sábado, 20 de outubro de 2012
Sem mau humor
Pastorinhas" - eu nem sabia, a primeira versão falava em "moreninhas". O CD, fora de mercado, tem por base um programa da rádio da USP sobre cem carnavais. Omar,,,, (não consigo entender o sobrenome) vai contando as particularidades das marchas que fizeram sucesso em carnavais e conta que "mamãe eu quero" data de 1936! "A Jardineira é de l939"! E o Tião nem era nascido!
Som, Face, um vinho daqui a pouco, pedaços da "Vandé Globe" com seus navegadores solitários e veleiros dispostos a enfrentar o mar em torno do pólo norte.
Nada de rua. Nem de praia. Apenas as imagens da internet, os contatos necessários, a descoberta de que a FioCruz atende emergências de gente picada de peçonhentos até nos finais de semana.
Recheio o dia com as pequenas rosas do quintal, rolinhas com seus arrulhos discretos, gaviões que, do alto, buscam presas nas áreas verdes. Tempo passa lento, arrumo textos de trabalho enquanto o CD muda em chorinho para ninguém botar defeito.
Como será a vela do caiaque? Que vai acontecer na perícia do Detran na próxima sexta-feira? Como estará o mar sob esse sol que vai arrebentando com as nuvens?
As respostas se perdem nesse ruminar solitário nas teclas do computador. Sil diz que é bom mudar e acha bonito quando comento sobre o tempo que tenho de casado. E acho bonito como essa amiga está sempre presente e se agrada dos textos que vou escrevendo por aqui.
Mas que tudo, o que faço é garimpar paciência, paciência para ficar preso, paciência para agradecer a vida, mesmo longe da roça e do mar. E paciência para encarar essa possibilidade como uma virada definitiva, povoada de Pilates e, provavelmente, de passeios de bicicleta.
A velhice tolhe movimentos, quebra esperanças mas nos deixa refazer planos. É preciso imaginação para procurar novas formas de encantamento, mares imaginários onde o barco da vida navega saberes ainda não experimentados.
E o choro, um cavaco a gemer sob a bancada, me dá asas para voar em direção à alegria de estar vivo. Enquanto houver um sopro de amor, ainda que doa o peito, que a coluna reclame, será preciso encontrar um fio de esperança para garantir um sorriso e, quem sabe, uma postagem da Corina para rir com a Mafalda. Vale, por que não, achar as brincadeiras da Lili, sempre alegre e depois chorar de saudade com os queijos de leite de cabra.
Apesar da violência presente, das dificuldades, ainda consigo acreditar na luz do sol como remédio para a tristeza e achar beleza até na preguiça que tv mostra.
Quero fechar a porta ao mau humor.
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