Madrugada. 5.30. Acordo. Sono foge entre s cobertas. O ar não funciona direito, esquenta o quarto. Sono arisco! Vem e foge! E as lembranças - nem sei a razão - vão se enfileirando em lances mistos de sonho e realidade.
Rostos e mais rostos se apresentam, como se eu abrisse um baú de boas lembranças. Rostos. Principalmente rostos. Rostos de mulheres. É interessante como a face fala mais que os corpos.
Ah, aqueles olhos que eu acompanhava até a Praça Mauá, Um sorrir terno, ternura no falar e olhos de água, profundamente amigos. O tempo do Colégio acabou e só nos encontramos mais uma vez. Ficou a lembrança - que bela lembrança!
Passeata dos 100 mil. Uma mão amiga empurra meu cabelo testa acima, num gesto de carinho e encontro um belo sorriso de uma amiga de cabelos compridos. Conversamos muito, não passei disso. Mas a lembrança é minha, bem guardada.
Durmo. As lembranças ficam. Louras, morenas,negras, distantes, próximas. Sem preconceito, sem discriminação.
Acordo para a realidade de um coração fisicamente quebrado e - sorrindo - penso que há motivos de sobra para as encrencas sofridas.
Foram três casamentos, quatro filhos, três mulheres muito amadas, sem dúvida, sem medo. Outras foram também muito amadas - há sempre espaço neste peito bagual, um tanto irresponsável em sua forma de sentir.
Sempre um olhar, sempre um sorriso. Faz tempo, a porta anda fechada para o amor, mas escancarada para afetos, amizades. Há sempre espaço neste barco-peito, em mar aberto, ou nave, em asa do vento, a voar sem destino.
E, se num descuido, um sorriso, um olhar ultrapassarem a porta?
Acho que este coração, que ainda pensa que é gente, vai pular, vibrar mas vai ficar perdido na paisagem, inebriado em tempestades a sonhar com o tempo em que o mundo não tinha limites e nem se respeitava a distância - São Luiz do Maranhão que o diga - para achar um olhar, um sorriso capazes de acender a vida.
Já dizia seu Arthur - ele no desenho, eu no texto, quanto trabalho fizemos juntos - que cachorro comedor de ovelha, só matando.
Mas, apesar do coração fendido, continuo vivo. O patrão do céu ainda não me deixa pular do bonde.
Enquanto posso, curto as lembranças e me encanto com a beleza, o sorriso das mulheres, e me consolo com Vinícius a defender a importância de um certo molejo de amor machucado na beleza de todas as mulheres do nosso cotidiano.
sábado, 21 de janeiro de 2012
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