quinta-feira, 17 de maio de 2012
Campo e cidade
Eu, cavaleiro, a Deus confesso que monto e gosto de tocar meu cavalo estrada a fora. E uso espora, uso cipó e novamente monto - minha espora é rombuda ou cega e pouco uso o cipó. E tenho cachorro, cachorro amigo, mas capaz de morder os outros.
Eu, churrasqueiro, confesso o sal na carne, a pinga, a cerveja vez por outra. E gosto de ver vegetariano a se fartar de carne. E pesco o peixe, como. Mato o carneiro e ponho para assar. Mas respeito o peixe: não enfio um anzol na boca de um bicho só para me divertir. O peixe enfraquece, não come, perde a guerra pela sobrevivência nas águas. Isso é diversão de ecologista. Eu só pesco para comer.
O escritor me condenou ao fogo da inferno. Derrubei árvores, é certo. Mas será que ela plantou tantas árvores como eu? Será que a mesa da casa dele não é de madeira? E as cadeiras, de que madeira serão? Hipocrisia. Indiretamente, ele também derruba árvores, na medida em que se utiliza de madeira e, gente fina, madeira de lei!!
No entanto, como gosto de uma salada! E, muitas vezes, nem como carne.
Guloso assumido, peno - como agora - para reduzir um pouco o peso. Mas planto horta, cuido das plantas (agora está difícil) compro a ração dos cavalos, gosto de ver as aves soltas no sítio, piso na terra e o prazer da pele cortando a água, eu não consigo dispensar.
Fico pensando nessa gente que não quer consumir nem couro, mas consome - e aos montes - os derivados de petróleo. Fico intrigado com que destino dariam às aves, aos bovinos, ovinos caprinos e outros mais, se eles não servissem mais para alimentação humana. Quem iria cuidar dos animais?
Bichinho é muito bonitinho. Mas não aconselho ninguém colocar uma vaca na área do apartamento. Não é poodle. Será complicado.
Engraçado: a gente da cidade critica a turma do campo, mas ninguém quer reduzir a fumaça de carros e fábricas, o bafo urbano que esquenta o mundo. Nos empreendimentos rurais, será preciso recompor matas, proteger áreas ciliares - está certo - mas como será nas cidades? Vão continuar destruindo árvores e quintais para plantar prédios e estradas? Vão continuar invadindo as margens das lagoas, como em Itaipu e Jacarepaguá? A velha lagoa, dos tempos d'eu menino, já nem existe mais: é um fio d'água em comparação ao espelho que tinha.
Não ignoro o degelo das calotas, a estupidez de muita gente com os bichos, a elevação do nível do mar, as chuvas descontroladas. A preservação não precisa de leis, mas de técnicos, de orientação ao produtor rural, de fiscalização inteligente.
Fora disso, vejo muito jogo de mídia, muito modismo e um julgamento parcial, onde o homem da cidade transforma o mar em penico e quer prender quem produz alimentos.
Ainda acredito no homem: um banho de bom senso, o aporte técnico poderão ajudar a resolver a questão da preservação e, espero, meu churrasco estará garantido por muito tempo. Quanto à salada, a gente planta.
De resto, há um trio pesado, guerreiro, terrível: homem, cavalo e cachorro. Cada um mais parecido com o outro: os três se metem em batalhas juntos, matam o semelhante mas se harmonizam em belo trio andando pelos campos, como faz a gente do sul. E vamos continuar cavalgando, até as cidades transformem tudo em prédios. Só um detalhe: a onde vão produzir comida, fibras e energia? Nas áreas dos apartamentos?
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