quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rota

Caminho só. Lógico que não há uma solidão total: seria ingratidão com a família, com amigas e amigos presentes no dia a dia. Nem há tristeza, mas a constatação de que, no fundo do peito, a gente caminha só.
Deus presente, religião ausente e caminho por trilhas que fazem pensar na vida e na morte, nos grandes espaços, nas sensações escondidas dentro do peito.
Reencontro pessoas, reencontro retalhos da vida vivida, retalhos dos quais me lembro com carinho.
Mas a trajetória é solitária. Barco sem rota pré-definida, a vida caminha a cada dia, a nos peguntar o que realmente queremos.
Tem eleição - a gente escolhe só. Tem o acordar - a gente acorda só. Tem a opção da esquina e os destinos se traçam, embolam, convergem ou andam em paralelo, criando a sensação de abstração do tempo e da distância.
E ainda tem a tecnologia com listas de amigos, possibilidades. Mas ainda na infovia, a gente caminha só e sente cada carinho, cada evento morte de forma individual.
Caminho só, embora junto com tanta gente nessa rota sem fim. Como será a dimensão a nosso lado?

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