Mudança
O nordeste sopra forte na região dos lagos. Te, que está
Fico pensando no mamute congelado com capim na boca. Se o eixo mudar, ficaremos eternamente congelados. Ou, quem sabe, nos transformaremos em esqueletos de um deserto escaldante, com sobreviventes rezando para ficar perto de um oásis.
Onda de
Há lugares, no nordeste, onde o mar toma conta de boa parte das praias.
Na lagoa de Araruama, uma pequena praia desapareceu e as casuarinas morreram, com as raízes imersas em água.
Os especialistas em agricultura sempre comparam o setor a um grande transatlântico: não dá para fazer curva fechada, mudar o rumo rápido, como se fosse um carro de formula um. Medidas tomadas fora de época levam tempo para fazer efeito. As estações do ano precisam – no caso da produção agropecuária – ser respeitadas, ainda que a tecnologia tenha resolvido muitos nós da produção no campo.
Essa idéia, colocada em relação ao mundo, cria uma pergunta: que causa terão os estragos que já estão feitos, com a liberação de gases que contribuem para o efeito estufa e outras fontes de deterioração mundial?
A mudança das cidades de lugar, a grande placa de gelo que navega nos mares gelados do sul – quais serão, a longo prazo, as conseqüências desses fatos?
Agora, que cada um precisa olhar o que anda fazendo, é certo. As imagens das enchentes mostram como as pessoas continuam jogando lixo nas ruas e como há descaso no recolhimento deste lixo. Há muita verba investida em legislativos e pouco dinheiro gasto com empregos no recolhimento de lixo, limpeza de valões, desobstrução de bueiros, construção de vias para recolhimento de águas servidas.
Aqui onde moro – um grande bairro imprensado entre Niterói e São Gonçalo – as águas servidas descem direto para o rio, sem quaisquer tratamentos. A rede coletora de esgotos é o riacho Mata Paca... Do que sei, toda essa região adota o mesmo procedimento: não há estação de tratamento de esgotos
Coisas simples, como a transformação de lixo em adubo, reciclagem de materiais,
Tratamento de esgotos são itens que merecem pouca atenção, tanto do público, quanto das autoridades constituídas. Enquanto isso, a expansão desenfreada dos núcleos urbanos transforma em depósito de coliformes os mares, os rios, as lagoas, prejudicando a balneabilidade das águas de recreação.
A baía de Guanabara é linda, sem dúvidas, mas como tomar banho em suas praias?
É terrível quando, na Massambaba, litoral sul do Rio de Janeiro, a sujeira toma conta da praia, vinda sei lá de onde.
Outro item: proliferação dos automóveis. Está certo que indústria é emprego, que carro significa a vida de muita gente mas, na contra-mão dessa idéia, é um veneno para o ar que respiramos. A alternativa é o transporte público.
Diz o meu médico que, quando trabalhava numa grande empresa de ônibus, era comum, em tempo de eleição, a chegada de políticos, até mesmo de helicóptero, em busca de recursos para eleição.
As conseqüências são visíveis: as vans, que faziam transporte entre o Baldeador e Niterói, foram exterminadas porque estavam prejudicando as linhas de ônibus. A fiscalização permanece firme, mas ninguém se importa se um passageiro fica no ponto, esperando um ônibus, durante uma hora. As empresas de ônibus podem tudo e não se fala em transportes alternativos.
Qual é a opção do cidadão? Comprar um carro. Se duvidar, fica mais barato que andar de ônibus: o gasto estimado para ir de Pendotiba, Niterói, até o centro do Rio é da ordem de R$20,00, numa distância de
Numa época em que escritórios de advocacia fazem profissionais trabalharem como escravos, sem benefícios trabalhistas e sem horário, talvez a solução seja mesmo mudar o eixo da terra e começar tudo de novo. Também não sei adianta: vão crucificar o Cristo novamente e o cara que ficar com a caverna maior, vai cobrar aluguel dos outros. E tudo voltará inexoravelmente ao mesmo padrão de antes.
Tião Freitas
10/03/2010

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