terça-feira, 2 de março de 2010

Chile

Sábado. Dia acinzentado, sopra sudoeste em Praia Seca. Débora liga. Terremoto no Chile. Santiago atingida. Notícias de Pablo???
Não, nem sabia. TV ligada. Destruição, morte, aeroporto interditado. Comunicações precárias. Ligo para Marigilda. Ela ainda não sabia. Ninguém consegue falar com Pablo.
Aprendiz de seleiro, conserto uma bolsa. Costuro. Yan liga - Isa foi para o hospital e ele virá para o almoço. Converso. Volto ao trabalho, até que Marigilda liga e me tranquiliza: Pablo conseguiu um telefone e entrou em contato com ela: estavam bem, apesar de tudo.
Alguns utensílios foram para o chão na casa deles em Santiago. Surya acordou assustada com o barulho, com medo de ladrão.
Como moram no segundo andar desceram os três: Pablo, Carola - minha nora chilena - e Surya, a neta nascida no dia do meu aniversário.
Foi difícil explicar para o coração que era apenas um susto.
No hospital, Isa faz exames, mantemos contato com Antonio e tudo não passa de um susto, descartada a hipótese de apendicite.
Anda no meio da tarde, a bela coral não escapou da paulada, apesar de sua beleza, de seus lindos anéis que me tornaram ágil novamente.
Crime ambiental? Como deixar uma cobra no quintal de casa?
De certa forma, fiquei com pena mas, se não matasse a cobra, como ficariam as pessoas no caminho?

Terremotos fazem parte da história. Talvez pior seja perceber as mudanças climáticas, tragédias na França, inundação na cidade de Campo Grande, violência na Ilha da Madeira e por aí vai.
Pior ainda é o enorme iceberg que se desprendeu no pólo sul e navega, sabe-se lá para onde.
Mato a cobra, conservo as árvores onde pássaros se aninham. Corto uma vara no mato, mas coloco sementes na terra. E vivo, enquanto dá, enquanto o mar não nos expulsa de Praia Seca.
O terremoto do Chile doeu no meu peito.
Fico pensando nos pequenos e múltiplos terremotos sociais - assaltos, balas perdidas, gente ruim - que acontecem a cada dia: quantos corações sangram por causa disso.
Duas doenças: um meio-ambiente agredido e uma sociedade violenta, onde bandos saqueiam o que pode em meio ao caos de cidades destruídas.
Se a população do mundo dobrar, que tipo de bicho chamaremos de gente?

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