as meninas todas queriam ser professoras. Era um profissão de status e o salário, se não era o melhor, era bom.
O que acontece hoje? Professor ganha mal, não há incentivo para que os jovens busquem os cursos de formação e o propalado desenvolvimento pela educação fica como bordão político, embalado por reformas que "promovem" os alunos ano a ano e os desaguam analfabetos por decurso de prazo.
Como era gostosa a minha Escola Edgard Werneck em Jacarepaguá!!! E que emoção foi o primeiro dia de Colégio Pedro II, ali na sede, na Marechal Floriano, no Centro do Rio. O menino do meio do mato (Jacarepaguá era zona rural) levou um susto quando viu aquele monte de gente, circulando pelos corredores, na hora do recreio.
Um professor, um chefe de disciplina eram acatados nas horas mais difíceis. Os pais educavam e ai de quem não fosse bem no Colégio.
A lembrança de D. Gioconda, professora do primário, está na prateleira das coisas boas do arquivo da minha cabeça.
Se a tv mostra loucuras, também mostrou que a cidade de Sobral, no Ceará (já trabalhei lá) conseguiu se destacar em educação. E que uma professora, também do nordeste, vai de casa em casa arrebanhando os alunos e consegue motivá-los para o estudo.
Eu acredito na educação como força capaz de mudar o contexto social em que vivemos. Mas será que as forças políticas querem saber de gente que pensa ou preferem bandos ululantes em bailes funks, shows e outras loucuras, transformando eleições em disputas futibolísticas?
Acho que é por aí. Os currais eleitorais do interior se transferiram para a cidade. A política do jagunço veio modificada e mais grave.
Vamos investir em educação - dizem. Mas desde que possam repetir o mesmo samba na próxima eleição.
O que se vê? Gente desempregada, mão de obra disponível para o tráfico, professores socorrendo alunos baleados e os políticos supersatisfeitos com seus ganhos.
Fica o consolo desaber que ainda existem mestres e mestras abnegadas pelas escolas deste País, apesar dos políticos.
E que as avós, ainda que modernizadas, continuam criaturas maravilhosas.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário