quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mundo fora do eixo

Que esse mundo sempre foi meio louco, eu sempre soube. Pode ser que as coisas acontecessem mais escondidas - circunscritas às regiões onde ocorriam. Sei também que as pessoas eram mais responsáveis: menino respeitava advertência do mais velho. A garotada corria de gente mais velha, quando fazia arte.
Hoje, muita coisa mudou. Todo dia tem um maluco fazendo sexo com criança, tem uma criança assassinada ou um velho sendo agredido no vídeo. A última vem dos Estados Unidos: meninas trancaram uma colega e a espancaram. O motivo seria apenas a confecção de um vídeo. O caso só veio à tona porque uma das participantes resolveu denunciar.
Por aqui, a polícia, normalmente morosa em suas investigações, fica acesa e age rápido quando a mídia dá destaque ao fato. Os demais inquéritos que esperem. É só ver o caso da menina, morta em São Paulo: todo dia tem novidade. As ações são dignas de filme policial. A tecnologia de investigação, neste caso, é coisa de primeiro mundo.
Ontem, numa conversa, me lembrei do dia em que adverti um garoto que riscava o banco de um ônibus, n trecho entre Araruama e Rio. Resposta:
Eu tenho meus direitos!!! enfático, certo da impunidade.
Assim segue: temos direitos, o estado é omisso na regulação de direitos e deveres. Cada um pensa eu seu direito, o próximo que se dane. O dever? Vamos escapar, sonegando impostos, sujando as ruas, invadindo espaços públicos, destruindo calçadas.
Nessa linha - mudando o assunto - estão os empresários de ônibus. Em Niterói, no trecho entre Pendotiba e o Centro, as vans sumiram por causa da repressão. Com isso, os passageiros passaram a ser a mercadoria garantida que as empresas querem. São obrigados a esperar no ponto e, depois, a viajar em ônibus lotados.
Há ônibus especiais que cobram caro pelo conforto, mas enchem os corredores de gente.
Depois ninguém sabe porque há cada vez mais gente usando o carro. É óbvio: se o transporte público é um inferno, vamos enfrentar o inferno dos engarrafamentos.
E o poder público, o que diz?
Ah, realiza reuniões, estudos, faz banco de dados, coleta informações mas é incapaz de atitudes concretas para reduzir o número de veículos em circulação. O transporte público é da pior qualidade e a poluição dos motores nos mata um pouco a cada dia.
Para terminar: um juiz, dizem que vindo da região norte, conseguiu legalizar um sítio de muitos alqueires em Praia Seca. Com isso, construiu um muro e impede a passagem de pessoas pela orla. Só é possível passar pela areia.
Ninguém - entre as competentes autoridades - vê o muro que, aliás, é construído junto a outra aberração: um conjunto de casas que - dizem - ajudou a vida de muito fiscal.
Se um juiz pode construir um muro agressivo numa área de preservação, que tenho eu que advertir o menino que danifica o banco do ônibus?
É um mundo girando fora do eixo.
Tião Freitas

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