sábado, 12 de maio de 2012
Amélia, minha mãe
Amélia. Ex-aluna do Colégio Pedro II. Toca piano, pinta - é prendada. E estuda. Está no Complementar de Medicina, o passe para a Faculdade. Mas o dentista José Alvaro, a leva para outro destino. Os dois se casam. Filhos. Nove filhos. Vida simples, de luta, de muito carinho com essa tropa criança, sete homens e duas mulheres. E me ensinou português, com apoio da gramática do Antenor Nascente e sempre um filho escanchado no quadril. Mestra em comidas gostosas, sabia preparar um mocotó, um feijão, o bife nosso de cada dia, os quitutes baianos aprendidos com tia Lourdes.
Enérgica, alegre, ciumenta. Amélia de verdade. Simples, muitas vezes briguenta, tantas vezes carinhosa. Trazia uma saudade alegre da terra, dos campos da Prata, do calor do Piauí - a terra sem montanhas.
Minha mãe, que me quis no Pedro II, que foi fundamental para que oito filhos concluíssem o ensino universitário - apenas uma das mulheres formou-se por uma universidade privada. Todos se formaram em instituições públicas.
Um dia, o menino que nascera no primeiro dia do ano, foi embora. Era um domingo de Páscoa. A tristeza tomou conta dos olhos de minha mãe - de meu pai também - mas ela não desistiu nem deixou que faltasse nada naquela bendita casa da Ilha do Governador.
Gostava de poesia, de música e de conversa inteligente. Ciumenta? Sim sem dúvida. Eu também sou. Mas foi o traço de seu amor, o gostar do mar, do sol, da vida que ficaram em minha memória. A saudade é grande. Como também é imensa a saudade de meu pai. E hoje, quando vejo o sítio verde, com bichos espalhados por todos os cantos, não há como deixar de lembrar como ela gostaria daquele cantinho e como iria depositar, com muita fé, uma rosa aos pés de Nossa Senhora, no altar da capelinha.
Minha mãe, Amélia de verdade, foi uma guerreira de coração doce e muita fé. Nessa saudade doída, fica minha homenagem a todas as mães, nesse dia em que, apesar do aspecto comercial, o mundo se curva diante das mulheres que têm a grande função de nos fazer viver. E são elas que podem nos ensinar a espalhar amor nesse mundo ensandecido. Meu abraço a todas as mães.
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