terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Inflação sem poesia
Peço ajuda: quem foi o poeta de "pare o bonde que eu quero descer?"
Mas o bonde não pára; nem tem mais bonde, tem esse mundo endoidecido, onde o monstro ressurge das cinzas: a inflação está de volta.
Quem viveu em tempos de inflação, sabem bem do que eu falo. E o comércio - fácil verificar - aposta sério no descontrole dos preços. As diferenças de preço andam assustadoras. O comércio aposta no aumento do poder aquisitivo do povo e o sobrepreço passa a ser a política adotada. Um quilo de peru, na época de Natal, chegou a R$16,00. No início de janeiro, foi possível pagar, por quilo, R$4,00.
A matéria de "O Globo" de domingo - Inflação de botequim - mostra como o prazer do carioca, a diversão da mesa de bar, está custando mais caro a cada dia.
Num mundo em crise, o Brasil tem achado caminhos para escapar. Porém há indicadores de que a crise pode chegar por aqui. Nem quero falar de política, razão ou responsabilidade. Quero considerar que, apesar de índices positivos, a miséria continua muita, a violência nos deixa acuados atrás das grades e os mega projetos aumentam de preço assustadoramente.
Fala-se em Olimpíada. Sim fala-se apenas em construções. Não se sabe de programas para selecionar e treinar atletas. Esses tipos de programas deixam pouca margem para a roubalheira.
Está certo, o salário ainda não desaparece em uma semana, mas o carrinho do supermercado fica mais caro a cada dia. E volta o desespero de correr atrás de preços mais baixos. Onde vamos parar? Não sei. Fica a torcida para que os economistas de plantão consigam manter o dragão sob controle. A tentação do lucro fácil, a conformação do povo que paga o que lhe cobram são fatores que alimentam a inflação.
Há coisas absurdas mesmo. Não é só no Rio. O ponto badalado de Praia Seca é a Bodeguita. Nunca tinha parado por lá. Almocei nesse comércio na quarta-feira de cinzas. Caro. Filé-mignon para duas pessoas: mais de R$50,00. Bom, eu me lembrei do famoso filé do Moraes, lá de São Paulo. Lá a gente paga e se delicia. O preço não impressiona, o que impressiona é a qualidade.
Triste ilusão. Cortaram e serviram uma carne dura, um arroz sem gosto e uma bata frita sem graça. Ora, sou gordo assumido, carnívoro sem arrependimento. Sei quanto custa a carne no mercado. E sei o que é o filé mignon. Sem chances. Paguei, não reclamei, mas me senti enganado. A conta, por contado chope, foi a mais de R$200,00 para quatro pessoas. Pior: para comer uma carne dura que não passou perto do filé.
Ganhar dinheiro não é crime. Todo mundo quer, mas será que é preciso vender gato por lebre? Será que vale a pena criar uma onda inflacionária de consequências desastrosas?
Há horas em que a gente desanima. Mas o poeta já disse que o bonde não pára, a gente tem que seguir em frente.
Agora, além do calor, das catástrofes, dos governos corruptos, ainda teremos que enfrentar a inflação? Não dá.
Assim fica difícil olhar a lua. Não há poesia que aguente.
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