
Dia das mães. Sabe o que irrita? Aquele e.mail dizendo: o presente de sua mãe está aqui. Só que ela não está mais entre nós. Foi uma guerreira, criou nove filhos - sete homens, duas mulheres - deu o melhor de si para estes filhos e ficou muito triste quando perdemos um irmão aos 16 anos de vida.
Ah, como eu me lembro das aulas de Português que me dava, andando pelo quintal com filho no colo, porém firme no conhecimento, orgulhosa de ter sido aluna do Pedro II.
Já mais tarde, sua imagem volta quando saímos na madrugada, na Ilha do Governador, para a pescaria de siris e camarões.
Nossa casa era uma casa farta e amiga, uma mesa sempre pronta, um canto para receber um colega dos filhos - alguém que chegasse de surpresa.
E não dá para ouvir um piano sem me lembrar dela.
Tivemos brigas, divergências principalmente sobre as mulheres da minha vida. Mas, na hora do sofrimento, como era bom saber que ela estava ali, para um carinho, um corretivo, uma palavra amiga.
A fé em Nossa Senhora era inquebrantável, talvez mais forte que o ciúme que sentia de meu pai. O coração não resistiu, ela se foi.
Hoje, quando se fala em dia das mães, recordo um sorriso, os cuidados com todos nós, um som de piano na sala, o perfume de uma comida gostosa.
Do muito que me ensinou, vem grande parte desse amor pela terra, pelos bichos, formado a partir das histórias da Prata, a fazenda de meu avô lá pras bandas do Maranhão. Ela era piauiense, sempre pronta a defender as delícias do seu Estado.
Com seus ensinamentos, me repassou também boa parte do gosto pelos livros.
Minha mãe, com seu jeito simples, enérgico quando preciso, alegre no reconhecer as pequenas grandes coisas da vida, me garantiu - eu nem percebia - tanta coisa boa no meu dia a dia.
Hoje, por sua lembrança, deixo um abraço para todas as mães que participam desta comunidade, amigas e familiares.
Não, não vou ao cemitério. Entendo que vou encontrá-la na flor do jardim, no marulhar da onda, no despencar da cachoeira, ou até mesmo na imagem de Nossa Senhora que lhe dei de presente e que conservo até hoje.
A luz de seu espírito me fez amar a poesia. E vou me lembrar dela sempre como se ela estivesse comigo, ali no sítio. Junto com ela, com seu jeito calmo, vejo meu pai.
Dia das mães. Me emociono. Só me irritam estas mensagens marqueteiras que só querem vender qualquer coisa.
As mães não estão no mercado, estão na alma de cada um de nós.

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