sexta-feira, 25 de março de 2016

Caixa de velas na mão, entra na igreja, Igreja de N. Sª do Loreto, ali em Jacarepaguá. Diante da imagem de São Sebastião, acende todas as velas, bem no começo da missa. Havia passado, com 8,5 de média, no exame de admissão ao Colégio Pedro II.
Tempo de muita fé, eu morava ali na Estrada do Gabinal, no sítio que foi de meu avô. Duas igrejas no morro: Loreto, mais baixa e a N.Sª da Pena, bem no topo da colina. Os dois templos ainda estão por lá. A última notícia que tive foi da demolição da casa do meu avô.
A família mudou-se para Jacarepaguá na década de 50. Era roça, estrada de chão, boi na rua. Domingo, dia de missa, tinha feira no Largo da Freguesia, ali onde o bonde fazia a volta para regressar para Cascadura. Logo, logo fui estudar na Escola Pública do bairro, a Escola Edgard Werneck. 
1º de março de 1565. Repeti - copiando "n" vezes. Nunca mais me esqueci da data de fundação da cidade do Rio de Janeiro. D. Gioconda Seixas foi minha professora por cinco anos. era muito querida. 
Como me lembro do laço de fita de Berenice, do charme de Djair, da filha da professora que tinha um belo sinal.
Vera, namorada de perto de casa. Mais tarde, no Colégio, uma paixão sofrida, em nada correspondida. Fim de curso, os poetas da turma de reúnem e publicam o "Sextante". 
Rose, namoro de colégio, mãe de dois dos meus filhos. 
Mas eu saí de casa, não importa o porquê. E levei comigo o jipe de muitas aventuras. 
No progresso do tempo, vida mais recente, a amizade com Walkiria Senra, que conversa comigo lá do outro lado do mar. A tecnologia faz o Atlântico parecer um riacho, que a gente atravessa para cumprimentar uma amiga. Lá de Vigo, são belas as imagens que chegam.
Misturando passado e presente, Maura Ribeiro da Conceição foi colega de turma no CPII e, hoje, me conta das viagens que faz, através de suas postagens. Na política, nossos rumos são divergentes.
Ganhei uma bicicleta Peugeot. Papai me autoriza a ir de bicicleta para a escola. A bicicleta era alugada para pagar a compra de picolés, os sorvetes da Kibon, principalmente Ton-bom, de limão.
Para sossego do meu avô, troquei por porquinhos-da-Índia os últimos pombos. Volta e meia, um pombo acertava a cabeça dele, que ficava - com razão - possesso.
Com meu avô, Avô Álvaro, aprendi a usar o machado. Com ele, aprendi a derrubar o mato. Com ele, aprendi muito mais coisa do que eu poderia pensar. Saudade dele, do seu jeito decidido e sério.
Minha vó Lydia era a melhor alma do mundo. Um dia, ela ficou tomando conta da gente. Eu queria andar de bicicleta. Havia uma bicleta velha na garagem. Pedi que ela me ajudasse a montar na bicicleta: - solta, vó!! Não caí, aprendi a andar de bicicleta. 
Das boas amizades de hoje em dia, Teteia Sodre tanto está no Face quanto na vida real. Ela tem uma bela pousada em frente lá de casa e a gente ficou amigo, faz tempo. Tempo passa, a pousada vai ficando cada vez mais bonita. 
São lembranças. Enquanto a política ferve, as pessoas rodam a baiana e empunham armas, vou registrando, por aqui, essas poucas lembranças, retalhos entrelaçados de vida. 
Tempo vai, tempo vem, tem seca, tem cheiro de chuva a amansar a poeira; tem luar, o impressionante luar do Paracuru. A vida é boa assim, costurada de amizades sinceras, apimentada por um conflito aqui e outro ali, mas carregada de amor - amor que me deixa feliz. Eu volto, para contar mais histórias.       25/03/2016

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