São Pedro
Em Jurujuba, a festa de São Pedro acontece e não dá para comer um peixe: o guarda nos aconselha a voltar! Houve a procissão e só vi o retorno de alguns barcos, ainda enfeitados.
Amanhã é domingo, possivelmente, um domingo de sol. Mas cadê ânimo para viajar? O corpo anda doendo menos, mas as muletas tornam a vida cansativa. Os cães festejam: não ficam sozinhos. E eles murcham quando saímos de casa.
Na volta, Fumaça late, late forte como se brigasse por causa da nossa ausência.
Bom, atividade não falta. A carpintaria vai funcionando e fico caprichando na casa de cachorro, que está em fase de pintura. Trabalho de velho é pouco, mas acaba dando certo. E o cabo da peixeira recuperada já está envernizado.
Depois, tem o youtube com aulas sobre uso da serra, da tupia, além de mostrar inventos plausíveis para uma oficina caseira.
Tênis velho, calça manchada de tinta, camisa. Esse é o uniforme da oficina - calçado e meias são essenciais par enfrentar o mosquito.
Ainda não cheguei nas plantas. Vasos e mais vasos estão à espera para o plantio.
Aqui no Face, acompanho os protestos, as postagens dos amigos, os comentários de quem sabe de posicionar dentro do que se pede para o País: honestidade, respeito, ética, educação.
As mãos não são mais firmes, porém é preciso seguir, não é possível parar. É preciso estudar, ler e desenvolver algum trabalho físico. Na sociedade atual, a tendência é de que os velhos fiquem segregados, quietos, sentados num sofá à espera do fim. Há exceções, há quem consiga entrar em programas interessantes, mas nem sempre é assim. A grande luta é para que a lucidez não se acabe, a grande luta é para prosseguir gostando da vida, a grande luta é para aceitar o remédio nosso de cada dia, a grande luta é para não desistir e deixar que a corrente leve o corpo embora.
Sempre acontecem as alegrias, como a fogueira de sábado passado. Nada organizado, mas a família responde presente e os amigos de fé não falham. Pouco fiz, mas gostei do que vi. Também é alegria o aniversário da Corina, a amiga que me fala de formas carinhosas para admirar a natureza, a vida, no caminho de Deus. É a moça da Lua, com seu jeito de quase feitiço.
Fotos do Iram, Expedito sempre irritado, Solange na luta para mudar o País, Silvinha sempre amiga, Álvaro a favor da maconha, Jurema e Reti com seus muitos bichos, Aninha com seus doentes - minha amiga capelã - irmãos, filhos, sobrinhas - a família de sangue na minha família do mundo: tudo isso é a Internet, que me ajuda a viver.
O perigo é essa facilidade de comprar ferramenta, caiaque, bicicleta: ainda bem que Dil anda por perto e controlo minhas loucuras. De quebra, navego músicas de todos os cantos do País e ainda me deixo encantar com a beleza nordestina das meninas do Clã.
Quando a tristeza vai chegando, fujo para a alegria e há sempre uma palavra amiga, um sorriso que me diz que a vida, ora a vida, mesmo doída, vale a pena ser vivida. Não sei se sou fiel: são muitos os afetos que cultivo. O coração é rachado, mas ainda não se cansou de amar.
sábado, 29 de junho de 2013
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