domingo, 11 de novembro de 2012

Só hoje. Só hoje, eu queria de novo as minhas pernas. Não que eu as renegue, como estão - nada disso. Ainda consigo me movimentar, posso nadar, andar de bicicleta; dá para viver sem mágoa desse artrose doída. Sim, queria minhas pernas para sair por aí, comprar um baio, calçado nas quatro, palomino de preferência, peito largo, retaco, pescoço bem lançado, bom de aprumos, olhar esperto. Um baio, que não fosse muito arisco, porém esperto no toque do calcanhar, capaz de me levar por aí, sem reclamar. Queria escolher o melhor arreio, a sela australiana que comprei de Paulo, sela grande, confortável, com barrigueiras largas, para firmar o arreio, sem incomodar a montaria. Os estribos são forrados, loros fortes para aguentar o peso das pernas esticadas na marcha contra o vento, a cortar sol e chuva, sem muita direção. Queria forrar a sela com o pelego, vindo lá do Rio Grande, onde o gaúcho não monta sem ele. Freio inox, cabeçada fina e a rédea curta que eu mesmo arrumei. Queria calçar as botinas, a calça jeans de sempre, um blusão qualquer, chapéu de abas não muito largas ou até mesmo o velho chapéu de couro, comprado lá em Petrolina, bem nordeste, bem sertão. É um querer doído, pena do que não fui, saudade do campo, das trilhas de serra, da cerveja bebida longe, sem preocupação com dirigir. Fica registrado. É sonho, sonho que pode ser realidade. Por enquanto, é ginástica, tentativa de refazer peças estragadas dessa máquina que usei além da conta. Enquanto isso, uma nova aventura aparece: vou na madrugada, ali para Charitas, tomar contato com a canoa havaiana. Perco a roça, mas vejo o mar como um grande coração, sem capaz de me receber - a todos nós - para viver ou morrer. De resto, é domingo, dia de comprar jornal, tomar um vinho, comer macarrão para engordar mais um pouco e assistir o futebol no meio da tarde. Acho que dormi de mau jeito: apertei os espinhos do peito, que se remexeram e estão me deixando com o pensamento atrapalhado. Ainda bem que existe o Facebook para a gente conversar com pessoas amigas. Sem problemas: o sol no rosto, lá na rua, vai me deixar feliz. Curtir ·

Nenhum comentário: