Sertão, rosário de lembranças
Doce de buriti. Que delícia! Doce de qualidade que Débora e Marcelo trouxeram de Fortaleza. Trouxeram também castanha de caju, mas o buriti parece aquele que eu comprava no mercado de Teresina.
Esses dias, achei um vídeo sobre umbu, a planta verde da caatinga seca. A frutinha vendida nas ruas de Petrolina.
Na TV, Regina Casé fala sobre pequi, a fruta mágica do cerrado. É preciso relembrar jatobás, sucupiras, cagaitas, araticum, cajuí, mangaba. Cerrados, vegetação que se mistura com a caatinga quando o centro-oeste encontra o nordeste, com destaque para o Piauí.
Sertão. Carne de bode, buchada. Sertão: a secura e o verde, as serras com seu micro-climas, a festa do interior desse Brasil sem fim. Boleia de caminhão, eu saí do Rio, no tempo das estradas de chão, é fui parar no Piauí.
Lamento não ter navegado o São Francisco mas uma visita à Serra da Canastra está programada. É lá que nasce o velho Chico, é lá que se despenca a cachoeira da Casca d'Anta.
Sertão. Sertão do arreio cutiano de Goiás, das selas nordestinas sem cabeça, do vaqueiro encourado. Sertão de Guimarães Rosa, com suas veredas e caminhos entre cerrados e campos gerais.
Entre babaçus, vi correr a novilha vermelha. Vi Bié, vaqueiro Bié, filho de Cristino que dizem que era meu tio, vi correr pendurado no cavalo ligeiro. Antonio Rosa foi junto e só voltaram com o serviço pronto. Onde isso? No Maranhão, ali do lado de Teresina, no município de Timon, que um dia foi chamado de Flores.
Tem horas que esse sangue - meio sangue nordestino, meio sangue serrano, de Petrópolis, assim eu sou - pende para o lado nordestino e bate saudade de ver o gado livre na beira da estrada, os rebanhos de cabras e carneiros, como nos campos de mimoso, que a gente atravessa quando vai de Teresina para o Ceará, via Campo Maior e serra de Tianguá.
Cachaça, rapadura, melado. Isso tem lá no alto da serra. Faz tempo, andei por lá. Faz tempo que comprava tejuaçu, avoante prensada, preá seca na feira de domingo, cheia de frutas, peixe, bichos.
Coisa de velho, esse rosário de lembranças que termina com uma galinha d'angola, feito no leite de coco, de coco babaçu, que nos foi apresentada por Fernando, em noite de Teresina.
Hoje, preso nesta São Gonçalo, a cabeça viaja entre odores, sabores, olhares desse sertão sem fim, sertão que, para mim, é a verdadeira essência de Brasil sem medida. Ah, a amazônia, essa é outra conversa, outro mundo de árvores gigantes, uma floresta sem fim. Não deixa de ser sertão - é Brasil com nome de índio e sabor de tudo que as cidades não têm.
Eu vi de perto, pelo menos, dá para lembrar.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário