sábado, 27 de outubro de 2012
E a "detenção" termina na próxima semana. Fiz perícia no Detran e a médica me considerou "apto". Nem tive coragem de pedir o selo do "deficiente": acho que a vaidade não deixou!!! Preferi ser considerado apto a poder contar com vaga especial. Pode ser que, dentro de um ano, eu me proponha a comprar um carro novo, quem sabe, um automático, e aí os 40% de desconto podem me tentar.
As mudanças foram muitas nos últimos sessenta dias. Primeiro, catarata. Cirurgia em dois olhos. Depois, CNH. Aprovado na perícia, posso dirigir qualquer tipo de carro. Continuo no Gol, arrastando carretinha com caiaques ou cargas. Depois, o início dos exercícios de Pilates. Acho que vou melhorar - pelo menos estabilizar.
Planejado está o recomeço lento na bicicleta. Quem sabe, consigo me sentir um pouco mais "apto", como disse a médica lá no Detran. Por sinal, surpreendente o tal do "Poupa Tempo", no Shopping São Gonçalo. Lá, o cidadão tem atendimento em áreas do Estado e da Prefeitura. Tudo limpo, climatizado, organizado. Nem parece atendimento ao público neste Estado do Rio. Um verdadeiro contraste com as instalações do Detran que conhecemos.
Fiquei feliz com o "apto". A gente envelhece, passa a usar muletas e as pessoas nos olham com ar de piedade:
- Ajuda a ele, diz a senhora do restaurante para meu filho.
- Ajudar para quê? Não, ainda posso fazer muita coisa sozinho e isso é importante para mim.
Se aceito ajuda? Sim. Felipe, muitas vezes, me entrega as muletas quando vou sair do carro, além de muitas coisas mais. Dil - numa inversão de tarefas - carrega bolsas e abre portas e não permite que nada me falte. Sou muito protegido. Mas, quando caio na água, estou só e feliz. E parto no caiaque - mas dependo do filho para colocar o caiaque sobre o carro.
O grave é que não fiquei amargo: gosto da vida, de ler, de rir, de uma boa música, de uma reunião com os amigos. Não consigo viver de queixas e, quando o desespero bate, corro dele.
Encaro a minha limitação como algo a ser enfrentado a cada dia, numa batalha constante e surda.
Vaidade? Nem me preocupo. Fiquei feliz com o "apto". O plano é procurar me mexer mais ainda, superando as dificuldades inerentes aos males que infestam minha coluna.
E como alguém que muda o curso de um barco, vou mudando o curso da vida, o jeito de viver. Vamos ver o que consigo. Ainda mais se existe alguém que me considera "apto". Essa palavra apaga o mal que me faz a onda de olhares de piedade.
Gosto de ajuda - é necessária em muitos momentos, fundamental mesmo - agora é muito bom conseguir superar as dificuldades e chegar um pouco mais longe. Isso me deixa feliz. Afinal, estou "apto".
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