terça-feira, 5 de julho de 2011

Encantamento


E o remo corta água na direção do sol. Água lisa, marulho de proa largada, remo apoiado, da ponta do remo gotinhas voltam para a lagoa, no silêncio que se faz na distância da margem. Pula parati, corre ubarana, mergulham perumbebas invisíveis. Lembrar de quê? De um olhar distante, um sorriso preso no fundo da memória. No silêncio, a gente conversa com Deus. Além disso, rostos que são importantes parece que nos acompanham na travessia. Vou, volto, a vida está ali, concreta mas uma vida abstrata nos cerca, como se outra dimensão estivesse bem perto de nós. Na dimensão dos sonhos, as distâncias físicas desaparecem. As palavras chegam encantadas ao nosso dia a dia. Ainda quero uma vela para correr no vento. E será que ela virá comigo neste velejar ou vou seguir sozinho, discutindo os enigmas da vida? Certo é que capturo um sorriso, um olhar e faço deles amuleto para espantar a tristeza. As gotas da água que correm do remo parecem palavras de puro encantamento.

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