Faz tempo que essa doença me persegue: a mania de criar cabras e, se possível, ovelhas.
Tudo começou quando fomos morar em Seropédica, perto da Universidade Rural. Alguém nos deu a informação sobre o crescimento da criação de cabras - um negócio para pequenos sítios.
Propus então a Paulo Roque, editor de Agricultura de Hoje (depois Manchete Rural) matéria sobre o tema.
Fui conhecer a Caprileite, a primeira associação de apoio aos criadores. Soube do queijo, fiz curso e aprendi um pouco. Soube dos problemas de importação, já que não havia rebanho de cabras de leite no Brasil.
Pouco tempo depois, fui para a Embrapa, que estava montando um Centro de Caprinos em Sobral. Divulgar as pesquisas do CNPC foi das minhas primeiras atividades. Depois conheci o programa da Paraíba. Através da Emepa, pesquisadores como Aldomário Rodrigues e Vandrick Hauss haviam importado cabras da Alemanha. O objetivo era mostrar a possibilidade de adaptar esses animais ao sertão. Conheci a Estação Experimental de Pendência e o trabalho com caprinos das raças Parda Alemã e Anglonubiana.
Acompanhei o desenvolvimento da raça Santa Inês. Luiz Freire, chefe do CNPC, que me convenceu a ir morar em Sobral, sempre dizia que era preciso um trabalho de melhoramento, para dar mais carne ao traseiro do Santa Inês.
A outra raça, Morada Nova, sempre teve melhor padrão racial, prolificidade, fecundidade e rusticidade. Raiz do Santa Inês, tinha porte menor, mas apresentava melhores índices, principalmente em pastagens agrestes.
Tempo passa -uns 20 anos - e o Santa Inês vira mania nacional.
As tendências de mercado indicam para ampliação do consumo de carnes, tanto de caprinos, quanto de ovinos. No Estado do Rio, é grande a quantidade de rebanhos, tanto na serra de Petrópolis, quanto nos campos de Silva Jardim, ou mesmo em Campos.
Dois fatores imediatos aparecem como limitantes: o preço final para o consumidor e a falta de infra-estrutura para abate.
Quanto aos caprinos, sempre mais direcionado para leite, surge a raça Boer, voltada para produção de carne. Novamente pioneiros, os técnicos da Paraíba conseguem mais duas raças - Savana e Kallahari - também voltadas para a produção de carne. E os investimentos são crescentes nessa tendência de criar caprinos para carne.
A não ser no Rio Grande do Sul, o brasileiro afastou-se muito do consumo de carne de pequenos animais, privilegiando a carne bovina. A tendência de subida do preço da arroba do boi pode ser, atualmente, mas um fator para incentivar o consumo de carnes alternativas, principalmente se os intermediários entre produção e consumo entenderem que se pagam mal ao produtor, limitam a decisão de criar.
Se colocam o preço excessivo no mercado, limitam violentamente o consumo. O quilo do pato vivo anda em torno de R$ 3,00. Vi carne de pato vendida, no supermercado, a R$25,00. A carne de coelho anda no mesmo nível.
Ou seja, enquanto criador, não crio, porque o mercado é complicado.
Enquanto consumidor, não compro porque o preço torna o almoço proibitivo.
Falta uma centelha de inteligência nessa área intermediária do agribusiness para ampliar a oferta de carnes alternativas.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
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