terça-feira, 14 de agosto de 2012

Dia dos pais. Felipe chega com um livro de presente para mim: "O mar esquecido por Deus", de Derek Lundy. Mas do que isso, ficou conosco desde quinta-feira até segunda, nas andanças entre Bicuíba e Praia Seca. Fomos remar juntos por duas vezes. E, com nordeste pesado, ele atravessa, no fim de tarde, no remo, a distância entre a praia dos pneus e a Pernambuca. Débora chega no sábado. Chega cansada, agitada, depois de ir a Vassouras, ajudar o irmão. Mas chega. E traz um presente lindo, um pequeno "três mastros" numa garrafa. Mas que tudo, veio e trouxe Marcelo e Sofia. Fica conosco no domingo o tempo possível para quem tem atividade na segunda-feira. Sofia me trouxe um singelo terço, agarrado a um texto - coisa do colégio onde estuda. Se os presentes me agradam, a presença física, o abraço são fundamentais. Como foi bom cortar a lagoa de novo no caiaque, como foi bom nadar, andar de bicicleta neste fim de semana. O almoço de domingo foi na casa do meu irmão Odilo. Sobrinhos presentes, comida maravilhosa. Ali, na Praia Seca, o dia amanhece e a saudade faz relembrar os passos do velho, vindo lá da casa dele,para tomar um café conosco. Era sempre uma conversa gostosa, uma vontade forte de continuar vivo e de superar a doença. Foi papai que nos levou para Praia Seca, no tempo em que aquilo ali era deserto. Os 14 quilômetros de estrada de chão eram uma longa sequência de buracos. Ele, ainda bem, entrava na água sem medo. O pescador me chama: cuidado com seu pai, ele entre nesse mar e a correnteza é um perigo! Nada. Ele tinha um grande apego pelo mar. Já no final, ia constantemente à beira da praia, apenas para olhar as ondas. E ficava feliz com isso. Era feliz com uma boa mesa, rodeado de filhos, noras, netos, netas, amigos. Era feliz com uma boa música que, ao final, ouvia alto por conta da dificuldade auditiva. Chegou ao fim sem negar o gosto por uma mulher. E não se fazia de rogado se chance lhe dessem. O coração era do tamanho do mundo. Ajudava a todos, sempre que possível. Mas que isso, foi um batalhador incansável para criar seis filhos e duas filhas. Seu lamento era a saudade do que ficou, ainda jovem, no caminho. E hoje, quando Ian publica as fotos do mar, do mar da Massambaba, o Mar da Praia Seca, parece que ele está ali, nadando entre as ondas, curtindo o frio da água com suas braçadas cadenciadas de campeão de natação. Na emoção dessa saudade, deixo um abraço a todos os pais. Enquanto puder, vou continuar apreciando as ondas, a pequena mata na frente de casa para lembrar do pai que nos levou para aquele canto de praia onde, de alguma forma, nos mantemos unidos. Apesar da morte, a alegria prossegue quando a gente monta um almoço na mesa comprida da varanda. Nessas horas, dá para perceber a presença de meu pai,mantido vivo nas lembrança de cada um de nós. A vida se renova sempre. A presença dos bisnetos, a referência dos netos faz com que, no exemplo de meu pai, eu arranje forças para superar dificuldades e continuar vivo. a água gelada não me mete medo. Só tenho dificuldade com o gelo das pessoas. Mas quando o azul do mar rebrilha junto à areia, eu entendo que há força para prosseguir.Nessa hora, é fundamental o apoio dos filhos. Essa relação pai-filho é melhor que qualquer remédio. Por isso fica um abraço a todos os pais.

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