terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuva

Rose ficou a noite toda presa no ônibus. César não conseguiu chegar ao trabalho. Gisele chegou em casa às 2.30h da manhã;
as escolas pararam, ônibus enguiçaram, morros desabaram e a chuva não para.
No fundo do quintal o riacho vira um tigre, rosna, briga, derruba árvores, carrega casas. Mas não é só ele. São todos os cursos d'água que invadem ruas, arrastando carros, invadindo casas, causando mortes.
É noite, a chuva continua. Os donos do poder se justificam - culpada é a população. Nesse altura, o culpado é São Pedro, que mandou chover. Ou o mar, que fornece a umidade.
E acabo apertando o pescoço desse poder público descarado, eleitoreiro, ruim de administração, desencontrado, incapaz de fornecer serviços que atendam à população.
Há uma fenômeno diferente, chuva como não acontecia faz 60 anos, mas há também um processo descontrolado de urbanização, há falta de poder aquisitivo para morar, há descaso com encostas, valas, bueiros e outros equipamentos.
No final, também falta educação. E educação é qualquer coisa além de aulas descuidadas para concessão de um diploma. Deixo um abraço para Paulo Freire e a esperança de que a mão pesada da chuva não precise apontar os defeitos do meio urbano, multiplicando vítimas e prejuízos.
Houve o inesperado? Concordo. Mas as consequências não seriam tão graves se houvesse prevenção. Quem sabe, um dia?

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