quarta-feira, 9 de maio de 2012

Veto: um grito sem sentido

Veta Dilma. O grito está no ar. Eu pergunto: veta o quê, cara-pálida urbanóide? Os loteamentos estão transformando os municípios em megalópolis. Ali na esquina, um shopping foi construído na beira o riacho. A urbanização está sendo responsabilizada por 40% dos grandes desastres. Será que vão reflorestar 15 m às margens o rio Maracanã? Para não perder a amazônia, o governo incentivou a ocupação e financiou o desmatamento. Assim mesmo, há claros sinais de que outras forças querem ocupar a região. Está certo: não é para desmatar. Há projetos sérios que mostram que a floresta pode ser explorada sem ser destruída. Os seringais são prova disso. Mas não é transformando o produtor rural em bandido que iremos resolver o problema do meio-ambiente no País. A vacância legal, em caso de veto, poderá ser bem pior. A questão não é política. É técnica. Não se pode querer que áreas de produção se transformem em florestas, mas também é certo que plantar em determinadas áreas é absurdo. Assistência técnica, orientação, pesquisa podem ser bem mais úteis que essa guerrinha do veta não veta. Diz a teoria: matem o campo, as cidades morrerão de fome. Matem as cidades, o campo as reconstruirá. A demanda por alimentos é crescente. E será difícil voltar a ser como em 1.500, até porque ninguém pensa em devolver à natureza os espaços ocupados pelas cidades. Culpar a área rural por problemas ambientais é fácil. Quero ver produzir alimento sem trabalhar a terra. Tem mais: a madeira da sua mesa, o algodão da sua roupa, a fibra de coco do estofamento do carro, a borracha dos pneus - isso para não falar em alimentos, tudo vem da produção rural. Será que quem produz merece ser encarado como bandido? A preocupação com meio-ambiente é válida, mas a presidente deve vetar exatamente o quê e por que???

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