sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cerrados, gosto de Brasília

Brasília. Cerrado na cabeça. Ninguém gosta? Eu gosto. Vivi bons tempos por lá. Sexta-feira, encontro com os amigos e o grande prato típico de lá: carne de sol, mandioca (cozida ou frita) paçoca e um belo feijão de corda com manteiga de garrafa. Uma cerveja e haja festa para o colesterol. Bom demais!
Empadão goiano - o palmito amargo - também é muito bom, mas nada se compara à carne de sol, servida do centro-oeste ao nordeste, com gosto e fartura.
Nos tempos de Sobral, o prato do fim de noite era a panelada: dobradinha, batata e ... cerveja. O Ceará tem também uma bela carne de sol, um bom feijão macaça, vigna - caupi, nunca, ervilha de vaca e .... depois eu digo - mas o cearense tem vergonha de feijão de corda, prefere feijão do sul e não assume que come carne de "criação". Batucada com os amigos da Embrapa, samba que acabava lá em casa. Em destaque, ainda, uma boa cachaça sem marca, de rolha, vinda de Tianguá.
A buchada de bode só acontecia quando, na pedra, Antonio das Porcas arrumava uma boa criação. E Dil assava um perna de carneiro - ou cabrito - de dar água na boca. Sem esquecer o queijo de coalho, bem curado, vindo do sertão.
De Teresina, fica a lembrança de uma galinha d'Angola, feita no leite de coco. De coco babaçu. E o "capão" preparado lá na casa da tia Sinhara, casa bem ali, ao lado do palácio do governo - a igreja de São Benedito lá no fim da praça.
As lembranças vão sumindo, já não há exatidão na memória quando repenso que a correnteza do Parnaíba - tio Tavinho, irmão de vovô, atravessava sem dificuldade - a correnteza me assustou quando ameacei atravessar o curso do rio.
Ainda do cerrado, vem a lembrança dos peixes - filhote, pintado - comuns aos rios da região.
Brasília. O filho mais novo nasceu lá. Repórter de O Globo e depois Jornal do Brasil, escriba da Embrapa, aprendi a amar os cerrados, campos que cobrem boa parte do solo brasileiro. No meio dessa riqueza natural, a capital. Uma cidade. Cidade de gente boa, onde deixei muitos amigos.
Política? Gente corrupta?
Isso é o Congresso, onde estão representantes de todos os lugares, políticos que mandamos - nós todos - para lá e que pouco têm a ver com Brasília, com o planalto, com os cerrados. Há muita coisa bela por lá - Água Emendadas, Água Mineral, céu de fim de tarde - detalhes que me fizeram amar Brasília.
Chega, vou almoçar. Dil me chama. E a vida segue, bordada de saudade de muita coisa que vivi. Brasília, inclusive.

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