Foi um menino. Um menino de onze anos que parou o carro. Outros aparecem. Um tiro acontece e lá se vai uma vida a troco de nada. Caso raro, investigação rápida e os meninos são detidos. O Juiz relata: a idade é cada vez menor.
Em São Paulo, um menino é empurrado e, na queda, sofre hemorragia interna. Imagens da escola mostram bem onde estão indo as crianças brasileiras para estudar: prédios velhos, acabados, sem equipamentos. Professores acovardados, crianças agressivas, pais dispostos a bancar a violência dos filhos.
Fatalidade: na quadra, um jogador de futebol de salão perde a vida numa farpa. Outro menino já havia se machucado no mesmo lugar. Descaso. Falta de manutenção.
A seguir, imagens dos hospitais que atendem às vítimas: tudo feio, caído, em situação que fica difícil manter o padrão de higiene desejado. Equipamentos? Médicos?
É constante a crônica do mau atendimento, da falta de recursos. Os hospitais adotaram, como principal funcionário, o agente de segurança, armado e despreparado.
Na tv, o filme é violento. Explosões, morte, gente ferida são apresentados à criançada, que imita essas cenas nas brincadeiras.
O corte para o legislativo mostra salas bem arrumadas, equipamentos e gente enfiando dinheiro por todo canto. Quanto ganha mesmo o ascensorista do Congresso? E um médico da rede pública do Rio de Janeiro? E um professor?
No trânsito, mortes provocadas por motoristas bêbados. O cara já foi preso várias vezes por dirigir alcoolizado, não tem carteira e entra num parque para atingir pai e filho.
A lei é dura para quem tem CPF e identidade, para quem tem algo a perder, para o cidadão que será obrigado a pagar uma multa pesada.
Esse é o medo: a criação de uma sociedade sem os freios sociais, despreocupada com educação, certa de que morrerá cedo ou terá assistência médica precária. Gente que vive sem emprego, não sabe o que é casa e se arrasta para a morte. Quando chega no xadrez, acha uma cadeia superlotada, apesar de tantos marginais na rua.
Tem também a outra face da moeda, o filho de classe média, com dinheiro n bolso, que se julga acima das leis. Preso, será solto. Julgado, não ficará preso. As exceções são poucas.
O cidadão em sua casa, é desenconselhado a ter armas e nem cachorro bravo poderá ter. Não reaja - dizem todos.
Como é a história do arrancar a flor no jardim e, depois, o grito da sua garganta?
Aprendi diferente. Reprimo a vontade de encarar, de reagir. Minha geração enfrentou polícia, exército. Aliás, não entendo muito porque as forças repressivas, usadas contra intelectuais, operários e estudantes - mal-preparados, diga-se de passagem - olham passivamente suas armas passsarem para as mãos de bandidos e não interferem na guerra urbana instalada nas cidades brasileiras.
De bonito, fica o exemplo da senhora baixinha que, com base em alguma noção de luta marcial, enfrentou e expulsou o ladrão que acabou preso.
- Não sigam meu exemplo, não reajam.
Não sei não. Sem educação, sem hospitais, sem polícia, como o cidadão fica sem reagir?
Ladrão não é profissão - eu imagino - e a reação coletiva pode mudar um pouco a idéia de que tudo é fácil. A falta de respeito chega a tal ponto que, dia desses, o ladrão invadiu a casa, comeu, bebeu e... dormiu!!
Está certo que não dá para enfrentar arma de peito aberto, mas a passividade só ajuda a ação dos meliantes. Não dá para virar a cara quando o vizinho está sendo roubado. Um pouco de solidariedade somada a com um pingo de coragem podem dificultar a vida do ladrão.
E, para aqueles ladrões de dinheiro para panetone, a arma do cidadão é uma só: o voto. E que a justiça tenha piedade de nós.
quinta-feira, 11 de março de 2010
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